antigas Publicado: 24/10/2007 | 10:12

PT se divide sobre reeleição

Ana Maria Campos
Correio Braziliense

Em nota, presidente regional da legenda afirma que o partido é contrário à possibilidade de recondução dos integrantes da Mesa Diretora da Casa. Mas os próprios distritais petistas são favoráveis à tese
 
Começa a crescer a controvérsia sobre o projeto em discussão na Câmara Legislativa que permite a reeleição dos integrantes da Mesa Diretora. O presidente do PT-DF, Chico Vigilante, divulgou ontem uma nota em que critica proposta de emenda à Lei Orgânica do DF que trata do assunto, pronta para ir a plenário. O petista classifica como “uma verdadeira aberração” a discussão que estaria na “mão da história”. “É lamentável que a Câmara trabalhe em prol de interesses privados, pois a reeleição interessa a uma minoria que deseja manter-se no poder”, sustenta Vigilante.

Ele afirma que vai orientar a bancada do PT a votar contra a medida. “A nossa bancada na Câmara Legislativa é contrária à reeleição. Nossos deputados sequer foram chamados a debater a questão”, avalia Vigilante. “Exigimos que uma decisão importante como essa fosse discutida antes com a sociedade, de forma aberta e não em salas fechadas longe dos olhos do público”, acrescenta o presidente do PT-DF na nota. Mas os quatro deputados distritais da legenda ainda não fecharam uma posição sobre o assunto.

A possibilidade de reeleição foi debatida ontem pelos parlamentares em reunião da bancada, mas a maior crítica esteve relacionada à forma da condução da tramitação do projeto, sem um amplo debate sobre o tema e sem a participação dos petistas. O líder do PT, Chico Leite, disse ontem ao Correio que em tese é favorável à reeleição no Legislativo, desde que a mudança da regra não vigore na própria legislatura. Dessa forma, caso seja aprovada a proposta neste ano, o atual presidente, Alírio Neto (PPS), o vice-presidente, Paulo Tadeu (PT), e os demais integrantes da Mesa, não seriam beneficiados.

Mesmo nesse ponto, entretanto, a posição de Chico Leite ainda não está encerrada. O petista só exige que a presidência da Câmara amplie o debate sobre o tema, com a realização de audiências públicas e reuniões entre os parlamentares. Paulo Tadeu concorda: “Antes de mudar a Lei Orgânica, sempre temos de esgotar o debate”. O petista afirma que o PT não tem posição, por princípio, contra nenhum tipo de reeleição, nem mesmo a de presidente regional da legenda, cargo ao qual Vigilante é candidato à recondução. “A nota reflete uma posição pessoal do Chico Vigilante, como qualquer militante tem direito de divulgar”, avalia Tadeu.

O vice-presidente da Câmara sustenta que está tranqüilo para discutir o assunto porque, embora seja apontado como um dos beneficiários da aprovação da reeleição, ele não pretende permanecer na Mesa Diretora nos dois últimos anos da atual legislatura. “No PT, sempre há um rodízio. Se o partido puder indicar alguém para a Mesa, um companheiro deverá assumir o cargo”, assegura Paulo Tadeu. A posição da bancada do PT sempre é considerada importante porque os quatro distritais quase sempre votam unidos. Essa ajuda é fundamental, principalmente quando os governistas estão rachados.

Na base governista, a emenda da reeleição também encontra certa resistência, já que o secretário de Justiça e Cidadania, Raimundo Ribeiro, licenciado do mandato na Câmara, tem demonstrado em conversas com aliados e até com o governador José Roberto Arruda (DEM) sua insatisfação quanto à possível aprovação da proposta. Ele considera que a possibilidade de recondução é a senha para que Alírio Neto permaneça mais dois anos no comando da Câmara.

Candidatos
O projeto poderia ter sido votado ontem. A presença de Arruda na Câmara — que foi pessoalmente entregar aos distritais o plano de cargos e salários dos professores da rede pública do DF — acabou atrapalhando os planos dos defensores do projeto. A visita do governador foi vista de forma diferente por diversos distritais. Alguns consideraram uma demonstração de prestígio de Alírio. Outros avaliaram como um banho de água fria no projeto — um pedido de calma. Mas Arruda afirma que não vai se envolver no assunto. “Essa é uma questão interna corporis”, disse ontem.

Um importante assessor de Arruda explicou ontem que o governador não pode, nem pretende, interceder em favor de Alírio ou de Raimundo Ribeiro, até porque outros deputados da base governista, como Eurides Brito (PMDB), Benedito Domingos (PP) e o líder do governo, Leonardo Prudente (DEM), também são potenciais candidatos. A defesa de um dos parlamentares poderia criar arestas com os demais. E é com essa postura neutra que os aliados da reeleição sonham.

