antigas Publicado: 5/08/2008 | 09:28

De olho em 7.186 vagas

Letícia Nobre
Correio Braziliense

As 18 seleções com inscrições abertas ou editais previstos têm salários entre R$ 600 e R$ 21 mil
 
Os bons ventos dos concursos públicos continuam soprando no segundo semestre. Neste mês, pelo menos 18 seleções e 7.186 vagas estão com inscrições abertas ou têm editais previstos. A demanda do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o levantamento preliminar do Censo 2010 impulsionaram a abertura de novos postos. As escolas militares e as subsidiárias da Petrobras também oferecem muitas oportunidades. Os salários para os mais de 7 mil cargos oferecidos vão de R$ 600 — dos agentes censitários do IBGE — a R$ 21 mil dos juízes substitutos do Tribunal de Justiça do DF.

Há mais oportunidades para os que concluíram o nível médio e para os graduados, entretanto, em algumas vagas, como as destinadas ao PAC, é exigida também experiência profissional e pós-graduação.

Só esse projeto do governo federal abriu mais de 3 mil possibilidades de emprego. Ainda que o trabalho seja temporário — os contratos têm validade máxima de quatro anos — é uma excelente oportunidade de renda imediata e experiência. Assim pensa o professor José Wilson Granjeiro, do curso preparatório Obcursos. Apesar de ficar desconfiado da eficácia do empenho em uma vaga temporária, ele releva que pode ser um bom degrau para alcançar o objetivo. “Bom mesmo é cargo efetivo, mas o candidato pode ter um emprego com renda imediata. Além de servir como tempo de serviço e contribuição que contará para a aposentadoria depois”, afirma.

Para a diretora executiva da Associação Nacional de Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra, o receio é outro: “Meu medo é que, depois de vencido o contrato, esses servidores fiquem trabalhando como terceirizados. Quatro anos são muito tempo para um contrato temporário”, avalia. Outra crítica feita por ela é com relação às vagas destinadas a alguns dos ministérios. “O que os ministérios da Justiça, Cultura e Turismo têm a ver com o PAC? Acho muito estranho. Até onde sei, o programa se propõe a realizar obras de infra-estrutura. Era preciso uma análise mais profunda sobre a questão”, pondera.

IBGE
Apesar de também ser um concurso para seleção de temporários, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) oferece 1.032 vagas para trabalho no Censo de 2010. Em geral, os trabalhos começam dois anos antes com a preparação dos documentos e mapeamento das áreas. A remuneração será de R$ 600 para os agentes, que precisam ter nível médio, e R$ 4 mil para os analistas, que devem ser graduados.

“Periodicamente o IBGE tem essas necessidades, as pesquisas que realizam têm hora para começar e hora para acabar, por isso não podem inchar o quadro de funcionários”, explica Maria Thereza, da Anpac. Para Granjeiro, não é muita vantagem participar desse processo seletivo. “Só vale, se considerar que é um trabalho imediato, que dá uma garantia momentânea. Ganha-se tempo para buscar o que realmente se quer”, defende.

Escolas militares
O meio do ano é o momento em que as escolas militares — seja do Exército, da Aeronáutica ou da Marinha — abrem seus cursos. O Exército concentra 1.922 vagas, de cadetes a engenheiros. Já na Marinha, são 160 oportunidades para auxiliares de praça. A remuneração durante o curso é pequena, cerca de R$ 600, mas a vantagem é a boa formação e a possibilidade de fazer carreira.

“O candidato deve prestar atenção: é preciso ter vocação para ingressar nas escolas militares. Não é para qualquer um”, salienta o professor Granjeiro. “Muitos concurseiros estão preocupados com o grande número de vagas ou salários mais altos, não é assim que se escolhe uma seleção”, alerta.

A opinião de Maria Thereza é mais cética: “Foi-se o tempo em que ser militar era status. Venho de uma família de militares e hoje eles não têm qualquer prestígio”. Mesmo assim, ela aponta as vantagens dessa carreira. “São excelentes escolas. Uma formação militar garante um preparo significativo para o mercado. Outra questão relevante é a dos profissionais já graduados. Médicos, odontólogos, por exemplo, podem trabalhar e fazer carreira como militar sem deixar a vida como profissional civil.”

Petrobras
O mercado do petróleo brasileiro está ganhando espaço. Novas descobertas e contratos com o exterior provocam uma demanda de funcionários significativa. Este ano, a Petrobras e subsidiárias já abriram 4,6 mil vagas em concursos públicos.

