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Publicado: 30/08/2007 | 10:28
FHC cobra crítica de Lula a mensaleiros
Denise Rothenburg
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Tucano diz que presidente foi omisso no passado e será leniente se não “mostrar claramente que está em desacordo com o que foi feito”
Terminado o julgamento que transformou em réus antigos dirigentes do PT e de partidos aliados do governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu a campo para acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de omissão no caso e aproveitou para cobrar uma afirmação mais contundente do chefe do governo contra os acusados . “Quem dirige o país tem que mostrar claramente que está em desacordo com o que foi feito. Ele dizia que o mensalão era folclore do Congresso Nacional e da mídia. Não dá para sustentar mais isso”, afirmou Fernando Henrique. “Presidente, critique os que fizeram, não fique leniente. O que foi feito, foi feito e ele (Lula) não pode dizer que vai esperar porque eles já são réus e isso é grave”, comentou o ex-presidente.
Fernando Henrique lembrou que Lula não demitiu nenhum dos acusados no processo. “Na reação foi omisso e agora, se não disser que eles estavam errados será leniência. Não posso dizer que seja conivência porque aí seria crime e eu não posso dizer isso”, fustigou o antecessor de Lula, lembrando ainda que o petista pode até engrandecer a sua biografia se, perante a Nação, condenar seus antigos companheiros de governo.
Exemplo
Perguntado se as suas declarações representavam uma tentativa de começar a trilhar o caminho eleitoral para a oposição, Fernando Henrique foi incisivo: “Não se trata de um posicionamento de razão eleitoral. É de exemplaridade. Os fatos são fortes. O ministro relator juntou os fatos. Tanto é que o ministro Eros Grau mudou de opinião”, comentou o ex-presidente.
Fernando Henrique fez essas declarações depois de participar de um seminário sobre voto distrital promovido pela Associação Comercial de São Paulo, onde aproveitou para rechaçar a idéia de que seu partido, o PSDB, irá ajudar a aprovar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). “O PSDB votará contra de uma maneira coesa. A arrecadação do governo aumentou e o imposto era provisório”, comentou ele.
Embora fale em nome do partido, FHC rejeita a idéia de alguns tucanos de comandar o PSDB a partir de novembro. “Não sou candidato a presidente do PSDB. Nem quero. Nem a Presidência da República. O Lula reclama que eu opino, mas não vou parar de opinar. Sou cidadão. Mas não sou candidato”, informou, aproveitando para falar sobre o futuro do presidente Lula: “Não diria que ele encerrará a sua vida política. Lula é um político profissional, eu não sou. Não vivo da política. Dou aulas, palestras, publico livros. Ele, há 30 anos só faz política”, disse. “Ele vive dizendo que, quando sair não vai morar na França e nos Estados Unidos. Diz isso porque não sabe que eu vivo aqui”, completou.
ALCKMIN NO ATAQUE
O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir ação penal contra os 40 denunciados no esquema do mensalão atinge o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É o governo Lula quem está no banco dos réus. Isso é óbvio, pois tudo aconteceu dentro do governo”, avaliou, após participar de um evento que discutiu o voto distrital, na capital paulista. Segundo Alckmin, o STF acende uma luz de esperança no Brasil contra a impunidade e em prol da moralização da política brasileira. “Nasce aí uma esperança de mudar o quadro de desencanto e desalento que perpassa por toda a sociedade.” Com relação ao envolvimento de ex-dirigentes do PT na denúncia acatada pelo STF, ele argumentou: “Essas coisas não acontecem de forma isolada, existe toda uma teia.”
Denise Rothenburg
Correio Braziliense
Correio Braziliense
Tucano diz que presidente foi omisso no passado e será leniente se não “mostrar claramente que está em desacordo com o que foi feito”
Terminado o julgamento que transformou em réus antigos dirigentes do PT e de partidos aliados do governo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso saiu a campo para acusar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de omissão no caso e aproveitou para cobrar uma afirmação mais contundente do chefe do governo contra os acusados . “Quem dirige o país tem que mostrar claramente que está em desacordo com o que foi feito. Ele dizia que o mensalão era folclore do Congresso Nacional e da mídia. Não dá para sustentar mais isso”, afirmou Fernando Henrique. “Presidente, critique os que fizeram, não fique leniente. O que foi feito, foi feito e ele (Lula) não pode dizer que vai esperar porque eles já são réus e isso é grave”, comentou o ex-presidente.
Fernando Henrique lembrou que Lula não demitiu nenhum dos acusados no processo. “Na reação foi omisso e agora, se não disser que eles estavam errados será leniência. Não posso dizer que seja conivência porque aí seria crime e eu não posso dizer isso”, fustigou o antecessor de Lula, lembrando ainda que o petista pode até engrandecer a sua biografia se, perante a Nação, condenar seus antigos companheiros de governo.
Exemplo
Perguntado se as suas declarações representavam uma tentativa de começar a trilhar o caminho eleitoral para a oposição, Fernando Henrique foi incisivo: “Não se trata de um posicionamento de razão eleitoral. É de exemplaridade. Os fatos são fortes. O ministro relator juntou os fatos. Tanto é que o ministro Eros Grau mudou de opinião”, comentou o ex-presidente.
Fernando Henrique fez essas declarações depois de participar de um seminário sobre voto distrital promovido pela Associação Comercial de São Paulo, onde aproveitou para rechaçar a idéia de que seu partido, o PSDB, irá ajudar a aprovar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). “O PSDB votará contra de uma maneira coesa. A arrecadação do governo aumentou e o imposto era provisório”, comentou ele.
Embora fale em nome do partido, FHC rejeita a idéia de alguns tucanos de comandar o PSDB a partir de novembro. “Não sou candidato a presidente do PSDB. Nem quero. Nem a Presidência da República. O Lula reclama que eu opino, mas não vou parar de opinar. Sou cidadão. Mas não sou candidato”, informou, aproveitando para falar sobre o futuro do presidente Lula: “Não diria que ele encerrará a sua vida política. Lula é um político profissional, eu não sou. Não vivo da política. Dou aulas, palestras, publico livros. Ele, há 30 anos só faz política”, disse. “Ele vive dizendo que, quando sair não vai morar na França e nos Estados Unidos. Diz isso porque não sabe que eu vivo aqui”, completou.
ALCKMIN NO ATAQUE
O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de abrir ação penal contra os 40 denunciados no esquema do mensalão atinge o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “É o governo Lula quem está no banco dos réus. Isso é óbvio, pois tudo aconteceu dentro do governo”, avaliou, após participar de um evento que discutiu o voto distrital, na capital paulista. Segundo Alckmin, o STF acende uma luz de esperança no Brasil contra a impunidade e em prol da moralização da política brasileira. “Nasce aí uma esperança de mudar o quadro de desencanto e desalento que perpassa por toda a sociedade.” Com relação ao envolvimento de ex-dirigentes do PT na denúncia acatada pelo STF, ele argumentou: “Essas coisas não acontecem de forma isolada, existe toda uma teia.”