antigas Publicado: 20/08/2007 | 09:58

CUT vai avaliar se legislador é "contrário ao trabalhador'

GUSTAVO PATU
Folha de S. Paulo

"Rótulo" pode aparecer em material de divulgação

Prima-irmã do PT e uma das principais fornecedoras de quadros para a administração federal, a Central Única dos Trabalhadores ameaça carimbar como "contrários aos trabalhadores" deputados e senadores que apóiem alguns dos principais projetos do governo Luiz Inácio Lula da Silva.


Levarão essa pecha os parlamentares que não responderem a contento uma enquete sobre 15 temas, preparada pela CUT como parte da mobilização que a entidade promoveu na semana passada, em Brasília -onde boa parte de seus ex-dirigentes e fundadores já está instalada há alguns anos, a começar pelo próprio presidente da República.


Nem o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), principal bandeira do segundo mandato, sai ileso. Para a central, o projeto que limita o crescimento dos gastos com pessoal nos três Poderes, uma das propostas prioritárias do pacote, deve ser simplesmente retirado do Congresso.


O mesmo destino é defendido para o recém-anunciado projeto que recicla idéias do tucanato e cria as fundações estatais de direito privado, apresentado pelo ministro Paulo Bernardo -um antigo companheiro de lutas no sindicato dos bancários, hoje instalado no Planejamento- como saída para as deficiências de gestão na administração pública.


Algumas posições cobradas dos deputados e senadores são menos específicas, mas muito mais ambiciosas. Os pró-trabalhadores, de acordo com a CUT, devem trabalhar por "mudanças na política econômica, com redução dos juros e do superávit primário".


Também precisam defender "aumento real de salário para todos os trabalhadores", ainda que seja difícil imaginar como o Congresso Nacional poderia promovê-lo.


"Salientamos que aqueles parlamentares que não responderem à enquete serão computados e amplamente divulgados em materiais da CUT como "contrários aos trabalhadores"", orienta comunicado da central às sucursais estaduais encarregadas de aplicar o questionário.


Artur Henrique, presidente da central, não vê contradição entre o apoio a Lula -limitado à campanha eleitoral, ressalta- e o combate a propostas de seu governo. A CUT é autônoma, afirma, independentemente de um de seus antecessores, Luiz Marinho, ocupar hoje a Previdência, depois de ter passado pelo Trabalho.


O sindicalista não quer classificar o governo como "contrário" ou "favorável" aos trabalhadores. "Há propostas do governo que são contrárias aos trabalhadores e há propostas que são favoráveis", responde. No último caso, o único exemplo claro na enquete é o veto presidencial à chamada emenda 3, que protegia os contratos de prestação de serviços por profissionais liberais na condição de pessoa jurídica.

GUSTAVO PATU
Folha de S. Paulo

"Rótulo" pode aparecer em material de divulgação

Prima-irmã do PT e uma das principais fornecedoras de quadros para a administração federal, a Central Única dos Trabalhadores ameaça carimbar como "contrários aos trabalhadores" deputados e senadores que apóiem alguns dos principais projetos do governo Luiz Inácio Lula da Silva.


Levarão essa pecha os parlamentares que não responderem a contento uma enquete sobre 15 temas, preparada pela CUT como parte da mobilização que a entidade promoveu na semana passada, em Brasília -onde boa parte de seus ex-dirigentes e fundadores já está instalada há alguns anos, a começar pelo próprio presidente da República.


Nem o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), principal bandeira do segundo mandato, sai ileso. Para a central, o projeto que limita o crescimento dos gastos com pessoal nos três Poderes, uma das propostas prioritárias do pacote, deve ser simplesmente retirado do Congresso.


O mesmo destino é defendido para o recém-anunciado projeto que recicla idéias do tucanato e cria as fundações estatais de direito privado, apresentado pelo ministro Paulo Bernardo -um antigo companheiro de lutas no sindicato dos bancários, hoje instalado no Planejamento- como saída para as deficiências de gestão na administração pública.


Algumas posições cobradas dos deputados e senadores são menos específicas, mas muito mais ambiciosas. Os pró-trabalhadores, de acordo com a CUT, devem trabalhar por "mudanças na política econômica, com redução dos juros e do superávit primário".


Também precisam defender "aumento real de salário para todos os trabalhadores", ainda que seja difícil imaginar como o Congresso Nacional poderia promovê-lo.


"Salientamos que aqueles parlamentares que não responderem à enquete serão computados e amplamente divulgados em materiais da CUT como "contrários aos trabalhadores"", orienta comunicado da central às sucursais estaduais encarregadas de aplicar o questionário.


Artur Henrique, presidente da central, não vê contradição entre o apoio a Lula -limitado à campanha eleitoral, ressalta- e o combate a propostas de seu governo. A CUT é autônoma, afirma, independentemente de um de seus antecessores, Luiz Marinho, ocupar hoje a Previdência, depois de ter passado pelo Trabalho.


O sindicalista não quer classificar o governo como "contrário" ou "favorável" aos trabalhadores. "Há propostas do governo que são contrárias aos trabalhadores e há propostas que são favoráveis", responde. No último caso, o único exemplo claro na enquete é o veto presidencial à chamada emenda 3, que protegia os contratos de prestação de serviços por profissionais liberais na condição de pessoa jurídica.