antigas Publicado: 31/08/2007 | 10:50

PT admite negociar cabeça de chapa para 2010

Leandro Mazzini
Gazeta Mercantil

Segundo Berzoini,"o partido tem vocação para ter candidato, mas não devemos ser arrogantes".

O Partido dos Trabalhadores inicia hoje seu 3º congresso nacional com o desafio de se livrar da denúncia do mensalão que abateu sete militantes importantes, entre deputados e ex-dirigentes. Não tão poderoso no governo de Luiz Inácio Lula da Silva como no primeiro mandato - perdeu espaço para outros aliados da coalizão - o partido pretende repensar suas estratégias para as eleições de 2008 e já admite a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa para as eleições presidenciais de 2010.
"Não devemos ser arrogantes e presunçosos de achar que o PT tem sempre que encabeçar a chapa. Queremos dialogar com todos os partidos da coalizão sem pré-condições", reconhece o presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP).
A partir de hoje até domingo, o partido mergulha em debates, em São Paulo, a fim de aprofundar o olhar para a própria estrutura, hoje dividida em pelo menos 12 correntes internas. "Entendemos que o PT vive um momento de reflexão e de afirmação", reconhece o presidente do partido, em entrevista a este jornal.
Para Berzoini - que na primeira gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva foi ministro da Previdência e, posteriormente, do Trabalho - o PT não errou, e não pode responder por atos isolados de seus quadros. O deputado defende, porém, os companheiros, e vê precipitação na decisão do Supremo Tribunal Federal de acolher a denúncia contra os petistas e critica a imprensa. Segundo Berzoini, "parte da midia" tenta "transformar uma abertura de processo em condenação". "O Supremo optou pelo caminho mais cômodo", critica Berzoini.
Gazeta Mercantil - Qual a sua avaliação da denúncia do mensalão às vésperas do 3º congresso do PT?
Ricardo Berzoini - Diria que o Supremo Tribunal Federal optou pelo caminho mais cômodo, que é o de processar para verificar se há ou não provas. Não digo que os tribunais erram, mas podem errar porque são todos seres humanos. Mas, pelos votos que eu vi, muitos foram dados sem que haja nenhuma convicção de condenação, mas apenas a de que eles devem ser investigados.
Gazeta Mercantil - Sete políticos do partido viraram réus nesse caso. Onde o PT errou?
Primeiro, o PT, como instituição, não errou. Pessoas do PT que eventualmente tenham errado, a responsabilidade é individual. No entanto, foi aberto um processo. E no Estado democrático de direito, os suspeitos têm direito a se defender e eu conheço essas sete pessoas de muito tempo, e conheço o caráter e a correção delas. Portanto, não tenho razão nenhuma para não acreditar que estão dizendo a verdade. Cabe agora à Procuradoria Geral da República apresentar as provas E cabe à defesa dos sete denunciados apresentar a defesa. Não se pode antecipar o julgamento. A pior coisa que tem é o movimento que parte da midia faz de tentar transformar uma abertura de processo em condenação.
Gazeta Mercantil - O senhor acredita que a denúncia contra o ex-ministro José Dirceu compromete a anistia que ele pede depois de ser cassado como deputado?
O PT não trata desse assunto enquanto partido, e acredita que qualquer iniciativa disso não deve partir da legenda. Não há qualquer vinculação do partido nesse caso, com todo o respeito que temos ao Dirceu.
Gazeta Mercantil - Na sua opinião, o PT não errou. No entanto, muitos militantes lutam para aprovar um código de ética. Não é hora de aproveitar o congresso para isso?
O partido tem um estatuto que deixa claro quais são as obrigações de seus filiados. É o verdadeiro código. Criar agora um outro, significa uma burocracia adicional. Sempre é possível debater modificações no estatuto. Quem achar que o estatuto é insuficiente, é melhor propor mudanças no texto do que propor um outro documento que simboliza muito mais uma disputa interna do que um aperfeiçoamento de questões.
