antigas Publicado: 14/03/2008 | 09:02

Lula entra na campanha

Denise Rothenburg e Guilherme Queiroz
Correio Braziliense

Presidente inicia conversações com os partidos da base aliada para compor alianças e tentar eleger os prefeitos de municípios-chave, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, já de olho na sucessão em 2010

De público, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito que se manterá afastado das eleições municipais nas cidades onde houver dois palanques aliados ao seu governo. Mas para evitar que termine fora de muitas alianças ou mesmo uma divisão dos aliados capaz de atrapalhar seus planos de fazer o sucessor em 2010, Lula tem conversado com os partidos da coalizão sobre a necessidade de composição em municípios-chave, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. Em especial, naqueles em que uma desunião da base governista pode terminar por deixar o governo fora do segundo turno ou jogando o PMDB na oposição ao governo no futuro.

São Paulo, que reúne o maior colégio eleitoral do país, está no topo das preocupações do presidente. Ontem, por exemplo, na conversa com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, Lula deu carta branca para que ela seja candidata a prefeita da capital (leia mais na página 3). O raciocínio presidencial é simples: Marta é a única capaz de evitar que a eleição fique polarizada entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na conversa, ele ainda chegou a lembrar que todos os outros que despontam como candidato não chegam a 5% das intenções da voto. Logo, caberá à ministra ceder à tentação de se preservar e concorrer ao governo em 2010, para dar visibilidade ao governo Lula e ao PT na eleição municipal.

O presidente Lula vê o mesmo problema em Salvador (BA). Lá, ele tem trabalhado para reunir pelo menos o PT ao prefeito João Henrique (PMDB). Se possível, espera ainda levar o PSB da deputada Lídice da Mata, pré-candidata do partido à prefeitura da capital baiana. A maior preocupação de Lula é não deixar o segundo turno soteropolitano nas mãos do tucano Antonio Imbassahy e do democrata ACM Neto, os dois que aparecem em melhor colocação nas pesquisas recentes. “Seria o governo fora do palanque e, para evitar que isso aconteça, temos que unir nossa turma ainda no primeiro”, diz um assessor direto do presidente.

Salvador ainda reúne um outro componente além do risco de ficar fora do segundo turno: a intenção do presidente de manter o PMDB como “amigo de fé”, expressão que tem sido muito utilizada no Planalto. No governo, há um receio de que a perspectiva de ter João Henrique fora do segundo turno seja vista como um gesto de agressão por parte do PT e isso termine por tirar o ministro da Integração Nacional, o peemedebista Geddel Vieira Lima, do palanque do governador Jaques Wagner em 2010. Até porque desde que se aliou ao governo Lula, Geddel conquistou mais de 100 prefeitos, fundamentais para ajudar a reeleger Wagner no futuro. Portanto, nada mais justo que o PT mantenha a aliança na prefeitura.

Estratégia
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Manaus também são considerados territórios importantes. No caso do Rio, a ordem do presidente Lula é evitar que o prefeito César Maia faça o sucessor, assim como no Recife, o objetivo é fazer de tudo para que a prefeitura da capital, hoje petista, não termine nas mãos do Democratas ou mesmo de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Por isso, quanto mais partidos ele conseguir reunir ao lado de João da Costa (PT), o candidato do prefeito João Paulo, melhor. O que Lula não quer é ver o seu governo sem quem o defenda nos palanques pelo Brasil afora ou que os aliados briguem tanto que não sobre clima para alianças futuras.

No quesito aproximar o PMDB, estão em curso as conversas em torno de uma aliança em Natal, terra do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, e do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). “Em função da proximidade do PT e do PMDB no plano nacional, é natural que tenhamos reflexos em Natal. Inclusive, no interior, já foram fechadas várias alianças”, relata a deputada federal Fátima Bezerra (PT-RN), potencial candidata à prefeitura de Natal, que já ofereceu o cargo de vice ao deputado Hermano Morais, do PMDB. Se essa engenharia conseguir deixar o Democratas e o PSDB fora do segundo turno, melhor. 
 
ANÁLISE DA NOTÍCIA
Tudo pelo PMDB

Lula ainda não tem claro quem será seu candidato em 2010 — ele torce por Dilma Rousseff, mas não sabe se ela se viabilizará até lá. Mas tem certeza de que o seu melhor parceiro para a corrida presidencial será o PMDB, por causa da preciosa estrutura de palanques e minutos de TV que a legenda reúne. E se quiser manter o parceiro, terá de seduzi-lo eleitoralmente.

Até agora, o PMDB obteve a prova de que a parceria governamental é para valer. Haja vista a conquista dos cargos que os peemedebistas desejavam no governo. Levaram tudo ou quase tudo. Agora em relação à aliança eleitoral futura, não bastam os cargos. Nesse campo, não apenas Lula, mas o PT terá de mostrar disposição de abrir espaços, contrariando a sua natureza de nunca ceder a cabeça de chapa a seus aliados.

