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Publicado: 14/11/2007 | 09:06
O olho do dono
Editorial
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Constitui avanço digno de aplauso a decisão do governo de aumentar o número de servidores efetivos nos postos de comando da administração federal. Medida provisória a ser encaminhada esta semana ao Congresso Nacional reduz em 80% o número de cargos de direção e assessoramento superior (DAS) de sete órgãos — Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Advocacia Geral da União, Controladoria Geral da União, Ministério do planejamento, Receita Federal e Secretaria do Tesouro Nacional.
A gratificação, destinada a quem ocupa cargo de confiança, se transformará em nova figura — Função Comissionada do Poder Executivo (FCPE) — e manterá a remuneração: 60% do valor cheio da comissão. Não implica, portanto, aumento na folha de pagamento. Ao contrário. Como o convidado embolsa a gratificação integral, a medida representará economia para o Tesouro.
A entrega dos postos-chave aos profissionais do setor é velha reivindicação da categoria. Nada mais justo. É desanimador ver, a cada mudança de chefe, duas conseqüências tão certas quanto dois e dois são quatro. De um lado, a interrupção de projetos e atividades, nem sempre considerados importantes pelo novo dono da cadeira. De outro, a vinda de neófito que, até tomar pé da situação e das características do órgão, precisará, com sorte, de um a dois meses.
São comuns os casos em que o dirigente não demonstra nenhum interesse em ganhar intimidade com o trabalho. Sem conhecer a atividade-fim, as atividades-meio e a máquina administrativa, ele conjuga o verbo procrastinar. Deixa para amanhã o que pode fazer hoje. Se possível, para depois de amanhã. Mais: torna-se cada vez mais freqüente a indicação de pessoas sem a qualificação necessária para o cargo. São nomeadas a título de pagamento por favores recebidos na campanha eleitoral ou no toma-lá-dá-cá das votações no Congresso.
A conta bate à porta do contribuinte. O brasileiro, que suporta uma das maiores cargas tributárias do mundo, não recebe a contrapartida à qual faz jus. É claro que a medida ora anunciada representa passo importante na correção das tantas distorções verificadas no serviço público. Mas é o primeiro passo. Outros se impõem. Entre eles, a extensão do alcance da medida aos demais órgãos da administração federal. Os sete ora contemplados englobam cerca de 2 mil cargos — menos de 10% dos 21.563 existentes.
Mais: há que investir na qualificação da mão-de-obra, que sofre de inaceitável descaso há duas décadas. O Brasil, que tinha a segunda máquina pública mais azeitada do Terceiro Mundo, atrás só da Índia, conta agora com quadros desmotivados e sem o preparo imposto pelos novos tempos. A globalização exige um Estado enxuto mas altamente qualificado. Por fim, mas não menos importante, impõe-se acompanhar a produtividade do servidor. Cabe à chefia motivar os profissionais e exigir que se mantenham atualizados e cumpram metas.
Editorial
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Constitui avanço digno de aplauso a decisão do governo de aumentar o número de servidores efetivos nos postos de comando da administração federal. Medida provisória a ser encaminhada esta semana ao Congresso Nacional reduz em 80% o número de cargos de direção e assessoramento superior (DAS) de sete órgãos — Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Advocacia Geral da União, Controladoria Geral da União, Ministério do planejamento, Receita Federal e Secretaria do Tesouro Nacional.
A gratificação, destinada a quem ocupa cargo de confiança, se transformará em nova figura — Função Comissionada do Poder Executivo (FCPE) — e manterá a remuneração: 60% do valor cheio da comissão. Não implica, portanto, aumento na folha de pagamento. Ao contrário. Como o convidado embolsa a gratificação integral, a medida representará economia para o Tesouro.
A entrega dos postos-chave aos profissionais do setor é velha reivindicação da categoria. Nada mais justo. É desanimador ver, a cada mudança de chefe, duas conseqüências tão certas quanto dois e dois são quatro. De um lado, a interrupção de projetos e atividades, nem sempre considerados importantes pelo novo dono da cadeira. De outro, a vinda de neófito que, até tomar pé da situação e das características do órgão, precisará, com sorte, de um a dois meses.
São comuns os casos em que o dirigente não demonstra nenhum interesse em ganhar intimidade com o trabalho. Sem conhecer a atividade-fim, as atividades-meio e a máquina administrativa, ele conjuga o verbo procrastinar. Deixa para amanhã o que pode fazer hoje. Se possível, para depois de amanhã. Mais: torna-se cada vez mais freqüente a indicação de pessoas sem a qualificação necessária para o cargo. São nomeadas a título de pagamento por favores recebidos na campanha eleitoral ou no toma-lá-dá-cá das votações no Congresso.
A conta bate à porta do contribuinte. O brasileiro, que suporta uma das maiores cargas tributárias do mundo, não recebe a contrapartida à qual faz jus. É claro que a medida ora anunciada representa passo importante na correção das tantas distorções verificadas no serviço público. Mas é o primeiro passo. Outros se impõem. Entre eles, a extensão do alcance da medida aos demais órgãos da administração federal. Os sete ora contemplados englobam cerca de 2 mil cargos — menos de 10% dos 21.563 existentes.
Mais: há que investir na qualificação da mão-de-obra, que sofre de inaceitável descaso há duas décadas. O Brasil, que tinha a segunda máquina pública mais azeitada do Terceiro Mundo, atrás só da Índia, conta agora com quadros desmotivados e sem o preparo imposto pelos novos tempos. A globalização exige um Estado enxuto mas altamente qualificado. Por fim, mas não menos importante, impõe-se acompanhar a produtividade do servidor. Cabe à chefia motivar os profissionais e exigir que se mantenham atualizados e cumpram metas.