antigas Publicado: 1/02/2008 | 08:41

Ministra corre risco de perder o cargo

Daniel Pereira, Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense

Situação de Matilde Ribeiro é delicada dentro do governo. Auxiliares do presidente Lula dizem que ou ela se explica ou terá de pedir demissão
 
Os gastos de R$ 171 mil no cartão de crédito do governo podem custar o cargo à ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que ele está irritado com o desgaste que o caso causou ao governo. Antes de decidir o destino da ministra, Lula quer ter uma conversa com ela. O encontro deve acontecer assim que o presidente receber um parecer da Corregedoria Geral da União (CGU) sobre o caso. Fontes do Palácio do Planalto avaliam que Matilde pode tomar a iniciativa e pedir demissão. “Ela está muito abalada”, relata um ministro. Se pedir para sair, ela pode resolver o problema do governo. Estancar a crise e poupar Lula do desgaste de demiti-la.

Para o Planalto, Matilde é a única ministra que ainda não deu explicações satisfatórias sobre as despesas realizadas, deixando o governo à mercê de ataques da oposição e ameaçado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a poucos dias de o Congresso iniciar seus trabalhos em 2008. Ontem, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, declarou que a ministra tem de apresentar esclarecimentos o mais rapidamente possível. “Estamos todos aguardando as devidas explicações”, afirmou Múcio. No ano passado, a ministra recorreu ao cartão para pagar despesas com aluguel de carros (R$ 110 mil) e restaurantes (R$ 5 mil), além de uma compra em free shop (R$ 461,16).

Múcio reconheceu que o caso “talvez” cause constrangimento ao governo “enquanto não se explique” por que o cartão corporativo foi usado. Mas aposta que a idéia de uma comissão de investigação no Congresso não prosperará. “Como envolve só uma pessoa, não sei se é matéria que mereça uma CPI”, declarou o ministro. Múcio fez questão de ressaltar, no entanto, a possibilidade de setores da oposição aderirem à proposta de investigação seduzidos pelo holofote, ou, como ele diz, pelo “teatro”.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, bateu mais duro e ironizou a idéia da CPI. Lembrou que uma das denúncias é sobre um gasto de R$ 8,30 feito pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, numa tapiocaria de Brasília. “Não vejo motivo para CPI. Vão chamar um ministro para falar de tapioca. Vai virar a CPI da tapioca.”

Reunião
Protagonista do caso, a ministra Matilde Ribeiro passou o dia de ontem reunida com assessores. Em discussão, a possibilidade de prestar esclarecimentos publicamente. Até o fechamento desta edição, não havia decisão tomada. A proposta de manifestação em público ganhou força nos bastidores depois da reunião que a ministra teve, na noite de quarta-feira, com colegas de governo no Palácio do Planalto. Na ocasião, conseguiu convencer, entre outros, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de que não agiu de má-fé. Apesar disso, deixou a impressão de que não escapará de um processo judicial por improbidade administrativa.

Daniel Pereira, Gustavo Krieger e Leandro Colon
Correio Braziliense

Situação de Matilde Ribeiro é delicada dentro do governo. Auxiliares do presidente Lula dizem que ou ela se explica ou terá de pedir demissão
 
Os gastos de R$ 171 mil no cartão de crédito do governo podem custar o cargo à ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que ele está irritado com o desgaste que o caso causou ao governo. Antes de decidir o destino da ministra, Lula quer ter uma conversa com ela. O encontro deve acontecer assim que o presidente receber um parecer da Corregedoria Geral da União (CGU) sobre o caso. Fontes do Palácio do Planalto avaliam que Matilde pode tomar a iniciativa e pedir demissão. “Ela está muito abalada”, relata um ministro. Se pedir para sair, ela pode resolver o problema do governo. Estancar a crise e poupar Lula do desgaste de demiti-la.

Para o Planalto, Matilde é a única ministra que ainda não deu explicações satisfatórias sobre as despesas realizadas, deixando o governo à mercê de ataques da oposição e ameaçado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a poucos dias de o Congresso iniciar seus trabalhos em 2008. Ontem, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, declarou que a ministra tem de apresentar esclarecimentos o mais rapidamente possível. “Estamos todos aguardando as devidas explicações”, afirmou Múcio. No ano passado, a ministra recorreu ao cartão para pagar despesas com aluguel de carros (R$ 110 mil) e restaurantes (R$ 5 mil), além de uma compra em free shop (R$ 461,16).

Múcio reconheceu que o caso “talvez” cause constrangimento ao governo “enquanto não se explique” por que o cartão corporativo foi usado. Mas aposta que a idéia de uma comissão de investigação no Congresso não prosperará. “Como envolve só uma pessoa, não sei se é matéria que mereça uma CPI”, declarou o ministro. Múcio fez questão de ressaltar, no entanto, a possibilidade de setores da oposição aderirem à proposta de investigação seduzidos pelo holofote, ou, como ele diz, pelo “teatro”.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, bateu mais duro e ironizou a idéia da CPI. Lembrou que uma das denúncias é sobre um gasto de R$ 8,30 feito pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva, numa tapiocaria de Brasília. “Não vejo motivo para CPI. Vão chamar um ministro para falar de tapioca. Vai virar a CPI da tapioca.”

Reunião
Protagonista do caso, a ministra Matilde Ribeiro passou o dia de ontem reunida com assessores. Em discussão, a possibilidade de prestar esclarecimentos publicamente. Até o fechamento desta edição, não havia decisão tomada. A proposta de manifestação em público ganhou força nos bastidores depois da reunião que a ministra teve, na noite de quarta-feira, com colegas de governo no Palácio do Planalto. Na ocasião, conseguiu convencer, entre outros, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de que não agiu de má-fé. Apesar disso, deixou a impressão de que não escapará de um processo judicial por improbidade administrativa.