antigas Publicado: 19/09/2007 | 09:56

Metalúrgico faz greve por contrato nacional

Marcelo Rehder e Cleide Silva
O Estado de S. Paulo

Paralisações de até 4 horas em 8 Estados foram um alerta às empresas dos setores automobilístico e siderúrgico

 Cerca de 170 mil metalúrgicos de 81 fábricas dos setores automobilístico e siderúrgico de oito Estados brasileiros paralisaram suas atividades ontem por períodos que variaram de 30 minutos a 4 horas, segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical.

A ação foi um alerta das centrais aos representantes das empresas do setor, que se negam a negociar a implantação do contrato coletivo de trabalho nacional para a categoria.

"Pela primeira vez na história do movimento sindical metalúrgico conseguimos realizar uma ação de caráter nacional com paralisações de protesto por um único objetivo, que é o contrato coletivo de trabalho", afirmou Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT. "Se persistir a intransigência por parte das empresas, já temos um ponto de referência do poder de mobilização da categoria."

Representantes da indústria automobilística, um dos alvos do protesto, informaram que o contrato coletivo nacional não está em pauta. "O setor não considera essa discussão agora", afirmou um porta-voz.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo - que comandou a paralisação na fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo -, a medida, adotada na Europa, EUA e Canadá, "melhoraria as condições de vida no Brasil inteiro". Também "daria fim às manipulações empresariais, como ameaças de transferir a empresa" para Estados com baixo custo de mão-de-obra.

No País, existem hoje cerca de 1,8 milhão de metalúrgicos, cujas datas-base para reajuste salarial ocorrem em meses diferentes. Os sindicalistas querem a unificação dessas datas - período em que se negocia a reposição de perdas, aumentos salariais e benefícios sociais - para setembro, com jornada de trabalho única de 40 horas semanais e piso salarial de R$ 1,3 mil para todas as regiões do País. Outra meta é combater a terceirização no processo produtivo.

Segundo Feijóo, o trabalhador de uma montadora em Gravataí (RS), onde está a GM, tem salário inicial de R$ 700 e a média é de R$ 1,2 mil. Em Sete Lagoas (MG), onde está a Iveco/Fiat e em Goiás, que abriga fábricas da Mitsubishi e da Hyundai, o piso é de R$ 600. No ABC paulista, a média é de R$ 3.660, enquanto o piso é de R$ 1.110, mas poucos trabalhadores recebem esse mínimo.

O presidente da Confederação dos Trabalhadores Metalúrgicos da Força Sindical, Eleno José Bezerra, observa que as empresas do setor têm ido para regiões onde recebem benefícios fiscais e a organização sindical dos trabalhadores tem menos estrutura que no Sul e Sudeste. "Com todas essas vantagens, só as empresas ganham, em detrimento do trabalhador e do consumidor, já que o carro não é mais barato do que o fabricado em outras regiões."

Uma das regiões mais mobilizadas é a da Grande Curitiba, onde estão Volks, Renault/Nissan e Volvo. Os trabalhadores não aceitaram o reajuste salarial oferecido pelo Sinfavea, que representa as empresas do setor, de 7,44% e abono de R$ 1,5 mil. Ontem, durante a mobilização pelo contrato nacional, os trabalhadores aprovaram a realização de greve por tempo indeterminado, caso as empresas não apresentem uma nova proposta até quinta-feira.

Marcelo Rehder e Cleide Silva
O Estado de S. Paulo

Paralisações de até 4 horas em 8 Estados foram um alerta às empresas dos setores automobilístico e siderúrgico

 Cerca de 170 mil metalúrgicos de 81 fábricas dos setores automobilístico e siderúrgico de oito Estados brasileiros paralisaram suas atividades ontem por períodos que variaram de 30 minutos a 4 horas, segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical.

A ação foi um alerta das centrais aos representantes das empresas do setor, que se negam a negociar a implantação do contrato coletivo de trabalho nacional para a categoria.

"Pela primeira vez na história do movimento sindical metalúrgico conseguimos realizar uma ação de caráter nacional com paralisações de protesto por um único objetivo, que é o contrato coletivo de trabalho", afirmou Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT. "Se persistir a intransigência por parte das empresas, já temos um ponto de referência do poder de mobilização da categoria."

Representantes da indústria automobilística, um dos alvos do protesto, informaram que o contrato coletivo nacional não está em pauta. "O setor não considera essa discussão agora", afirmou um porta-voz.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo - que comandou a paralisação na fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo -, a medida, adotada na Europa, EUA e Canadá, "melhoraria as condições de vida no Brasil inteiro". Também "daria fim às manipulações empresariais, como ameaças de transferir a empresa" para Estados com baixo custo de mão-de-obra.

No País, existem hoje cerca de 1,8 milhão de metalúrgicos, cujas datas-base para reajuste salarial ocorrem em meses diferentes. Os sindicalistas querem a unificação dessas datas - período em que se negocia a reposição de perdas, aumentos salariais e benefícios sociais - para setembro, com jornada de trabalho única de 40 horas semanais e piso salarial de R$ 1,3 mil para todas as regiões do País. Outra meta é combater a terceirização no processo produtivo.

Segundo Feijóo, o trabalhador de uma montadora em Gravataí (RS), onde está a GM, tem salário inicial de R$ 700 e a média é de R$ 1,2 mil. Em Sete Lagoas (MG), onde está a Iveco/Fiat e em Goiás, que abriga fábricas da Mitsubishi e da Hyundai, o piso é de R$ 600. No ABC paulista, a média é de R$ 3.660, enquanto o piso é de R$ 1.110, mas poucos trabalhadores recebem esse mínimo.

O presidente da Confederação dos Trabalhadores Metalúrgicos da Força Sindical, Eleno José Bezerra, observa que as empresas do setor têm ido para regiões onde recebem benefícios fiscais e a organização sindical dos trabalhadores tem menos estrutura que no Sul e Sudeste. "Com todas essas vantagens, só as empresas ganham, em detrimento do trabalhador e do consumidor, já que o carro não é mais barato do que o fabricado em outras regiões."

Uma das regiões mais mobilizadas é a da Grande Curitiba, onde estão Volks, Renault/Nissan e Volvo. Os trabalhadores não aceitaram o reajuste salarial oferecido pelo Sinfavea, que representa as empresas do setor, de 7,44% e abono de R$ 1,5 mil. Ontem, durante a mobilização pelo contrato nacional, os trabalhadores aprovaram a realização de greve por tempo indeterminado, caso as empresas não apresentem uma nova proposta até quinta-feira.