antigas
Publicado: 29/10/2007 | 09:10
Terceiro mandato é insensatez, diz FHC
Correio Braziliense
Patrocinador da mudança constitucional que instituiu a reeleição no Brasil, ex-presidente diz que medida seria antidemocrática
Em declarações reproduzidas por uma agência de notícias, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) classificou ontem de “grande insensatez” a idéia de um terceiro mandato para o seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na opinião do tucano, que desembarcou em Israel para ministrar uma palestra sobre cenário político e econômico brasileiro na Universidade de Tel Aviv, um novo mandato seria “antidemocrático”.
“Acho isso uma insensatez tão grande... O presidente Lula queria tanto a reeleição e conseguiu: foi reeleito. Imagina se ele agora vai entrar nessa de terceiro mandato? Duvido. Seria um absurdo”, afirmou FHC, presidente por dois mandatos, de 1995 a 2002, e patrocinador da mudança constitucional de 1997, que permitiu aos presidentes brasileiros concorrerem à reeleição, medida que o beneficiou. “Uma questão é a reeleição, que é uma coisa normal, existe na maioria dos países. Outra questão é a extensão do mandato. Iria no caminho de um mandato indeterminado, o que é antidemocrático”, esclareceu.
A posição de Fernando Henrique parece coincidir com a do próprio Lula, que no sábado rejeitou proposta de terceiro mandato sugerida por aliados políticos. O presidente alegou ser favorável à “alternância do poder” e afirmou que não há “pessoas insubstituíveis na política”.
Arruda fala
Em Zurique, Suíça, onde foi acompanhar o anúncio oficial do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, engrossou o coro das personalidades contrárias à idéia. “O que poderemos votar é o fato de acabar com a reeleição. Acho delírio alguém pensar em terceiro mandato para o presidente Lula ou para quem quer que seja. O Brasil não é e não pode parecer com a Venezuela”, disparou o governador.
Para Arruda, cogitar a mudança constitucional com o objetivo de possibilitar a permanência de Lula à frente da Presidência outros quatro anos significa desrespeitar o regime democrático do Brasil e o princípio da alternância de poder. “Somos regidos por uma Constituição séria, que tem e deverá ser respeitada. Numa democracia, uma possibilidade dessas sequer deve ser aventada”, opinou.
Memória
Iniciativa voluntária
Os planos de aliados do presidente Lula para tentar emplacar uma emenda constitucional capaz de lhe dar um terceiro mandato na Presidência foram revelados pelo Correio na última sexta-feira. Por enquanto, trata-se de costura oficialmente voluntária dos deputados Carlos William (PTCMG) e Devanir Ribeiro (PT-SP). William já começou a recolher assinaturas — precisa de 171 — para protocolar uma PEC abrindo a possibilidade do terceiro mandato. Ribeiro tem outra coisa em mente. Quer dar entrada numa PEC que permita ao presidente consultar à população num plebiscito, no qual seria decidido pelo terceiro mandato.
A divulgação da manobra dos aliados do governo gerou polêmica entre os mais diversos setores da sociedade. Políticos, ministros do Supremo Tribunal Federal e especialistas em Direito Constitucional reagiram à idéia. O número de críticas a hipótese de permitir que Lula permaneça mais quatro anos no poder levou o próprio presidente a se manifestar sobre o assunto, negando seu envolvimento com a manobra e declarando que não quer um terceiro mandato a partir de 2010, quando constitucionalmente terá que deixar o poder.
Correio Braziliense
Patrocinador da mudança constitucional que instituiu a reeleição no Brasil, ex-presidente diz que medida seria antidemocrática
Em declarações reproduzidas por uma agência de notícias, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) classificou ontem de “grande insensatez” a idéia de um terceiro mandato para o seu sucessor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na opinião do tucano, que desembarcou em Israel para ministrar uma palestra sobre cenário político e econômico brasileiro na Universidade de Tel Aviv, um novo mandato seria “antidemocrático”.
“Acho isso uma insensatez tão grande... O presidente Lula queria tanto a reeleição e conseguiu: foi reeleito. Imagina se ele agora vai entrar nessa de terceiro mandato? Duvido. Seria um absurdo”, afirmou FHC, presidente por dois mandatos, de 1995 a 2002, e patrocinador da mudança constitucional de 1997, que permitiu aos presidentes brasileiros concorrerem à reeleição, medida que o beneficiou. “Uma questão é a reeleição, que é uma coisa normal, existe na maioria dos países. Outra questão é a extensão do mandato. Iria no caminho de um mandato indeterminado, o que é antidemocrático”, esclareceu.
A posição de Fernando Henrique parece coincidir com a do próprio Lula, que no sábado rejeitou proposta de terceiro mandato sugerida por aliados políticos. O presidente alegou ser favorável à “alternância do poder” e afirmou que não há “pessoas insubstituíveis na política”.
Arruda fala
Em Zurique, Suíça, onde foi acompanhar o anúncio oficial do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, engrossou o coro das personalidades contrárias à idéia. “O que poderemos votar é o fato de acabar com a reeleição. Acho delírio alguém pensar em terceiro mandato para o presidente Lula ou para quem quer que seja. O Brasil não é e não pode parecer com a Venezuela”, disparou o governador.
Para Arruda, cogitar a mudança constitucional com o objetivo de possibilitar a permanência de Lula à frente da Presidência outros quatro anos significa desrespeitar o regime democrático do Brasil e o princípio da alternância de poder. “Somos regidos por uma Constituição séria, que tem e deverá ser respeitada. Numa democracia, uma possibilidade dessas sequer deve ser aventada”, opinou.
Memória
Iniciativa voluntária
Os planos de aliados do presidente Lula para tentar emplacar uma emenda constitucional capaz de lhe dar um terceiro mandato na Presidência foram revelados pelo Correio na última sexta-feira. Por enquanto, trata-se de costura oficialmente voluntária dos deputados Carlos William (PTCMG) e Devanir Ribeiro (PT-SP). William já começou a recolher assinaturas — precisa de 171 — para protocolar uma PEC abrindo a possibilidade do terceiro mandato. Ribeiro tem outra coisa em mente. Quer dar entrada numa PEC que permita ao presidente consultar à população num plebiscito, no qual seria decidido pelo terceiro mandato.
A divulgação da manobra dos aliados do governo gerou polêmica entre os mais diversos setores da sociedade. Políticos, ministros do Supremo Tribunal Federal e especialistas em Direito Constitucional reagiram à idéia. O número de críticas a hipótese de permitir que Lula permaneça mais quatro anos no poder levou o próprio presidente a se manifestar sobre o assunto, negando seu envolvimento com a manobra e declarando que não quer um terceiro mandato a partir de 2010, quando constitucionalmente terá que deixar o poder.