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Publicado: 14/12/2007 | 08:05
Alta do PIB está mais disseminada, diz IBGE
Folha de São Paulo
Ao contrário de crescimento em 2004, concentrado nas exportações, expansão agora atinge mais setores da economia Economista teme que crescimento eleve pressões inflacionárias, embora alta do investimento aumente capacidade de produção
O PIB do terceiro trimestre de 2007 revelou um crescimento "espalhado" entre diversos setores da economia. Mas também reacendeu o temor de novas pressões inflacionárias e das conseqüências da forte influência negativa do câmbio sobre o setor externo.
"O crescimento está espalhado por vários setores, e é a demanda interna quem está puxando", afirma Rebeca Palis, gerente de contas trimestrais do IBGE. "É o contrário do que ocorreu em 2004 [PIB de 5,7%], quando a economia cresceu apoiada fortemente nas exportações", disse ela.
A economista destacou o real valorizado em relação ao dólar como principal motivo para a ampliação das importações e a diminuição das exportações.
Para o economista José Márcio Camargo, da PUC-RJ e sócio da Tendências, o crescimento atual da economia estaria "um pouco acima do potencial". O reflexo disso seria uma pressão maior sobre os índices de preços.
Camargo acredita que o Banco Central deverá ser mais cauteloso em 2008 para evitar um descontrole da inflação. Por isso, acredita, o PIB do ano que vem tende a crescer menos.
Já o economista e ex-ministro da Fazenda e do planejamento Antonio Delfim Netto afirma que o resultado do PIB no terceiro trimestre "mostra que o Brasil está caminhando para um crescimento na faixa de 6%".
Diante do resultado do terceiro trimestre, o Ipea, instituto ligado ao ministério do planejamento, irá rever para cima sua estimativa de crescimento para 2007, hoje em 4,5%.
Para Francisco Pessoa, economista da consultoria LCA, se os preços dos alimentos não tivessem aumentado nos últimos meses, o consumo das famílias teria crescido ainda mais.
"O que chama atenção é que o investimento cresceu quase três vezes mais do que o consumo. Os investimentos para aumento de capacidade estão sendo feitos. Não vejo um quadro de pressão de demanda que possa resultar em elevação de inflação", diz Pessoa.
Já para Júlio César Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), a atual política econômica pode "estar puxando a corda mais do que deveria".
Almeida afirma que as importações estão retirando quase dois pontos percentuais do PIB e estão crescendo rapidamente impulsionadas por uma oferta cada vez maior de crédito ao consumo.
Embora destaque que o PIB do trimestre trouxe "vários indicadores positivos", ele pondera que pode estar havendo uma "sobreutilização" de instrumentos como crédito ao mesmo tempo em que o país, por conta do câmbio, perde a oportunidade de crescer exportando mais.
Folha de São Paulo
Ao contrário de crescimento em 2004, concentrado nas exportações, expansão agora atinge mais setores da economia Economista teme que crescimento eleve pressões inflacionárias, embora alta do investimento aumente capacidade de produção
O PIB do terceiro trimestre de 2007 revelou um crescimento "espalhado" entre diversos setores da economia. Mas também reacendeu o temor de novas pressões inflacionárias e das conseqüências da forte influência negativa do câmbio sobre o setor externo.
"O crescimento está espalhado por vários setores, e é a demanda interna quem está puxando", afirma Rebeca Palis, gerente de contas trimestrais do IBGE. "É o contrário do que ocorreu em 2004 [PIB de 5,7%], quando a economia cresceu apoiada fortemente nas exportações", disse ela.
A economista destacou o real valorizado em relação ao dólar como principal motivo para a ampliação das importações e a diminuição das exportações.
Para o economista José Márcio Camargo, da PUC-RJ e sócio da Tendências, o crescimento atual da economia estaria "um pouco acima do potencial". O reflexo disso seria uma pressão maior sobre os índices de preços.
Camargo acredita que o Banco Central deverá ser mais cauteloso em 2008 para evitar um descontrole da inflação. Por isso, acredita, o PIB do ano que vem tende a crescer menos.
Já o economista e ex-ministro da Fazenda e do planejamento Antonio Delfim Netto afirma que o resultado do PIB no terceiro trimestre "mostra que o Brasil está caminhando para um crescimento na faixa de 6%".
Diante do resultado do terceiro trimestre, o Ipea, instituto ligado ao ministério do planejamento, irá rever para cima sua estimativa de crescimento para 2007, hoje em 4,5%.
Para Francisco Pessoa, economista da consultoria LCA, se os preços dos alimentos não tivessem aumentado nos últimos meses, o consumo das famílias teria crescido ainda mais.
"O que chama atenção é que o investimento cresceu quase três vezes mais do que o consumo. Os investimentos para aumento de capacidade estão sendo feitos. Não vejo um quadro de pressão de demanda que possa resultar em elevação de inflação", diz Pessoa.
Já para Júlio César Gomes de Almeida, consultor do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), a atual política econômica pode "estar puxando a corda mais do que deveria".
Almeida afirma que as importações estão retirando quase dois pontos percentuais do PIB e estão crescendo rapidamente impulsionadas por uma oferta cada vez maior de crédito ao consumo.
Embora destaque que o PIB do trimestre trouxe "vários indicadores positivos", ele pondera que pode estar havendo uma "sobreutilização" de instrumentos como crédito ao mesmo tempo em que o país, por conta do câmbio, perde a oportunidade de crescer exportando mais.