Gazeta Mercantil - O ex-Campo majoritário, corrente interna comandada por José Dirceu, com seu apoio, chega enfraquecida ao congresso?
Não. Proporcionalmente elegemos mais delegados no último evento do que em momentos anteriores. O que não significa que temos a arrogância que isso possa impedir debates importantes que posições minoritárias possam trazer e ajudar o partido. O PT não foi construído por um setor só, mas por todas as correntes (hoje são 12).
Gazeta Mercantil - O que pode mudar no congresso?
Entendemos que o PT vive um momento de reflexão, mas também de afirmação. Reflexão porque viveu uma crise profunda e essa crise precisa ser metabolizada e produzir avanços. E de afirmação porque o PT elegeu o presidente da República pela segunda vez, cinco governadores e foi o partido mais votado da Câmara, apesar da avalanche social que sofreu. Ele ainda tem base social, maior preferência do eleitorado brasileiro e pode continuar sendo o partido mais popular do Brasil.
Gazeta Mercantil - Mas o deputado Vicentinho (SP), militante histórico e vindo do berço sindical, criticou a distância do PT de suas bases sociais em depoimento a este jornal.
Pelo que vi nesses dois anos que estou à frente do PT, o partido é muito próximo de suas bases, que na sua eleição em 2005 mobilizou 315 mil pessoas para votar, que tem uma base forte no movimento sindical e social, tem influência em setores da igreja, das universidades. Sempre é possível ir mais à base e avançar mais, mas também sempre é possível termos uma reflexão madura sobre o papel de partido político num País que não tem tradição partidária.
Gazeta Mercantil - Nesse sentido, vocês vão discutir a melhor forma de virar essa página negra do PT pensando nas eleições de 2008?
Nós temos o trabalho de filiação partidária permanentemente, com o apoio de todos os seus integrantes. E dessa forma ampliamos nossa base social. Tem muita gente que gosta do PT e simpatiza com ele, mas nunca teve a oportunidade de se filiar porque nunca alguém chegou e propôs. Vamos buscar isso.
Gazeta Mercantil - E qual será o maior desafio nas eleições de 2008?
Consolidarmos a nossa experiência nas administrações municipais, ampliar o número de vereadores, conquistar novas prefeituras e reconquistar algumas que perdemos em outras eleições, o que pode representar a reafirmação do PT nesses locais.
Gazeta Mercantil - E o projeto para as eleições presidenciais de 2010, o PT tem candidato?
O PT tem vocação sempre para ter candidato, de prefeito a presidente da República. Mas não devemos ser arrogantes e presunçosos de achar que o PT tem sempre que encabeçar a chapa. Queremos dialogar com todos os partidos da coalizão sem pré-condições. Não aceitamos pré-condições dos outros e não podemos impor isso a eles.
Gazeta Mercantil - O presidente Lula já acenou para essa possibilidade de não ter candidato próprio. Pode-se dizer que o PT já está afinado com Lula ou haverá resistência do partido?
O PT tem independência com relação ao governo. O que não nos impede de dialogar sempre com o presidente, apresentar nossos pontos de vista e receber os dele. O importante é ter consciência de que o partido projeta para 2010 a primeira eleição em que o presidente Lula não estará presente desde a ditadura militar. É uma eleição em que o PT deve se preparar para enfrentar com tranqüilidade essa noção de que o partido precisa construir outras alianças.
kicker: "O STF optou pelo caminho mais cômodo -processar para verificar provas. Tribunais também podem errar "
kicker2: "O PT vive um momento de reflexão e afirmação. Reflexão porque viveu uma crise profunda que precisa ser metabolizada"

