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Publicado: 30/10/2007 | 10:00
Lula afirma que "a carga tributária pode ser menor"
LETÍCIA SANDER, LUIZ FRANCISCO E FÁBIO GUIBU
Folha de S. Paulo
Folha de S. Paulo
Para o presidente, redução dos impostos virá apenas com a reforma tributária
Há um mês, petista defendia que os brasileiros estão ganhando mais e que "é justo" que paguem mais; ele abrandou o discurso ontem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem em seu programa semanal de rádio, o "Café com o Presidente", que "ninguém" quer diminuir mais a carga tributária do que ele. Reconheceu que a carga de impostos "pode ser menor" e afirmou que o governo está trabalhando para isso, por meio de uma reforma tributária.
A respeito do texto da reforma - prometido para agosto e até agora na gaveta -, Lula disse que "estamos perto" e "vamos mandar" ao Congresso. Ele não se comprometeu com nenhuma data específica.
"Veja, a carga tributária pode ser menor. Estamos trabalhando para isso. Por isso, nós estamos em fase final de um projeto de reforma tributária, junto com os Estados (...). Estamos perto, e vamos mandar", afirmou, acrescentando que o governo não vai "fazer mágica".
"Na hora que a gente tiver uma política tributária que possa reduzir a carga tributária e mais gente estiver contribuindo, vai ser melhor para todo mundo. Eu tenho dito o seguinte: não tem mágica em economia. Nós não vamos fazer mágica. Nós vamos trabalhar com seriedade, fazendo os ajustes na hora certa, no momento certo, porque ninguém quer mais diminuir a carga tributária do que eu".
Há menos de um mês, em evento em Florianópolis, o discurso do presidente foi outro. À época, ele disse que os brasileiros estão ganhando mais e que por isso "é justo" que paguem mais impostos, e defendeu a incorporação da CPMF no rol de tributos do país por ser, segundo ele, "um imposto justo".
Agora, entretanto, o cenário é outro. O governo está em meio a uma negociação com o PSDB para tentar aprovar a prorrogação da CPMF no Senado, um imposto "imprescindível", segundo Lula. Nesta semana, a equipe econômica apresentará medidas de corte de impostos e aumento de verbas para a saúde, numa espécie de "aceno" à oposição.
Em Salvador, ontem, Lula voltou a falar sobre tributos. O presidente disse que não trabalha com a possibilidade de um "plano B", caso o Congresso não aprove a CPMF.
"Eu não sei quem foi o louco que inventou o plano B", afirmou, após participar da solenidade de inauguração da segunda unidade do Cimatec (Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia), ligado ao Senai.
Segundo Lula, "a CPMF não é um desejo do presidente, é uma necessidade do Brasil". "Todo mundo de bom senso sabe que ela tem que ser aprovada porque não há como prescindir de R$ 40 bilhões."
À tarde, em Camaçari (região metropolitana de Salvador), o presidente ouviu o prefeito da cidade, Luiz Caetano (PT), defender um terceiro mandato. Mas Lula não voltou a mencionar o assunto em seu discurso. "Não sou eu quem está falando isso, não é só uma discussão política. É o povo que está com medo de te perder", disse o prefeito petista ao discursar.
Ainda em Camaçari, o presidente participou da solenidade que comemorou a produção de 1 milhão de veículos pela fábrica da Ford. Lula aproveitou que boa parte da platéia era composta por trabalhadores e defendeu a liberdade sindical e o direito de greve. "A questão do movimento dos trabalhadores é uma questão entre as empresas e os trabalhadores, não é um problema do governo."
Segundo Lula, "a liberdade sindical e o direito de greve são conquistas universais e que precisam ser mantidas para o bom funcionamento da democracia". Após o evento, Lula viajou para Zurique, na Suíça, onde participará do anúncio oficial do Brasil como sede da Copa de 2014, que deve acontecer hoje.
LETÍCIA SANDER, LUIZ FRANCISCO E FÁBIO GUIBU
Folha de S. Paulo
Folha de S. Paulo
Para o presidente, redução dos impostos virá apenas com a reforma tributária
Há um mês, petista defendia que os brasileiros estão ganhando mais e que "é justo" que paguem mais; ele abrandou o discurso ontem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem em seu programa semanal de rádio, o "Café com o Presidente", que "ninguém" quer diminuir mais a carga tributária do que ele. Reconheceu que a carga de impostos "pode ser menor" e afirmou que o governo está trabalhando para isso, por meio de uma reforma tributária.
A respeito do texto da reforma - prometido para agosto e até agora na gaveta -, Lula disse que "estamos perto" e "vamos mandar" ao Congresso. Ele não se comprometeu com nenhuma data específica.
"Veja, a carga tributária pode ser menor. Estamos trabalhando para isso. Por isso, nós estamos em fase final de um projeto de reforma tributária, junto com os Estados (...). Estamos perto, e vamos mandar", afirmou, acrescentando que o governo não vai "fazer mágica".
"Na hora que a gente tiver uma política tributária que possa reduzir a carga tributária e mais gente estiver contribuindo, vai ser melhor para todo mundo. Eu tenho dito o seguinte: não tem mágica em economia. Nós não vamos fazer mágica. Nós vamos trabalhar com seriedade, fazendo os ajustes na hora certa, no momento certo, porque ninguém quer mais diminuir a carga tributária do que eu".
Há menos de um mês, em evento em Florianópolis, o discurso do presidente foi outro. À época, ele disse que os brasileiros estão ganhando mais e que por isso "é justo" que paguem mais impostos, e defendeu a incorporação da CPMF no rol de tributos do país por ser, segundo ele, "um imposto justo".
Agora, entretanto, o cenário é outro. O governo está em meio a uma negociação com o PSDB para tentar aprovar a prorrogação da CPMF no Senado, um imposto "imprescindível", segundo Lula. Nesta semana, a equipe econômica apresentará medidas de corte de impostos e aumento de verbas para a saúde, numa espécie de "aceno" à oposição.
Em Salvador, ontem, Lula voltou a falar sobre tributos. O presidente disse que não trabalha com a possibilidade de um "plano B", caso o Congresso não aprove a CPMF.
"Eu não sei quem foi o louco que inventou o plano B", afirmou, após participar da solenidade de inauguração da segunda unidade do Cimatec (Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia), ligado ao Senai.
Segundo Lula, "a CPMF não é um desejo do presidente, é uma necessidade do Brasil". "Todo mundo de bom senso sabe que ela tem que ser aprovada porque não há como prescindir de R$ 40 bilhões."
À tarde, em Camaçari (região metropolitana de Salvador), o presidente ouviu o prefeito da cidade, Luiz Caetano (PT), defender um terceiro mandato. Mas Lula não voltou a mencionar o assunto em seu discurso. "Não sou eu quem está falando isso, não é só uma discussão política. É o povo que está com medo de te perder", disse o prefeito petista ao discursar.
Ainda em Camaçari, o presidente participou da solenidade que comemorou a produção de 1 milhão de veículos pela fábrica da Ford. Lula aproveitou que boa parte da platéia era composta por trabalhadores e defendeu a liberdade sindical e o direito de greve. "A questão do movimento dos trabalhadores é uma questão entre as empresas e os trabalhadores, não é um problema do governo."
Segundo Lula, "a liberdade sindical e o direito de greve são conquistas universais e que precisam ser mantidas para o bom funcionamento da democracia". Após o evento, Lula viajou para Zurique, na Suíça, onde participará do anúncio oficial do Brasil como sede da Copa de 2014, que deve acontecer hoje.