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Publicado: 15/10/2007 | 14:03
Novas projeções
Coluna - George Vidor
O Globo
As projeções para o desempenho da economia brasileira no ano que vem já apontavam para algum arrefecimento, por conta de uma conjuntura mundial menos favorável e de uma meia trava na trajetória de queda das taxas básicas de juros devido a uma preocupação com os índices de inflação. Mas os últimos números da economia talvez levem a uma revisão dessas projeções.
A ameaça de inflação está se dissipando. Os especialistas em índices de preços, que estavam temerosos diante do comportamento dos alimentos e dos serviços, já podem relaxar, porque em ambos os casos o recuo é significativo. No caso dos serviços, então, excluindo-se aqueles que sofrem forte influência do salário-mínimo, os aumentos este ano ficarão abaixo da média, quase que repetindo os percentuais de 2006.
O cenário internacional também acalmou, e de novo já há muita gente no mercado financeiro concordando que ainda existe espaço para cortes nos juros.
A verdade é que o comportamento da inflação passou a depender mais de estímulos à oferta de bens e serviços, e também da criação de um ambiente de negócios bem competitivo, do que propriamente do torniquete das taxas de juros. O problema é que muitos formadores de opinião nos mercados para os quais as atenções do Banco Central estão voltadas permanecem agindo por reflexo condicionado. E como diria Pavlov, não se acostumaram à idéia de o Brasil vir a ter, naturalmente, juros similares a de qualquer outra economia normal.
O INSS concluiu este ano o censo de todos os que recebem seus benefícios. Igual levantamento teria de ser feito, por lei, no serviço público, até 31 de dezembro, mas há enorme resistência dos poderes legislativo e judiciário (ou de órgãos auxiliares, como os tribunais de contas) para revelar o conteúdo das folhas de pagamentos de funcionários inativos e pensionistas. No Estado do Rio, só o número de pensionistas chega a 80 mil, e desconhecendo o conteúdo de todas as folhas os gestores do sistema de previdência ficam sem saber se os benefícios estão dentro dos limites estipulados pela legislação. Ou até se vêm pagando o que é efetivamente devido a cada um.
Como em quase todos os estados, o sistema de previdência dos servidores públicos no Rio de Janeiro é deficitário. Mensalmente o Tesouro estadual precisa cobrir o rombo. Na verdade, para se tornar auto-suficiente financeiramente, o fundo de previdência dos funcionários teria que receber ativos (propriedades, títulos, créditos) com valor atual entre R$30 bilhões e R$40 bilhões, dinheiro que hoje o Estado não tem, e nem sonha ter. O fundo é constituído basicamente de papéis emitidos pelo Tesouro Nacional em troca de futuros de royalties do petróleo (e o grosso das receitas obtidas com esses títulos vai até 2014), das contribuições previdenciárias dos funcionários, de 663 imóveis pertencentes ao Estado - a maioria deles gerando mais despesas, como IPTU, taxas de condomínio, conservação, do que aluguéis - e ainda da dívida ativa estadual, com alto percentual de calote. Por isso, o fundo está sofrendo uma grande faxina.
A unidade da federação que não estiver com o cadastro previdenciário em ordem ficará sem o CRP (certificação de regularização previdenciária), necessário para continuar a receber verbas federais a partir do ano que vem.
O ex-ministro Antonio Dias Leite reviu seu livro "A energia do Brasil" , de 1997, e acrescentou novos capítulos, incorporando informações sobre o impacto do racionamento de 2001/2002 e projeções sobre a matriz energética do país. Embora a parte histórica já estivesse pronta, o trabalho de revisão foi exaustivo. Dias Leite foi presidente da Companhia Vale do Rio Doce e depois Ministro das Minas e Energia no governo Médici. O livro é leitura obrigatória ou fonte de consulta para quem se interessa pelas questões energéticas no Brasil, e no mundo.
O Brasil, por meio do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) se tornou uma das quinze autoridades internacionais habilitadas para o registro de patentes. A partir de março do ano que vem, os processos para registro internacional, além de ficarem mais baratos, poderão ser feitos em português. Talvez por conta dos entraves até agora existentes, o número de patentes brasileiras registradas internacionalmente é muito reduzido, não passando de 300 por ano. Com os tramites facilitados, espera-se que mais empresas venham a se interessar por proteger suas propriedades intelectuais também no exterior. É o caso do setor de moda. Muitos empresários e estilistas achavam que bastava registrar marcas ou patentes apenas e automaticamente estariam protegidos no exterior. E aí de repente eram surpreendidos lá fora ao ver cópias de seus produtos circulando legalmente com alguma etiqueta "made in China", sem pagar direitos ou royalties.
O mercado imobiliário no Rio voltou a melhorar. Mesmo assim, o número de empregos formais no setor, de janeiro a agosto, cresceu 5,76%, pouco mais da metade da média brasileira (10,56%). No ano passado o resultado foi melhor: o número de empregos com carteira assinada na construção civil no Rio aumentou 13,56%, enquanto a média nacional ficou em 7,34%.