Ana Maria Campos
Correio Braziliense

Em nota, presidente regional da legenda afirma que o partido é contrário à possibilidade de recondução dos integrantes da Mesa Diretora da Casa. Mas os próprios distritais petistas são favoráveis à tese
 
Começa a crescer a controvérsia sobre o projeto em discussão na Câmara Legislativa que permite a reeleição dos integrantes da Mesa Diretora. O presidente do PT-DF, Chico Vigilante, divulgou ontem uma nota em que critica proposta de emenda à Lei Orgânica do DF que trata do assunto, pronta para ir a plenário. O petista classifica como “uma verdadeira aberração” a discussão que estaria na “mão da história”. “É lamentável que a Câmara trabalhe em prol de interesses privados, pois a reeleição interessa a uma minoria que deseja manter-se no poder”, sustenta Vigilante.

Ele afirma que vai orientar a bancada do PT a votar contra a medida. “A nossa bancada na Câmara Legislativa é contrária à reeleição. Nossos deputados sequer foram chamados a debater a questão”, avalia Vigilante. “Exigimos que uma decisão importante como essa fosse discutida antes com a sociedade, de forma aberta e não em salas fechadas longe dos olhos do público”, acrescenta o presidente do PT-DF na nota. Mas os quatro deputados distritais da legenda ainda não fecharam uma posição sobre o assunto.

A possibilidade de reeleição foi debatida ontem pelos parlamentares em reunião da bancada, mas a maior crítica esteve relacionada à forma da condução da tramitação do projeto, sem um amplo debate sobre o tema e sem a participação dos petistas. O líder do PT, Chico Leite, disse ontem ao Correio que em tese é favorável à reeleição no Legislativo, desde que a mudança da regra não vigore na própria legislatura. Dessa forma, caso seja aprovada a proposta neste ano, o atual presidente, Alírio Neto (PPS), o vice-presidente, Paulo Tadeu (PT), e os demais integrantes da Mesa, não seriam beneficiados.

Mesmo nesse ponto, entretanto, a posição de Chico Leite ainda não está encerrada. O petista só exige que a presidência da Câmara amplie o debate sobre o tema, com a realização de audiências públicas e reuniões entre os parlamentares. Paulo Tadeu concorda: “Antes de mudar a Lei Orgânica, sempre temos de esgotar o debate”. O petista afirma que o PT não tem posição, por princípio, contra nenhum tipo de reeleição, nem mesmo a de presidente regional da legenda, cargo ao qual Vigilante é candidato à recondução. “A nota reflete uma posição pessoal do Chico Vigilante, como qualquer militante tem direito de divulgar”, avalia Tadeu.

O vice-presidente da Câmara sustenta que está tranqüilo para discutir o assunto porque, embora seja apontado como um dos beneficiários da aprovação da reeleição, ele não pretende permanecer na Mesa Diretora nos dois últimos anos da atual legislatura. “No PT, sempre há um rodízio. Se o partido puder indicar alguém para a Mesa, um companheiro deverá assumir o cargo”, assegura Paulo Tadeu. A posição da bancada do PT sempre é considerada importante porque os quatro distritais quase sempre votam unidos. Essa ajuda é fundamental, principalmente quando os governistas estão rachados.

Na base governista, a emenda da reeleição também encontra certa resistência, já que o secretário de Justiça e Cidadania, Raimundo Ribeiro, licenciado do mandato na Câmara, tem demonstrado em conversas com aliados e até com o governador José Roberto Arruda (DEM) sua insatisfação quanto à possível aprovação da proposta. Ele considera que a possibilidade de recondução é a senha para que Alírio Neto permaneça mais dois anos no comando da Câmara.

Candidatos
O projeto poderia ter sido votado ontem. A presença de Arruda na Câmara — que foi pessoalmente entregar aos distritais o plano de cargos e salários dos professores da rede pública do DF — acabou atrapalhando os planos dos defensores do projeto. A visita do governador foi vista de forma diferente por diversos distritais. Alguns consideraram uma demonstração de prestígio de Alírio. Outros avaliaram como um banho de água fria no projeto — um pedido de calma. Mas Arruda afirma que não vai se envolver no assunto. “Essa é uma questão interna corporis”, disse ontem.

Um importante assessor de Arruda explicou ontem que o governador não pode, nem pretende, interceder em favor de Alírio ou de Raimundo Ribeiro, até porque outros deputados da base governista, como Eurides Brito (PMDB), Benedito Domingos (PP) e o líder do governo, Leonardo Prudente (DEM), também são potenciais candidatos. A defesa de um dos parlamentares poderia criar arestas com os demais. E é com essa postura neutra que os aliados da reeleição sonham.