Leandro Mazzini
Gazeta Mercantil

Segundo Berzoini,"o partido tem vocação para ter candidato, mas não devemos ser arrogantes".

O Partido dos Trabalhadores inicia hoje seu 3º congresso nacional com o desafio de se livrar da denúncia do mensalão que abateu sete militantes importantes, entre deputados e ex-dirigentes. Não tão poderoso no governo de Luiz Inácio Lula da Silva como no primeiro mandato - perdeu espaço para outros aliados da coalizão - o partido pretende repensar suas estratégias para as eleições de 2008 e já admite a possibilidade de abrir mão da cabeça de chapa para as eleições presidenciais de 2010.
"Não devemos ser arrogantes e presunçosos de achar que o PT tem sempre que encabeçar a chapa. Queremos dialogar com todos os partidos da coalizão sem pré-condições", reconhece o presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP).
A partir de hoje até domingo, o partido mergulha em debates, em São Paulo, a fim de aprofundar o olhar para a própria estrutura, hoje dividida em pelo menos 12 correntes internas. "Entendemos que o PT vive um momento de reflexão e de afirmação", reconhece o presidente do partido, em entrevista a este jornal.
Para Berzoini - que na primeira gestão do governo Luiz Inácio Lula da Silva foi ministro da Previdência e, posteriormente, do Trabalho - o PT não errou, e não pode responder por atos isolados de seus quadros. O deputado defende, porém, os companheiros, e vê precipitação na decisão do Supremo Tribunal Federal de acolher a denúncia contra os petistas e critica a imprensa. Segundo Berzoini, "parte da midia" tenta "transformar uma abertura de processo em condenação". "O Supremo optou pelo caminho mais cômodo", critica Berzoini.
Gazeta Mercantil - Qual a sua avaliação da denúncia do mensalão às vésperas do 3º congresso do PT?
Ricardo Berzoini - Diria que o Supremo Tribunal Federal optou pelo caminho mais cômodo, que é o de processar para verificar se há ou não provas. Não digo que os tribunais erram, mas podem errar porque são todos seres humanos. Mas, pelos votos que eu vi, muitos foram dados sem que haja nenhuma convicção de condenação, mas apenas a de que eles devem ser investigados.
Gazeta Mercantil - Sete políticos do partido viraram réus nesse caso. Onde o PT errou?
Primeiro, o PT, como instituição, não errou. Pessoas do PT que eventualmente tenham errado, a responsabilidade é individual. No entanto, foi aberto um processo. E no Estado democrático de direito, os suspeitos têm direito a se defender e eu conheço essas sete pessoas de muito tempo, e conheço o caráter e a correção delas. Portanto, não tenho razão nenhuma para não acreditar que estão dizendo a verdade. Cabe agora à Procuradoria Geral da República apresentar as provas E cabe à defesa dos sete denunciados apresentar a defesa. Não se pode antecipar o julgamento. A pior coisa que tem é o movimento que parte da midia faz de tentar transformar uma abertura de processo em condenação.
Gazeta Mercantil - O senhor acredita que a denúncia contra o ex-ministro José Dirceu compromete a anistia que ele pede depois de ser cassado como deputado?
O PT não trata desse assunto enquanto partido, e acredita que qualquer iniciativa disso não deve partir da legenda. Não há qualquer vinculação do partido nesse caso, com todo o respeito que temos ao Dirceu.
Gazeta Mercantil - Na sua opinião, o PT não errou. No entanto, muitos militantes lutam para aprovar um código de ética. Não é hora de aproveitar o congresso para isso?
O partido tem um estatuto que deixa claro quais são as obrigações de seus filiados. É o verdadeiro código. Criar agora um outro, significa uma burocracia adicional. Sempre é possível debater modificações no estatuto. Quem achar que o estatuto é insuficiente, é melhor propor mudanças no texto do que propor um outro documento que simboliza muito mais uma disputa interna do que um aperfeiçoamento de questões.
Gazeta Mercantil - O ex-Campo majoritário, corrente interna comandada por José Dirceu, com seu apoio, chega enfraquecida ao congresso?
Não. Proporcionalmente elegemos mais delegados no último evento do que em momentos anteriores. O que não significa que temos a arrogância que isso possa impedir debates importantes que posições minoritárias possam trazer e ajudar o partido. O PT não foi construído por um setor só, mas por todas as correntes (hoje são 12).
Gazeta Mercantil - O que pode mudar no congresso?
Entendemos que o PT vive um momento de reflexão, mas também de afirmação. Reflexão porque viveu uma crise profunda e essa crise precisa ser metabolizada e produzir avanços. E de afirmação porque o PT elegeu o presidente da República pela segunda vez, cinco governadores e foi o partido mais votado da Câmara, apesar da avalanche social que sofreu. Ele ainda tem base social, maior preferência do eleitorado brasileiro e pode continuar sendo o partido mais popular do Brasil.
Gazeta Mercantil - Mas o deputado Vicentinho (SP), militante histórico e vindo do berço sindical, criticou a distância do PT de suas bases sociais em depoimento a este jornal.
Pelo que vi nesses dois anos que estou à frente do PT, o partido é muito próximo de suas bases, que na sua eleição em 2005 mobilizou 315 mil pessoas para votar, que tem uma base forte no movimento sindical e social, tem influência em setores da igreja, das universidades. Sempre é possível ir mais à base e avançar mais, mas também sempre é possível termos uma reflexão madura sobre o papel de partido político num País que não tem tradição partidária.
Gazeta Mercantil - Nesse sentido, vocês vão discutir a melhor forma de virar essa página negra do PT pensando nas eleições de 2008?
Nós temos o trabalho de filiação partidária permanentemente, com o apoio de todos os seus integrantes. E dessa forma ampliamos nossa base social. Tem muita gente que gosta do PT e simpatiza com ele, mas nunca teve a oportunidade de se filiar porque nunca alguém chegou e propôs. Vamos buscar isso.
Gazeta Mercantil - E qual será o maior desafio nas eleições de 2008?
Consolidarmos a nossa experiência nas administrações municipais, ampliar o número de vereadores, conquistar novas prefeituras e reconquistar algumas que perdemos em outras eleições, o que pode representar a reafirmação do PT nesses locais.
Gazeta Mercantil - E o projeto para as eleições presidenciais de 2010, o PT tem candidato?
O PT tem vocação sempre para ter candidato, de prefeito a presidente da República. Mas não devemos ser arrogantes e presunçosos de achar que o PT tem sempre que encabeçar a chapa. Queremos dialogar com todos os partidos da coalizão sem pré-condições. Não aceitamos pré-condições dos outros e não podemos impor isso a eles.
Gazeta Mercantil - O presidente Lula já acenou para essa possibilidade de não ter candidato próprio. Pode-se dizer que o PT já está afinado com Lula ou haverá resistência do partido?
O PT tem independência com relação ao governo. O que não nos impede de dialogar sempre com o presidente, apresentar nossos pontos de vista e receber os dele. O importante é ter consciência de que o partido projeta para 2010 a primeira eleição em que o presidente Lula não estará presente desde a ditadura militar. É uma eleição em que o PT deve se preparar para enfrentar com tranqüilidade essa noção de que o partido precisa construir outras alianças.
kicker: "O STF optou pelo caminho mais cômodo -processar para verificar provas. Tribunais também podem errar "
kicker2: "O PT vive um momento de reflexão e afirmação. Reflexão porque viveu uma crise profunda que precisa ser metabolizada"