Coluna - George Vidor
O Globo
As projeções para o desempenho da economia brasileira no ano que vem já apontavam para algum arrefecimento, por conta de uma conjuntura mundial menos favorável e de uma meia trava na trajetória de queda das taxas básicas de juros devido a uma preocupação com os índices de inflação. Mas os últimos números da economia talvez levem a uma revisão dessas projeções.
A ameaça de inflação está se dissipando. Os especialistas em índices de preços, que estavam temerosos diante do comportamento dos alimentos e dos serviços, já podem relaxar, porque em ambos os casos o recuo é significativo. No caso dos serviços, então, excluindo-se aqueles que sofrem forte influência do salário-mínimo, os aumentos este ano ficarão abaixo da média, quase que repetindo os percentuais de 2006.
O cenário internacional também acalmou, e de novo já há muita gente no mercado financeiro concordando que ainda existe espaço para cortes nos juros.
A verdade é que o comportamento da inflação passou a depender mais de estímulos à oferta de bens e serviços, e também da criação de um ambiente de negócios bem competitivo, do que propriamente do torniquete das taxas de juros. O problema é que muitos formadores de opinião nos mercados para os quais as atenções do Banco Central estão voltadas permanecem agindo por reflexo condicionado. E como diria Pavlov, não se acostumaram à idéia de o Brasil vir a ter, naturalmente, juros similares a de qualquer outra economia normal.
O INSS concluiu este ano o censo de todos os que recebem seus benefícios. Igual levantamento teria de ser feito, por lei, no serviço público, até 31 de dezembro, mas há enorme resistência dos poderes legislativo e judiciário (ou de órgãos auxiliares, como os tribunais de contas) para revelar o conteúdo das folhas de pagamentos de funcionários inativos e pensionistas. No Estado do Rio, só o número de pensionistas chega a 80 mil, e desconhecendo o conteúdo de todas as folhas os gestores do sistema de previdência ficam sem saber se os benefícios estão dentro dos limites estipulados pela legislação. Ou até se vêm pagando o que é efetivamente devido a cada um.
Como em quase todos os estados, o sistema de previdência dos servidores públicos no Rio de Janeiro é deficitário. Mensalmente o Tesouro estadual precisa cobrir o rombo. Na verdade, para se tornar auto-suficiente financeiramente, o fundo de previdência dos funcionários teria que receber ativos (propriedades, títulos, créditos) com valor atual entre R$30 bilhões e R$40 bilhões, dinheiro que hoje o Estado não tem, e nem sonha ter. O fundo é constituído basicamente de papéis emitidos pelo Tesouro Nacional em troca de futuros de royalties do petróleo (e o grosso das receitas obtidas com esses títulos vai até 2014), das contribuições previdenciárias dos funcionários, de 663 imóveis pertencentes ao Estado - a maioria deles gerando mais despesas, como IPTU, taxas de condomínio, conservação, do que aluguéis - e ainda da dívida ativa estadual, com alto percentual de calote. Por isso, o fundo está sofrendo uma grande faxina.
A unidade da federação que não estiver com o cadastro previdenciário em ordem ficará sem o CRP (certificação de regularização previdenciária), necessário para continuar a receber verbas federais a partir do ano que vem.
O ex-ministro Antonio Dias Leite reviu seu livro "A energia do Brasil" , de 1997, e acrescentou novos capítulos, incorporando informações sobre o impacto do racionamento de 2001/2002 e projeções sobre a matriz energética do país. Embora a parte histórica já estivesse pronta, o trabalho de revisão foi exaustivo. Dias Leite foi presidente da Companhia Vale do Rio Doce e depois Ministro das Minas e Energia no governo Médici. O livro é leitura obrigatória ou fonte de consulta para quem se interessa pelas questões energéticas no Brasil, e no mundo.
O Brasil, por meio do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) se tornou uma das quinze autoridades internacionais habilitadas para o registro de patentes. A partir de março do ano que vem, os processos para registro internacional, além de ficarem mais baratos, poderão ser feitos em português. Talvez por conta dos entraves até agora existentes, o número de patentes brasileiras registradas internacionalmente é muito reduzido, não passando de 300 por ano. Com os tramites facilitados, espera-se que mais empresas venham a se interessar por proteger suas propriedades intelectuais também no exterior. É o caso do setor de moda. Muitos empresários e estilistas achavam que bastava registrar marcas ou patentes apenas e automaticamente estariam protegidos no exterior. E aí de repente eram surpreendidos lá fora ao ver cópias de seus produtos circulando legalmente com alguma etiqueta "made in China", sem pagar direitos ou royalties.
O mercado imobiliário no Rio voltou a melhorar. Mesmo assim, o número de empregos formais no setor, de janeiro a agosto, cresceu 5,76%, pouco mais da metade da média brasileira (10,56%). No ano passado o resultado foi melhor: o número de empregos com carteira assinada na construção civil no Rio aumentou 13,56%, enquanto a média nacional ficou em 7,34%.