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Publicado: 17/08/2007 | 11:10
Servidor público participa mais de ações políticas
Alberto Carlos Almeida
Valor Econômico
Valor Econômico
Neste momento em que a Câmara dos Deputados discute a aprovação, ou não, de um "trem da alegria" que efetivaria aproximadamente 300 mil funcionários públicos, a maioria sem concurso, cabe saber que os funcionários públicos participam mais da política do que os autônomos e os empregados com carteira assinada.
Mais do que um terço dos funcionários públicos já participou de greve, ante somente 16% dos empregados com carteira assinada e 14% dos autônomos. A diferença é muito grande, mais do que o dobro.
É bem compreensível que seja assim. Não há demissões no serviço público para os grevistas, ao passo que aqueles que trabalham no setor privado têm sempre sobre a cabeça a espada da possível demissão.
Mais greves?
Greves, muitas vezes, estão associadas a manifestações. Em geral contra o governo. Também nesta modalidade de participação política, os funcionários públicos são os vencedores: 31% já fez isso, o porcentual é de 20% para os empregados com carteira assinada e 17% para os autônomos.
Mais funcionários públicos significa necessariamente mais greves? Obviamente não. O mercado de trabalho brasileiro é muito grande para que seja sentido, em termo de participação política, o impacto da incorporação de 300 mil funcionários públicos.
Sabe-se, porém, ao se considerar as experiências de diversos países europeus, que os governos mais à esquerda tendem a aumentar os gastos com o funcionalismo público em um ritmo maior do que os governos mais à direita. Assim, é de esperar que a máquina estatal brasileira fique mais numerosa, quanto a seus funcionários, depois de um longo e sucessivo período de governos de esquerda.
Como decorrência, teremos, no futuro, uma massa maior de pessoas que poderão ser mobilizadas para greves e manifestações. Estarão lá, disponíveis, prontas para ser mobilizadas pelas elites sindicais.
Outro fato importante decorrente destes dados é que a disputa pela liderança dos "sindicatos de funcionários públicos" é a disputa por greves não punidas, por manifestações em horário de trabalho sem corte de ponto e coisas correlatas.
Poder alterado
Assim, é muito compreensível a disputa entre vários partidos pela liderança sindical; mais do que isso, é compreensível, porque as centrais sindicais no Brasil, com o decorrer dos anos, tiveram seu poder interno alterado em favor das elites advindas da máquina estatal. Foi-se o tempo que o ABC paulista era o grande gerador de líderes sindicais nacionais. Agora, isso depende mais do setor público e, no longo prazo, dos sucessivos "trens da alegria".
Alberto Carlos Almeida, diretor de Planejamento da Ipsos Public Affairs e autor de "Por Que Lula?" (Record).
Alberto Carlos Almeida
Valor Econômico
Valor Econômico
Neste momento em que a Câmara dos Deputados discute a aprovação, ou não, de um "trem da alegria" que efetivaria aproximadamente 300 mil funcionários públicos, a maioria sem concurso, cabe saber que os funcionários públicos participam mais da política do que os autônomos e os empregados com carteira assinada.
Mais do que um terço dos funcionários públicos já participou de greve, ante somente 16% dos empregados com carteira assinada e 14% dos autônomos. A diferença é muito grande, mais do que o dobro.
É bem compreensível que seja assim. Não há demissões no serviço público para os grevistas, ao passo que aqueles que trabalham no setor privado têm sempre sobre a cabeça a espada da possível demissão.
Mais greves?
Greves, muitas vezes, estão associadas a manifestações. Em geral contra o governo. Também nesta modalidade de participação política, os funcionários públicos são os vencedores: 31% já fez isso, o porcentual é de 20% para os empregados com carteira assinada e 17% para os autônomos.
Mais funcionários públicos significa necessariamente mais greves? Obviamente não. O mercado de trabalho brasileiro é muito grande para que seja sentido, em termo de participação política, o impacto da incorporação de 300 mil funcionários públicos.
Sabe-se, porém, ao se considerar as experiências de diversos países europeus, que os governos mais à esquerda tendem a aumentar os gastos com o funcionalismo público em um ritmo maior do que os governos mais à direita. Assim, é de esperar que a máquina estatal brasileira fique mais numerosa, quanto a seus funcionários, depois de um longo e sucessivo período de governos de esquerda.
Como decorrência, teremos, no futuro, uma massa maior de pessoas que poderão ser mobilizadas para greves e manifestações. Estarão lá, disponíveis, prontas para ser mobilizadas pelas elites sindicais.
Outro fato importante decorrente destes dados é que a disputa pela liderança dos "sindicatos de funcionários públicos" é a disputa por greves não punidas, por manifestações em horário de trabalho sem corte de ponto e coisas correlatas.
Poder alterado
Assim, é muito compreensível a disputa entre vários partidos pela liderança sindical; mais do que isso, é compreensível, porque as centrais sindicais no Brasil, com o decorrer dos anos, tiveram seu poder interno alterado em favor das elites advindas da máquina estatal. Foi-se o tempo que o ABC paulista era o grande gerador de líderes sindicais nacionais. Agora, isso depende mais do setor público e, no longo prazo, dos sucessivos "trens da alegria".
Alberto Carlos Almeida, diretor de Planejamento da Ipsos Public Affairs e autor de "Por Que Lula?" (Record).
