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Publicado: 14/12/2007 | 08:07
Economistas elevam previsões para 2008
Folha de São Paulo
Nível recorde de investimento mostra aposta de empresários para atender à demanda crescente no próximo ano
Analistas já prevêem crescimento de pouco mais de 5% para o PIB em 2007; para 2008, perspectiva é de alta pouco abaixo de 5%
O resultado vigoroso do PIB no terceiro trimestre levou economistas de diferentes tendências a refazerem as contas e a elevarem suas projeções para 2007 e também para o próximo ano. O motivo foi o aumento do investimento, que atingiu o maior nível já registrado pelo IBGE e que funciona como motor da economia.
Ou seja, as empresas privadas e o setor público investem hoje em infra-estrutura e máquinas para atender à demanda crescente em 2008 e 2009.
A expectativa agora é que o país cresça pouco mais de 5% em 2007 -a previsão anterior era de cerca de 4,7%- e que repita a dose em 2008, provavelmente com ritmo pouco menor, mesmo com um cenário de desaceleração nos EUA.
A mudança nas projeções decorre também do fato de que a economia brasileira depende hoje mais do consumo interno -notadamente da demanda das famílias- do que do cenário externo, que pode ser menos favorável em 2008.
Para os pessimistas, o resultado chama a atenção para os limites do crescimento sustentável sem provocar inflação -a discussão teórica do PIB potencial-, além de gargalos em infra-estrutura, marco regulatório, burocracia, carga tributária, que elevam o custo de operação no país.
Segundo Edward Amadeo, economista da Gávea Investimentos e ex-ministro do Trabalho (governo FHC), o crescimento da demanda preocupa e pode justificar uma política monetária conservadora do Banco Central em 2008. "É difícil acreditar que a economia possa crescer 5% sem produzir pressões inflacionárias. O BC só retomará os cortes quando tiver indicações de que a inflação nos próximos 12 a 24 meses não fugirá da meta", disse.
"O crescimento mais rápido do que o esperado dificilmente traz riscos, pois ocorreu simultaneamente a uma forte expansão dos investimentos, o que significa aumento futuro da capacidade de produção. O desafio é assegurar investimentos em infra-estrutura para evitar gargalos de logística", disse o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega (governo Sarney). Mailson elevará sua previsão de crescimento em 2007, que era de 4,8%, mas manterá a expectativa de 4,4% para 2008.
Para João Sicsú, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Ipea, o resultado do PIB mostra uma recuperação histórica do nível de investimento privado, capaz de garantir o crescimento sem inflação em 2008. "Temos uma recuperação fantástica da formação bruta de capital [investimento], que cresce mais do que o dobro do PIB. Garante a sustentabilidade do crescimento e reduz as pressões inflacionárias. Se a gente estivesse crescendo só pelo consumo das famílias, seria preocupante. Certamente o investimento em máquinas novas vai propiciar o aumento da oferta", disse. Sicsú também aposta em crescimento acima de 5% em 2007 e 2008.
Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, também vê crescimento da demanda em ritmo superior ao PIB potencial, com risco de aumento da inflação. "Esses riscos são mitigados pela composição saudável do crescimento. Os investimentos têm crescido muito mais do que o consumo. As importações têm tido um papel relevante de complementar a oferta." O Bradesco elevou a previsão de crescimento para 5,2% em 2007.
Para Julio Callegari, do JP Morgan, a economia não precisa de mais "estímulo" por meio do corte de juros pelo BC. "A posição do BC faz todo sentido neste momento. A atividade doméstica está realmente bombando. O aumento de renda não vira necessariamente demanda", disse. O JP Morgan revisou a previsão para o PIB de 5% para 5,4% em 2007 e de 4,7% para 4,9% em 2008.
Alex Agostini, da Austin Rating, afirma que o Brasil aproveitou bem o momento internacional, mas poderia ter feito mais se reduzisse juros, carga tributária e melhorasse o ambiente de negócios.
"O investimento é todo privado. O PAC [Programa de Aceleração do crescimento] ainda não teve efeito. O empresário aproveitou o câmbio baixo para investir em bens de capital, ganhar produtividade e reduzir custo. O PIB surpreendeu. Não é mais um vôo de galinha", disse Marcio Holland, da FGV.