É por isso que Lula está em campo. Para ajudar o PT a abrir essas portas da esperança de continuidade da coalizão em 2010. Daí a necessidade de cortejar o governador do Rio, Sérgio Cabral; o PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e puxar o paulista Orestes Quércia e quem mais chegar. Se tudo der certo, avaliam os aliados do presidente, estará aberto o caminho para Dilma ser candidata com um vice do PMDB. Ou, quem sabe, se tucano Aécio Neves migrar para o PMDB, ter Dilma como sua vice. O importante é manter a união. O nome, dizem os lulistas, fica para depois.
 
Reforço presidencial

Rio de Janeiro
O presidente Lula tenta levar o PT a construir uma chapa contra o Democratas de César Maia. Gostaria de ver a união com o peemedebista Eduardo Paes para fortalecer os laços com Sérgio Cabral. Se não for possível, tentará fechar com Marcelo Crivella, do PRB.

São Paulo
Com a candidatura de Marta Suplicy praticamente definida, o trabalho do presidente é no sentido de tentar levar o PMDB ou o PCdoB para a chapa da ministra do Turismo à prefeitura paulistana.

Belo Horizonte
Lula é um dos entusiastas da composição que o prefeito Fernando Pimentel (PT) faz com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), em busca de uma candidatura única.

Salvador
O presidente tem desestimulado todos os movimentos do PT em busca de candidatura própria. Trabalhará para que seu partido apóie a reeleição de João Henrique, do PMDB, de forma a evitar que o tucano Antonio Imbassahy ou o democrata ACM Neto conquistem uma vitrine no Nordeste.

Recife
Amigo do governador Eduardo Campos, do PSB, Lula tem conversado no sentido de levar os partidos da base a se unirem em torno da candidatura petista de João da Costa, já que lá o PMDB é o governo federal.

Porto Alegre
O PT, por iniciativa própria, irá buscar o PCdoB e o PSB para tentar fechar uma única chapa.

Goiânia
Assim como em Salvador, a intenção do governo é levar o PT a apoiar a reeleição do prefeito Íris Rezende, do PMDB.

Natal
Com as bênçãos do Planalto, o PT busca uma composição com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), numa chapa que teria o deputado estadual Hermano Morais (PMDB) como candidato a vice-prefeito.
 

Denise Rothenburg e Guilherme Queiroz
Correio Braziliense

Presidente inicia conversações com os partidos da base aliada para compor alianças e tentar eleger os prefeitos de municípios-chave, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, já de olho na sucessão em 2010

De público, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dito que se manterá afastado das eleições municipais nas cidades onde houver dois palanques aliados ao seu governo. Mas para evitar que termine fora de muitas alianças ou mesmo uma divisão dos aliados capaz de atrapalhar seus planos de fazer o sucessor em 2010, Lula tem conversado com os partidos da coalizão sobre a necessidade de composição em municípios-chave, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife. Em especial, naqueles em que uma desunião da base governista pode terminar por deixar o governo fora do segundo turno ou jogando o PMDB na oposição ao governo no futuro.

São Paulo, que reúne o maior colégio eleitoral do país, está no topo das preocupações do presidente. Ontem, por exemplo, na conversa com a ministra do Turismo, Marta Suplicy, Lula deu carta branca para que ela seja candidata a prefeita da capital (leia mais na página 3). O raciocínio presidencial é simples: Marta é a única capaz de evitar que a eleição fique polarizada entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Na conversa, ele ainda chegou a lembrar que todos os outros que despontam como candidato não chegam a 5% das intenções da voto. Logo, caberá à ministra ceder à tentação de se preservar e concorrer ao governo em 2010, para dar visibilidade ao governo Lula e ao PT na eleição municipal.

O presidente Lula vê o mesmo problema em Salvador (BA). Lá, ele tem trabalhado para reunir pelo menos o PT ao prefeito João Henrique (PMDB). Se possível, espera ainda levar o PSB da deputada Lídice da Mata, pré-candidata do partido à prefeitura da capital baiana. A maior preocupação de Lula é não deixar o segundo turno soteropolitano nas mãos do tucano Antonio Imbassahy e do democrata ACM Neto, os dois que aparecem em melhor colocação nas pesquisas recentes. “Seria o governo fora do palanque e, para evitar que isso aconteça, temos que unir nossa turma ainda no primeiro”, diz um assessor direto do presidente.

