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Publicado: 23/11/2007 | 08:49
Procurador-geral aponta desvio de R$ 3,5 milhões
Ana Maria Campos
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Suposto esquema era destinado a arrecadar recursos para financiamento de campanha eleitoral à reeleição do então governador tucano em 1998
A denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, relacionada ao suposto esquema de caixa 2 ocorrido em 1998 na campanha à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), aponta um desvio de recursos públicos de R$ 3,5 milhões. Azeredo, hoje senador tucano, e o agora ex-ministro de Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia são alvos da ação penal sob acusação de crimes de peculato e lavagem de dinheiro, junto com outras 13 pessoas, entre ex-diretores de empresas públicas e empresários como o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, indicado como um dos principais operadores do suposto esquema.
No comando da operação estariam Azeredo, o principal beneficiário, Mares Guia, então vice-governador e candidato a deputado federal, Clésio Andrade, que integrava como vice a chapa ao governo, e o tesoureiro da campanha à reeleição, Cláudio Mourão. Na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), Antonio Fernando sustenta que houve desvios, no total de R$ 3 milhões, de empresas estatais mineiras, além de R$ 500 mil do Grupo Financeiro do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge). O dinheiro teria sido repassado à empresa SMP&B, de Marcos Valério. Também houve, segundo o procurador-geral, uma transferência sem justificativas — “um repasse puro e simples” — de R$ 200 mil da Bemge Seguradora S/A e Bemge Distribuidora de Valores Imobiliários S/A para a SMP&B.
Rastro
Os denunciados admitem a existência de dois empréstimos obtidos pelo grupo de Marcos Valério para financiar a campanha, ocorridos em julho e agosto de 1998, de R$ 2,3 milhões e R$ 9 milhões. No primeiro caso, Clésio Andrade figurou como devedor solidário. Na segunda operação, a garantia apresentada foi um contrato de publicidade com o governo de Minas, avalizado pelo ex-secretário da Casa Civil e Comunicação Social, Eduardo Guedes, também alvo da ação.
O rastro feito pela investigação do Ministério Público aponta que desse empréstimo, R$ 325 mil foram repassados para a empresa Carbo Cia. de Artefatos de Borracha, de Clésio Andrade, que transferiu R$ 200 mil para a conta bancária da campanha de Azeredo. O procurador-geral deixou clara a diferença entre o processo do mensalão e o suposto esquema de caixa 2 em Minas Gerais. “Os fatos não são exatamente iguais. O procedimento que se adotou é o mesmo. Mas os objetivos são diferentes”, sustenta Antonio Fernando. Além de Marcos Valério, foram denunciados os empresários Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. O procurador não denunciou os 15 acusados pelo crime de formação de quadrilha, como ocorreu no caso do mensalão.
Dívidas
Mares Guia é descrito na denúncia como um dos mentores do esquema. Teria sido dele, por exemplo, o esboço com a estimativa de recursos necessários para a campanha. Ele também teria, segundo o procurador, participado diretamente da captação de dinheiro para acalmar o ex-tesoureiro Cláudio Mourão, que saiu da campanha rompido com Azeredo graças a dívidas herdadas do processo eleitoral. De acordo com a denúncia, uma empresa de Mares Guia, Samos Participações Ltda., lavou parte do dinheiro transferido a Mourão.
O ex-coordenador político do governo deixou o governo indignado com a denúncia. Alega que jamais foi questionado sobre os fatos que lhe renderam a acusação de participação em esquema de desvio de recursos públicos. E lembra que prestou esclarecimentos sobre dúvidas que foram apresentadas pelas autoridades.
“Recebi com indignação a denúncia, que trata de atos que jamais cometi e sobre os quais nunca fui ouvido”, acrescentou, em breve discurso no segundo andar do Palácio do Planalto. Novo coordenador político do governo, o deputado José Múcio (PTB-PE) fez questão de sair em defesa do antecessor. “O grande problema da vida pública é que as penas saem antes do julgamento.
