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Publicado: 6/08/2007 | 10:40
Ministério estuda aliviar tributos de papéis de renda fixa
Folha de S. Paulo
Fazenda discute com grandes investidores institucionais medidas para aumentar transações com títulos privados
Investidores costumam ficar com os papéis até a data de vencimento para evitar pagar 22,5% de IR, o que inibe mercado secundário
O Ministério da Fazenda decidiu chamar grandes investidores institucionais, como bancos e fundos de investimentos, para discutir como aumentar o número de negócios com títulos da dívida privada no mercado financeiro.
Hoje, a maioria desses papéis é comprada apenas no momento da emissão da dívida, que depois segue nas carteiras de fundos e bancos até o vencimento. A idéia é dar liquidez para a comercialização desses títulos entre as instituições financeiras sem ter de esperar o vencimento -o chamado mercado secundário, que hoje é mais desenvolvido na área de papéis da dívida pública.
Um dos fatores que dificultam a negociação no mercado secundário de títulos é a alíquota decrescente do Imposto de Renda sobre os rendimentos, de acordo com o tempo do investimento, que estimula as instituições financeiras a ficarem com os papéis em carteira por um longo prazo.
Para resgate em até seis meses, a alíquota em vigor é de 22,5%, a mais alta; entre seis meses e um ano, cai para 20%; entre um e dois anos, vigora o IR de 17,5%; acima de dois anos, cai para 15%, a menor faixa.
Segundo Antonio Carlos Teixeira, presidente da Cetip (Câmara de Custódia e Liquidação), a maior câmara de compensação da América Latina, autoridades e técnicos do Ministério da Fazenda admitem que o imposto de renda decrescente restringe as transações de papéis de renda fixa. Ele afirma que a possibilidade de perda de arrecadação segue como o maior entrave às mudanças.
"Há um consenso de que o sistema atual de taxação para os bônus dos investidores está desestimulando a negociação desses títulos no mercado secundário", disse Teixeira. "Mas o efeito colateral [na arrecadação] claramente se mantém como uma preocupação."
Além do Imposto de Renda, os investimentos em renda fixa estão sujeitos também à CPMF e ao IOF, o que eleva o custo da venda de títulos após um curto período de manutenção do investimento. O BIS (Banco de Compensações Internacionais) disse em junho que o volume de títulos negociados no Brasil é ainda pequeno devido a impostos e a outras distorções.
Teixeira não identificou as autoridades e os executivos envolvidos nas negociações nem quantas reuniões manteve com autoridades do governo para tratar do assunto. A Cetip compensa diariamente R$ 20 bilhões em papéis de renda fixa.
Barreiras
Segundo o secretário da Receita, Jorge Rachid, o Congresso deve prorrogar a CPMF por mais quatro anos. Rachid reconheceu que as condições impostas para os investidores estrangeiros operarem no país, como registro e exigências fiduciárias, podem funcionar como uma barreira aos negócios no momento em que o país se aproxima de obter classificação de "grau de investimento", um selo de bom pagador, das agências de classificação de risco.
Em fevereiro do ano passado, o governo editou por meio de medida provisória a isenção de IR para investidores estrangeiros que comprarem títulos públicos em reais no país. O objetivo era abrir espaço para uma queda maior das taxas de juros.
As vendas de títulos da dívida privada, como debêntures e notas compromissadas, chegaram a R$ 21,72 bilhões no primeiro semestre deste ano, o maior volume desde pelo menos 1997. O mercado de renda fixa brasileiro, cresceu rapidamente desde os anos 1990 devido ao crescimento da economia, à queda da inflação e ao recuo de juros.
Folha de S. Paulo
Fazenda discute com grandes investidores institucionais medidas para aumentar transações com títulos privados
Investidores costumam ficar com os papéis até a data de vencimento para evitar pagar 22,5% de IR, o que inibe mercado secundário
O Ministério da Fazenda decidiu chamar grandes investidores institucionais, como bancos e fundos de investimentos, para discutir como aumentar o número de negócios com títulos da dívida privada no mercado financeiro.
Hoje, a maioria desses papéis é comprada apenas no momento da emissão da dívida, que depois segue nas carteiras de fundos e bancos até o vencimento. A idéia é dar liquidez para a comercialização desses títulos entre as instituições financeiras sem ter de esperar o vencimento -o chamado mercado secundário, que hoje é mais desenvolvido na área de papéis da dívida pública.
Um dos fatores que dificultam a negociação no mercado secundário de títulos é a alíquota decrescente do Imposto de Renda sobre os rendimentos, de acordo com o tempo do investimento, que estimula as instituições financeiras a ficarem com os papéis em carteira por um longo prazo.
Para resgate em até seis meses, a alíquota em vigor é de 22,5%, a mais alta; entre seis meses e um ano, cai para 20%; entre um e dois anos, vigora o IR de 17,5%; acima de dois anos, cai para 15%, a menor faixa.
Segundo Antonio Carlos Teixeira, presidente da Cetip (Câmara de Custódia e Liquidação), a maior câmara de compensação da América Latina, autoridades e técnicos do Ministério da Fazenda admitem que o imposto de renda decrescente restringe as transações de papéis de renda fixa. Ele afirma que a possibilidade de perda de arrecadação segue como o maior entrave às mudanças.
"Há um consenso de que o sistema atual de taxação para os bônus dos investidores está desestimulando a negociação desses títulos no mercado secundário", disse Teixeira. "Mas o efeito colateral [na arrecadação] claramente se mantém como uma preocupação."
Além do Imposto de Renda, os investimentos em renda fixa estão sujeitos também à CPMF e ao IOF, o que eleva o custo da venda de títulos após um curto período de manutenção do investimento. O BIS (Banco de Compensações Internacionais) disse em junho que o volume de títulos negociados no Brasil é ainda pequeno devido a impostos e a outras distorções.
Teixeira não identificou as autoridades e os executivos envolvidos nas negociações nem quantas reuniões manteve com autoridades do governo para tratar do assunto. A Cetip compensa diariamente R$ 20 bilhões em papéis de renda fixa.
Barreiras
Segundo o secretário da Receita, Jorge Rachid, o Congresso deve prorrogar a CPMF por mais quatro anos. Rachid reconheceu que as condições impostas para os investidores estrangeiros operarem no país, como registro e exigências fiduciárias, podem funcionar como uma barreira aos negócios no momento em que o país se aproxima de obter classificação de "grau de investimento", um selo de bom pagador, das agências de classificação de risco.
Em fevereiro do ano passado, o governo editou por meio de medida provisória a isenção de IR para investidores estrangeiros que comprarem títulos públicos em reais no país. O objetivo era abrir espaço para uma queda maior das taxas de juros.
As vendas de títulos da dívida privada, como debêntures e notas compromissadas, chegaram a R$ 21,72 bilhões no primeiro semestre deste ano, o maior volume desde pelo menos 1997. O mercado de renda fixa brasileiro, cresceu rapidamente desde os anos 1990 devido ao crescimento da economia, à queda da inflação e ao recuo de juros.