Salvador ainda reúne um outro componente além do risco de ficar fora do segundo turno: a intenção do presidente de manter o PMDB como “amigo de fé”, expressão que tem sido muito utilizada no Planalto. No governo, há um receio de que a perspectiva de ter João Henrique fora do segundo turno seja vista como um gesto de agressão por parte do PT e isso termine por tirar o ministro da Integração Nacional, o peemedebista Geddel Vieira Lima, do palanque do governador Jaques Wagner em 2010. Até porque desde que se aliou ao governo Lula, Geddel conquistou mais de 100 prefeitos, fundamentais para ajudar a reeleger Wagner no futuro. Portanto, nada mais justo que o PT mantenha a aliança na prefeitura.

Estratégia
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Porto Alegre e Manaus também são considerados territórios importantes. No caso do Rio, a ordem do presidente Lula é evitar que o prefeito César Maia faça o sucessor, assim como no Recife, o objetivo é fazer de tudo para que a prefeitura da capital, hoje petista, não termine nas mãos do Democratas ou mesmo de Jarbas Vasconcelos (PMDB). Por isso, quanto mais partidos ele conseguir reunir ao lado de João da Costa (PT), o candidato do prefeito João Paulo, melhor. O que Lula não quer é ver o seu governo sem quem o defenda nos palanques pelo Brasil afora ou que os aliados briguem tanto que não sobre clima para alianças futuras.

No quesito aproximar o PMDB, estão em curso as conversas em torno de uma aliança em Natal, terra do presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, e do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). “Em função da proximidade do PT e do PMDB no plano nacional, é natural que tenhamos reflexos em Natal. Inclusive, no interior, já foram fechadas várias alianças”, relata a deputada federal Fátima Bezerra (PT-RN), potencial candidata à prefeitura de Natal, que já ofereceu o cargo de vice ao deputado Hermano Morais, do PMDB. Se essa engenharia conseguir deixar o Democratas e o PSDB fora do segundo turno, melhor. 
 
ANÁLISE DA NOTÍCIA
Tudo pelo PMDB

Lula ainda não tem claro quem será seu candidato em 2010 — ele torce por Dilma Rousseff, mas não sabe se ela se viabilizará até lá. Mas tem certeza de que o seu melhor parceiro para a corrida presidencial será o PMDB, por causa da preciosa estrutura de palanques e minutos de TV que a legenda reúne. E se quiser manter o parceiro, terá de seduzi-lo eleitoralmente.

Até agora, o PMDB obteve a prova de que a parceria governamental é para valer. Haja vista a conquista dos cargos que os peemedebistas desejavam no governo. Levaram tudo ou quase tudo. Agora em relação à aliança eleitoral futura, não bastam os cargos. Nesse campo, não apenas Lula, mas o PT terá de mostrar disposição de abrir espaços, contrariando a sua natureza de nunca ceder a cabeça de chapa a seus aliados.

É por isso que Lula está em campo. Para ajudar o PT a abrir essas portas da esperança de continuidade da coalizão em 2010. Daí a necessidade de cortejar o governador do Rio, Sérgio Cabral; o PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e puxar o paulista Orestes Quércia e quem mais chegar. Se tudo der certo, avaliam os aliados do presidente, estará aberto o caminho para Dilma ser candidata com um vice do PMDB. Ou, quem sabe, se tucano Aécio Neves migrar para o PMDB, ter Dilma como sua vice. O importante é manter a união. O nome, dizem os lulistas, fica para depois.
 
Reforço presidencial

Rio de Janeiro
O presidente Lula tenta levar o PT a construir uma chapa contra o Democratas de César Maia. Gostaria de ver a união com o peemedebista Eduardo Paes para fortalecer os laços com Sérgio Cabral. Se não for possível, tentará fechar com Marcelo Crivella, do PRB.

São Paulo
Com a candidatura de Marta Suplicy praticamente definida, o trabalho do presidente é no sentido de tentar levar o PMDB ou o PCdoB para a chapa da ministra do Turismo à prefeitura paulistana.

Belo Horizonte
Lula é um dos entusiastas da composição que o prefeito Fernando Pimentel (PT) faz com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), em busca de uma candidatura única.

Salvador
O presidente tem desestimulado todos os movimentos do PT em busca de candidatura própria. Trabalhará para que seu partido apóie a reeleição de João Henrique, do PMDB, de forma a evitar que o tucano Antonio Imbassahy ou o democrata ACM Neto conquistem uma vitrine no Nordeste.

Recife
Amigo do governador Eduardo Campos, do PSB, Lula tem conversado no sentido de levar os partidos da base a se unirem em torno da candidatura petista de João da Costa, já que lá o PMDB é o governo federal.

Porto Alegre
O PT, por iniciativa própria, irá buscar o PCdoB e o PSB para tentar fechar uma única chapa.

Goiânia
Assim como em Salvador, a intenção do governo é levar o PT a apoiar a reeleição do prefeito Íris Rezende, do PMDB.

Natal
Com as bênçãos do Planalto, o PT busca uma composição com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), numa chapa que teria o deputado estadual Hermano Morais (PMDB) como candidato a vice-prefeito.