antigas Publicado: 11/09/2008 | 10:02

A ?ajudinha? da Abin

Ricardo Brito e Leandro Colon
Correio Braziliense

Cinqüenta e dois arapongas participaram da Satiagraha, revelou diretor da agência, que acusou Protógenes pelo “descontrole” na ação
 
 
O diretor afastado de Contra-Inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Maurício Fortunato, afirmou ontem, em depoimento à CPI dos Grampos, que 52 servidores da Abin participaram da Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal em julho. A revelação de Fortunato, que irritou os integrantes da comissão, contradiz os depoimentos prestados anteriormente por Paulo Lacerda e Milton Campana, os dois principais chefes da instituição afastados. Ambos afirmaram que a participação dos agentes foi “residual”.

“Isso é um desrespeito, um escárnio com esta Casa. Cinqüenta e duas pessoas, com gastos de R$ 300 mil, e depois publicam nota dizendo que isso não tem nada a ver? É um desrespeito com esta Casa”, criticou Raul Jungmann (PPS-PE), citando nota divulgada pela agência na época em que a operação foi deflagrada de que agentes não tinham participado. “É melhor fechar a agência. Eles se meteram em algo que não sabiam o que estavam fazendo, ou passam atestado de idiota ou não sei se devem funcionar”, afirmou o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).

Fortunato acusou o delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Satiagraha, de ter causado um “descontrole” na agência.

Em entrevista ao jornal O Popular, o delegado da PF confirmou que Francisco Ambrósio do Nascimento, ex-araponga do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), trabalhou na investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas.

O delegado da PF, entretanto, desmentiu a informação de que Nascimento fez as escutas clandestinas que teriam levado ao grampo da conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demostenes Torres (DEM-GO). “Ele participou sim da operação, mas existe um dispositivo legal que prevê a figura do colaborador eventual. Mas ele ficou pouco tempo na operação, é um analista e desempenhou o papel dele a pedido nosso. A todo tempo ele cumpria expediente na sede da PF”, disse Protógenes.

O delegado ainda insinuou que Dantas possa estar por trás desses grampos. “É só você entrar no Google e pesquisar as investigações do Daniel Dantas em Nova York, em Cayman e na Itália, e ver como se comportaram o Judiciário e as procuradorias desses países. Você pode ver como ele realizou a defesa dele nesses países. Então não é surpresa pra mim o que está ocorrendo aqui no Brasil”, disse.

Nélio Machado, advogado do Daniel Dantas, classificou de “levianas” as declarações de Protógenes. “O delegado ataca para se defender, mas ele não consegue explicar vários pontos obscuros nessa história: a participação de agentes da Abin no inquérito da Operação Satiagraha, sua relação com Paulo Lacerda (diretor afastado da Abin), sua relação com Hugo Chicaroni (preso sob a acusação de tentativa de extorsão contra um delegado do caso), a reunião da PF que definiu seu afastamento do caso”, afirmou Machado. “Tudo isso gera um quadro de suspeição.” A CPI convocou Ambrósio, o presidente do STF, Gilmar Mendes, o ministro da Justiça, Tarso Genro, o banqueiro Daniel Dantas e reconvocou Protógenes. 

Ricardo Brito e Leandro Colon
Correio Braziliense

Cinqüenta e dois arapongas participaram da Satiagraha, revelou diretor da agência, que acusou Protógenes pelo “descontrole” na ação
 
 
O diretor afastado de Contra-Inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Maurício Fortunato, afirmou ontem, em depoimento à CPI dos Grampos, que 52 servidores da Abin participaram da Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal em julho. A revelação de Fortunato, que irritou os integrantes da comissão, contradiz os depoimentos prestados anteriormente por Paulo Lacerda e Milton Campana, os dois principais chefes da instituição afastados. Ambos afirmaram que a participação dos agentes foi “residual”.

“Isso é um desrespeito, um escárnio com esta Casa. Cinqüenta e duas pessoas, com gastos de R$ 300 mil, e depois publicam nota dizendo que isso não tem nada a ver? É um desrespeito com esta Casa”, criticou Raul Jungmann (PPS-PE), citando nota divulgada pela agência na época em que a operação foi deflagrada de que agentes não tinham participado. “É melhor fechar a agência. Eles se meteram em algo que não sabiam o que estavam fazendo, ou passam atestado de idiota ou não sei se devem funcionar”, afirmou o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).

Fortunato acusou o delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Satiagraha, de ter causado um “descontrole” na agência.

Em entrevista ao jornal O Popular, o delegado da PF confirmou que Francisco Ambrósio do Nascimento, ex-araponga do Serviço Nacional de Inteligência (SNI), trabalhou na investigação sobre o banqueiro Daniel Dantas.

O delegado da PF, entretanto, desmentiu a informação de que Nascimento fez as escutas clandestinas que teriam levado ao grampo da conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demostenes Torres (DEM-GO). “Ele participou sim da operação, mas existe um dispositivo legal que prevê a figura do colaborador eventual. Mas ele ficou pouco tempo na operação, é um analista e desempenhou o papel dele a pedido nosso. A todo tempo ele cumpria expediente na sede da PF”, disse Protógenes.

O delegado ainda insinuou que Dantas possa estar por trás desses grampos. “É só você entrar no Google e pesquisar as investigações do Daniel Dantas em Nova York, em Cayman e na Itália, e ver como se comportaram o Judiciário e as procuradorias desses países. Você pode ver como ele realizou a defesa dele nesses países. Então não é surpresa pra mim o que está ocorrendo aqui no Brasil”, disse.

Nélio Machado, advogado do Daniel Dantas, classificou de “levianas” as declarações de Protógenes. “O delegado ataca para se defender, mas ele não consegue explicar vários pontos obscuros nessa história: a participação de agentes da Abin no inquérito da Operação Satiagraha, sua relação com Paulo Lacerda (diretor afastado da Abin), sua relação com Hugo Chicaroni (preso sob a acusação de tentativa de extorsão contra um delegado do caso), a reunião da PF que definiu seu afastamento do caso”, afirmou Machado. “Tudo isso gera um quadro de suspeição.” A CPI convocou Ambrósio, o presidente do STF, Gilmar Mendes, o ministro da Justiça, Tarso Genro, o banqueiro Daniel Dantas e reconvocou Protógenes.