Ana Maria Campos
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Suposto esquema era destinado a arrecadar recursos para financiamento de campanha eleitoral à reeleição do então governador tucano em 1998
A denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, relacionada ao suposto esquema de caixa 2 ocorrido em 1998 na campanha à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), aponta um desvio de recursos públicos de R$ 3,5 milhões. Azeredo, hoje senador tucano, e o agora ex-ministro de Relações Institucionais Walfrido dos Mares Guia são alvos da ação penal sob acusação de crimes de peculato e lavagem de dinheiro, junto com outras 13 pessoas, entre ex-diretores de empresas públicas e empresários como o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, indicado como um dos principais operadores do suposto esquema.
No comando da operação estariam Azeredo, o principal beneficiário, Mares Guia, então vice-governador e candidato a deputado federal, Clésio Andrade, que integrava como vice a chapa ao governo, e o tesoureiro da campanha à reeleição, Cláudio Mourão. Na denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), Antonio Fernando sustenta que houve desvios, no total de R$ 3 milhões, de empresas estatais mineiras, além de R$ 500 mil do Grupo Financeiro do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge). O dinheiro teria sido repassado à empresa SMP&B, de Marcos Valério. Também houve, segundo o procurador-geral, uma transferência sem justificativas — “um repasse puro e simples” — de R$ 200 mil da Bemge Seguradora S/A e Bemge Distribuidora de Valores Imobiliários S/A para a SMP&B.
Rastro
Os denunciados admitem a existência de dois empréstimos obtidos pelo grupo de Marcos Valério para financiar a campanha, ocorridos em julho e agosto de 1998, de R$ 2,3 milhões e R$ 9 milhões. No primeiro caso, Clésio Andrade figurou como devedor solidário. Na segunda operação, a garantia apresentada foi um contrato de publicidade com o governo de Minas, avalizado pelo ex-secretário da Casa Civil e Comunicação Social, Eduardo Guedes, também alvo da ação.
O rastro feito pela investigação do Ministério Público aponta que desse empréstimo, R$ 325 mil foram repassados para a empresa Carbo Cia. de Artefatos de Borracha, de Clésio Andrade, que transferiu R$ 200 mil para a conta bancária da campanha de Azeredo. O procurador-geral deixou clara a diferença entre o processo do mensalão e o suposto esquema de caixa 2 em Minas Gerais. “Os fatos não são exatamente iguais. O procedimento que se adotou é o mesmo. Mas os objetivos são diferentes”, sustenta Antonio Fernando. Além de Marcos Valério, foram denunciados os empresários Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. O procurador não denunciou os 15 acusados pelo crime de formação de quadrilha, como ocorreu no caso do mensalão.
Dívidas
Mares Guia é descrito na denúncia como um dos mentores do esquema. Teria sido dele, por exemplo, o esboço com a estimativa de recursos necessários para a campanha. Ele também teria, segundo o procurador, participado diretamente da captação de dinheiro para acalmar o ex-tesoureiro Cláudio Mourão, que saiu da campanha rompido com Azeredo graças a dívidas herdadas do processo eleitoral. De acordo com a denúncia, uma empresa de Mares Guia, Samos Participações Ltda., lavou parte do dinheiro transferido a Mourão.
O ex-coordenador político do governo deixou o governo indignado com a denúncia. Alega que jamais foi questionado sobre os fatos que lhe renderam a acusação de participação em esquema de desvio de recursos públicos. E lembra que prestou esclarecimentos sobre dúvidas que foram apresentadas pelas autoridades.
“Recebi com indignação a denúncia, que trata de atos que jamais cometi e sobre os quais nunca fui ouvido”, acrescentou, em breve discurso no segundo andar do Palácio do Planalto. Novo coordenador político do governo, o deputado José Múcio (PTB-PE) fez questão de sair em defesa do antecessor. “O grande problema da vida pública é que as penas saem antes do julgamento.