Em agosto, são 1.029 postos mais cadastro de reserva na Transpetro e BR Distribuidora. Técnicos e graduados poderão escolher entre diversas opções de acordo com a formação e concorrer a salários que variam de R$ 808,27 a R$ 4.798. As contratações serão imediatas e se concentram especialmente na Região Sudeste. 
 
Executivo oferece mais postos
Boa parte dos concursos incluídos no levantamento do Correio são da esfera federal. Em um ano, o Ministério do Planejamento autorizou a realização de processos seletivos para preencher 30.143 vagas, 51% desse total foram liberados só de janeiro a julho deste ano.

O ministério mais beneficiado foi o da Educação. Os projetos de ampliação da rede de escolas tecnológicas e a reestruturação das universidade federais foram os responsáveis pelo grande número de vagas. Em 2008, foi autorizada a seleção de 11.510 técnicos administrativos e professores para todos os níveis.

A Previdência também merece destaque: além das 2 mil vagas preenchidas no começo do ano, outras 900 para analista de seguro social estão para sair. E o Ministério da Saúde ganhou o aval para substituir mil terceirizados e contratar outros 500 temporários.

“É um momento extraordinário para todas as áreas e até 2015 isso vai se manter”, afirma categórico o professor José Wilson Granjeiro, do Obcursos. Segundo ele, a Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento prevê que em sete anos 85% dos servidores do governo federal se aposentarão. “Serão mais de um milhão de vagas até lá”, diz o professor.

Realidade
Um levantamento da Associação Nacional de Apoio a Concursos (Anpac) aponta que há cinco anos cerca de 5 milhões de pessoas procuravam os concursos públicos como opção de carreira. Atualmente, esse número dobrou. “A realidade era muito diferente, quase ninguém procurava concurso público. Queriam se formar em uma faculdade e trabalhar na iniciativa privada”, justifica a diretora executiva da Anpac, Maria Thereza Sombra.

Para ela, a conjuntura do país foi alterada. “Tudo mudou da água para o vinho nessa área. A iniciativa privada não dá conta do recado e o governo precisa de funcionários.” O professor Granjeiro fala em boom dos concursos e indica as motivações: “Saem os terceirizados, os comissionados e os aposentados; mais órgãos são criados e os já existentes têm seu crescimento natural”.

Letícia Nobre
Correio Braziliense

As 18 seleções com inscrições abertas ou editais previstos têm salários entre R$ 600 e R$ 21 mil
 
Os bons ventos dos concursos públicos continuam soprando no segundo semestre. Neste mês, pelo menos 18 seleções e 7.186 vagas estão com inscrições abertas ou têm editais previstos. A demanda do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o levantamento preliminar do Censo 2010 impulsionaram a abertura de novos postos. As escolas militares e as subsidiárias da Petrobras também oferecem muitas oportunidades. Os salários para os mais de 7 mil cargos oferecidos vão de R$ 600 — dos agentes censitários do IBGE — a R$ 21 mil dos juízes substitutos do Tribunal de Justiça do DF.

Há mais oportunidades para os que concluíram o nível médio e para os graduados, entretanto, em algumas vagas, como as destinadas ao PAC, é exigida também experiência profissional e pós-graduação.

Só esse projeto do governo federal abriu mais de 3 mil possibilidades de emprego. Ainda que o trabalho seja temporário — os contratos têm validade máxima de quatro anos — é uma excelente oportunidade de renda imediata e experiência. Assim pensa o professor José Wilson Granjeiro, do curso preparatório Obcursos. Apesar de ficar desconfiado da eficácia do empenho em uma vaga temporária, ele releva que pode ser um bom degrau para alcançar o objetivo. “Bom mesmo é cargo efetivo, mas o candidato pode ter um emprego com renda imediata. Além de servir como tempo de serviço e contribuição que contará para a aposentadoria depois”, afirma.

Para a diretora executiva da Associação Nacional de Apoio aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra, o receio é outro: “Meu medo é que, depois de vencido o contrato, esses servidores fiquem trabalhando como terceirizados. Quatro anos são muito tempo para um contrato temporário”, avalia. Outra crítica feita por ela é com relação às vagas destinadas a alguns dos ministérios. “O que os ministérios da Justiça, Cultura e Turismo têm a ver com o PAC? Acho muito estranho. Até onde sei, o programa se propõe a realizar obras de infra-estrutura. Era preciso uma análise mais profunda sobre a questão”, pondera.