Folha de São Paulo
Nível recorde de investimento mostra aposta de empresários para atender à demanda crescente no próximo ano
Analistas já prevêem crescimento de pouco mais de 5% para o PIB em 2007; para 2008, perspectiva é de alta pouco abaixo de 5%
O resultado vigoroso do PIB no terceiro trimestre levou economistas de diferentes tendências a refazerem as contas e a elevarem suas projeções para 2007 e também para o próximo ano. O motivo foi o aumento do investimento, que atingiu o maior nível já registrado pelo IBGE e que funciona como motor da economia.
Ou seja, as empresas privadas e o setor público investem hoje em infra-estrutura e máquinas para atender à demanda crescente em 2008 e 2009.
A expectativa agora é que o país cresça pouco mais de 5% em 2007 -a previsão anterior era de cerca de 4,7%- e que repita a dose em 2008, provavelmente com ritmo pouco menor, mesmo com um cenário de desaceleração nos EUA.
A mudança nas projeções decorre também do fato de que a economia brasileira depende hoje mais do consumo interno -notadamente da demanda das famílias- do que do cenário externo, que pode ser menos favorável em 2008.
Para os pessimistas, o resultado chama a atenção para os limites do crescimento sustentável sem provocar inflação -a discussão teórica do PIB potencial-, além de gargalos em infra-estrutura, marco regulatório, burocracia, carga tributária, que elevam o custo de operação no país.
Segundo Edward Amadeo, economista da Gávea Investimentos e ex-ministro do Trabalho (governo FHC), o crescimento da demanda preocupa e pode justificar uma política monetária conservadora do Banco Central em 2008. "É difícil acreditar que a economia possa crescer 5% sem produzir pressões inflacionárias. O BC só retomará os cortes quando tiver indicações de que a inflação nos próximos 12 a 24 meses não fugirá da meta", disse.
"O crescimento mais rápido do que o esperado dificilmente traz riscos, pois ocorreu simultaneamente a uma forte expansão dos investimentos, o que significa aumento futuro da capacidade de produção. O desafio é assegurar investimentos em infra-estrutura para evitar gargalos de logística", disse o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega (governo Sarney). Mailson elevará sua previsão de crescimento em 2007, que era de 4,8%, mas manterá a expectativa de 4,4% para 2008.
Para João Sicsú, diretor de Pesquisa Macroeconômica do Ipea, o resultado do PIB mostra uma recuperação histórica do nível de investimento privado, capaz de garantir o crescimento sem inflação em 2008. "Temos uma recuperação fantástica da formação bruta de capital [investimento], que cresce mais do que o dobro do PIB. Garante a sustentabilidade do crescimento e reduz as pressões inflacionárias. Se a gente estivesse crescendo só pelo consumo das famílias, seria preocupante. Certamente o investimento em máquinas novas vai propiciar o aumento da oferta", disse. Sicsú também aposta em crescimento acima de 5% em 2007 e 2008.
Octavio de Barros, diretor de Pesquisas Macroeconômicas do Bradesco, também vê crescimento da demanda em ritmo superior ao PIB potencial, com risco de aumento da inflação. "Esses riscos são mitigados pela composição saudável do crescimento. Os investimentos têm crescido muito mais do que o consumo. As importações têm tido um papel relevante de complementar a oferta." O Bradesco elevou a previsão de crescimento para 5,2% em 2007.
Para Julio Callegari, do JP Morgan, a economia não precisa de mais "estímulo" por meio do corte de juros pelo BC. "A posição do BC faz todo sentido neste momento. A atividade doméstica está realmente bombando. O aumento de renda não vira necessariamente demanda", disse. O JP Morgan revisou a previsão para o PIB de 5% para 5,4% em 2007 e de 4,7% para 4,9% em 2008.
Alex Agostini, da Austin Rating, afirma que o Brasil aproveitou bem o momento internacional, mas poderia ter feito mais se reduzisse juros, carga tributária e melhorasse o ambiente de negócios.
"O investimento é todo privado. O PAC [Programa de Aceleração do crescimento] ainda não teve efeito. O empresário aproveitou o câmbio baixo para investir em bens de capital, ganhar produtividade e reduzir custo. O PIB surpreendeu. Não é mais um vôo de galinha", disse Marcio Holland, da FGV.