antigas Publicado: 30/08/2007 | 10:35

Supremo de ?alma lavada?

Fernanda Odilla e Sandro Lima
Correio Braziliense

Ministros demonstram alívio. “Quem cumpre seu dever fica muito bem”, destaca Eros Grau

 
Depois do mais longo julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a volta à rotina. Os ministros do STF se reuniram no plenário para apreciar liminares, habeas corpus e ações diretas de inconstitucionalidade no horário de sempre: das 14h às 18h. Apenas o relator do mensalão, Joaquim Barbosa, saiu um pouco antes do fim da sessão. Ele passou a maior parte das 35 horas do julgamento em pé, lendo o voto e fazendo observações. Enquanto os ministros retomavam as votações sem o tumulto dos dias anteriores, petistas tentavam se defender, criticando a decisão do STF em abrir processo para ver se há provas contra os réus.

O clima no Supremo, entre os ministros, era de alívio. “Quem cumpre seu dever fica muito bem com a alma”, disse Eros Grau. Ele destacou ter ficado satisfeito com o trabalho realizado pelo colegiado. Celso de Mello avaliou que o Supremo se portou com absoluta transparência. Mello disse que o mensalão não pode ser comparado com o julgamento do caso Collor. O STF acolheu as denúncias contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello por formação de quadrilha e corrupção passiva, mas depois o absolveu.

Para o ministro, tratava-se de um episódio decorrido ao longo de um governo decaído. Collor foi alvo de um impeachment em 1992. “Hoje, a própria condição dos personagens envolvidos no atual processo, personagens que estavam e estão ainda no exercício de atividades políticas, nomes expressivos que foram de determinadas agremiações partidárias ou mesmo do próprio aparelho governamental, faz a grande diferença”, avalia.

Genoino
No Congresso, o deputado José Genoino (PT-SP) disse ontem que se defenderá “de cabeça erguida” das acusações de envolvimento no esquema do mensalão. Dono de um mandato, ele é um dos 40 réus no processo e responderá pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Quando estourou o escândalo do mensalão, Genoino ocupava a presidência nacional do PT. Ontem à tarde, no plenário da Câmara, Genoino disse que não pertenceu a nenhuma organização criminosa e que, após 24 anos de vida parlamentar, seu patrimônio se resume a uma casa. “Meu patrimônio é o mesmo há 24 anos. Minha família mora em situação de dificuldade”, relatou. Para, em seguida, rechaçar as acusações: “Não posso aceitar denúncia de corrupção ativa e muito menos denúncia de integrar quadrilha”, afirmou.

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse que o STF optou pelo caminho mais cômodo, ou seja, de abrir processo para ver se há provas. Em entrevista ao site do PT, Berzoini afirmou que a decisão do STF foi democrática. “O acatamento da denúncia é uma decisão preliminar, que abre o processo judicial no qual a acusação tem que apresentar provas robustas e a defesa apresenta sua contestação”, disse.

Fernanda Odilla e Sandro Lima
Correio Braziliense

Ministros demonstram alívio. “Quem cumpre seu dever fica muito bem”, destaca Eros Grau

 
Depois do mais longo julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF), a volta à rotina. Os ministros do STF se reuniram no plenário para apreciar liminares, habeas corpus e ações diretas de inconstitucionalidade no horário de sempre: das 14h às 18h. Apenas o relator do mensalão, Joaquim Barbosa, saiu um pouco antes do fim da sessão. Ele passou a maior parte das 35 horas do julgamento em pé, lendo o voto e fazendo observações. Enquanto os ministros retomavam as votações sem o tumulto dos dias anteriores, petistas tentavam se defender, criticando a decisão do STF em abrir processo para ver se há provas contra os réus.

O clima no Supremo, entre os ministros, era de alívio. “Quem cumpre seu dever fica muito bem com a alma”, disse Eros Grau. Ele destacou ter ficado satisfeito com o trabalho realizado pelo colegiado. Celso de Mello avaliou que o Supremo se portou com absoluta transparência. Mello disse que o mensalão não pode ser comparado com o julgamento do caso Collor. O STF acolheu as denúncias contra o ex-presidente Fernando Collor de Mello por formação de quadrilha e corrupção passiva, mas depois o absolveu.

Para o ministro, tratava-se de um episódio decorrido ao longo de um governo decaído. Collor foi alvo de um impeachment em 1992. “Hoje, a própria condição dos personagens envolvidos no atual processo, personagens que estavam e estão ainda no exercício de atividades políticas, nomes expressivos que foram de determinadas agremiações partidárias ou mesmo do próprio aparelho governamental, faz a grande diferença”, avalia.

Genoino
No Congresso, o deputado José Genoino (PT-SP) disse ontem que se defenderá “de cabeça erguida” das acusações de envolvimento no esquema do mensalão. Dono de um mandato, ele é um dos 40 réus no processo e responderá pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção ativa.

Quando estourou o escândalo do mensalão, Genoino ocupava a presidência nacional do PT. Ontem à tarde, no plenário da Câmara, Genoino disse que não pertenceu a nenhuma organização criminosa e que, após 24 anos de vida parlamentar, seu patrimônio se resume a uma casa. “Meu patrimônio é o mesmo há 24 anos. Minha família mora em situação de dificuldade”, relatou. Para, em seguida, rechaçar as acusações: “Não posso aceitar denúncia de corrupção ativa e muito menos denúncia de integrar quadrilha”, afirmou.

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse que o STF optou pelo caminho mais cômodo, ou seja, de abrir processo para ver se há provas. Em entrevista ao site do PT, Berzoini afirmou que a decisão do STF foi democrática. “O acatamento da denúncia é uma decisão preliminar, que abre o processo judicial no qual a acusação tem que apresentar provas robustas e a defesa apresenta sua contestação”, disse.