IBGE
Apesar de também ser um concurso para seleção de temporários, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) oferece 1.032 vagas para trabalho no Censo de 2010. Em geral, os trabalhos começam dois anos antes com a preparação dos documentos e mapeamento das áreas. A remuneração será de R$ 600 para os agentes, que precisam ter nível médio, e R$ 4 mil para os analistas, que devem ser graduados.

“Periodicamente o IBGE tem essas necessidades, as pesquisas que realizam têm hora para começar e hora para acabar, por isso não podem inchar o quadro de funcionários”, explica Maria Thereza, da Anpac. Para Granjeiro, não é muita vantagem participar desse processo seletivo. “Só vale, se considerar que é um trabalho imediato, que dá uma garantia momentânea. Ganha-se tempo para buscar o que realmente se quer”, defende.

Escolas militares
O meio do ano é o momento em que as escolas militares — seja do Exército, da Aeronáutica ou da Marinha — abrem seus cursos. O Exército concentra 1.922 vagas, de cadetes a engenheiros. Já na Marinha, são 160 oportunidades para auxiliares de praça. A remuneração durante o curso é pequena, cerca de R$ 600, mas a vantagem é a boa formação e a possibilidade de fazer carreira.

“O candidato deve prestar atenção: é preciso ter vocação para ingressar nas escolas militares. Não é para qualquer um”, salienta o professor Granjeiro. “Muitos concurseiros estão preocupados com o grande número de vagas ou salários mais altos, não é assim que se escolhe uma seleção”, alerta.

A opinião de Maria Thereza é mais cética: “Foi-se o tempo em que ser militar era status. Venho de uma família de militares e hoje eles não têm qualquer prestígio”. Mesmo assim, ela aponta as vantagens dessa carreira. “São excelentes escolas. Uma formação militar garante um preparo significativo para o mercado. Outra questão relevante é a dos profissionais já graduados. Médicos, odontólogos, por exemplo, podem trabalhar e fazer carreira como militar sem deixar a vida como profissional civil.”

Petrobras
O mercado do petróleo brasileiro está ganhando espaço. Novas descobertas e contratos com o exterior provocam uma demanda de funcionários significativa. Este ano, a Petrobras e subsidiárias já abriram 4,6 mil vagas em concursos públicos.

Em agosto, são 1.029 postos mais cadastro de reserva na Transpetro e BR Distribuidora. Técnicos e graduados poderão escolher entre diversas opções de acordo com a formação e concorrer a salários que variam de R$ 808,27 a R$ 4.798. As contratações serão imediatas e se concentram especialmente na Região Sudeste. 
 
Executivo oferece mais postos
Boa parte dos concursos incluídos no levantamento do Correio são da esfera federal. Em um ano, o Ministério do Planejamento autorizou a realização de processos seletivos para preencher 30.143 vagas, 51% desse total foram liberados só de janeiro a julho deste ano.

O ministério mais beneficiado foi o da Educação. Os projetos de ampliação da rede de escolas tecnológicas e a reestruturação das universidade federais foram os responsáveis pelo grande número de vagas. Em 2008, foi autorizada a seleção de 11.510 técnicos administrativos e professores para todos os níveis.

A Previdência também merece destaque: além das 2 mil vagas preenchidas no começo do ano, outras 900 para analista de seguro social estão para sair. E o Ministério da Saúde ganhou o aval para substituir mil terceirizados e contratar outros 500 temporários.

“É um momento extraordinário para todas as áreas e até 2015 isso vai se manter”, afirma categórico o professor José Wilson Granjeiro, do Obcursos. Segundo ele, a Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento prevê que em sete anos 85% dos servidores do governo federal se aposentarão. “Serão mais de um milhão de vagas até lá”, diz o professor.

Realidade
Um levantamento da Associação Nacional de Apoio a Concursos (Anpac) aponta que há cinco anos cerca de 5 milhões de pessoas procuravam os concursos públicos como opção de carreira. Atualmente, esse número dobrou. “A realidade era muito diferente, quase ninguém procurava concurso público. Queriam se formar em uma faculdade e trabalhar na iniciativa privada”, justifica a diretora executiva da Anpac, Maria Thereza Sombra.

Para ela, a conjuntura do país foi alterada. “Tudo mudou da água para o vinho nessa área. A iniciativa privada não dá conta do recado e o governo precisa de funcionários.” O professor Granjeiro fala em boom dos concursos e indica as motivações: “Saem os terceirizados, os comissionados e os aposentados; mais órgãos são criados e os já existentes têm seu crescimento natural”.