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Publicado: 26/07/2007 | 09:55
Diplomatas convocados
Claudio Dantas Sequeira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
SEGREDO DE ESTADO
Luiz Couto, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, apresentará requerimento de audiência para ouvir integrantes do Ciex do Itamaraty
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Luiz Couto (PT-PB), quer convocar audiência pública para ouvir os diplomatas que trabalharam no Centro de Informações do Exterior (Ciex). Conforme o Correio revelou, em uma série de reportagens publicadas nesta semana, o Itamaraty operou entre 1966 e 1985 um serviço secreto destinado a monitorar no exterior os brasileiros contrários à ditadura. Couto apresentará requerimento de audiência logo na primeira semana de agosto, quando termina o recesso parlamentar.
A convocação será feita com base na lista de diplomatas identificados pela reportagem como diretores do Ciex: Marcos Henrique Camillo Côrtes, João Carlos Pessoa Fragoso, Agildo Sellos de Moura, Sérgio Damasceno Vieira, Carlos Luzilde Hildebrandt e Jacques Vieira Guilbaud — o único que está na ativa. Os diplomatas-agentes Paulo Sérgio Nery e Octavio J. de A. Goulart morreram em 1979 e 2004, respectivamente. A maior expectativa é sobre o que poderia revelar o embaixador aposentado Manoel Pio Corrêa, que admitiu ser responsável por criar o serviço secreto do Itamaraty.
Aos 90 anos, Pio Corrêa vive no Rio de Janeiro, onde possui um escritório de consultoria para a iniciativa privada. O deputado federal Luiz Couto pondera que a iniciativa não é “revanchismo, mas de contribuir com a História brasileira”. “Queremos ouvir esses diplomatas. É uma grande oportunidade de passarmos isso tudo a limpo”, defende. A Comissão de Direitos Humanos não dispõe da prerrogativa de intimação. Sendo assim, os diplomatas podem se negar a comparecer.
Documentos
Para o presidente da comissão, a desculpa de que os documentos secretos da perseguição foram destruídos não cola mais. “A descoberta do arquivo secreto, sobre a participação do Itamaraty na ditadura, prova que ainda há muita informação escondida”, avalia. A Comissão de Direitos Humanos também questiona suposta omissão de informações do Itamaraty, ante a determinação da Casa Civil para que todos os ministérios civis e militares encaminhassem toda sua documentação disponível sobre o período para catalogação no Arquivo Nacional.
A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores garante que todos os documentos disponíveis foram “devidamente encaminhados” em fevereiro de 2006. Mas quem conferiu a papelada diz que só chegaram os informes produzidos pela Divisão de Segurança de Informações (DSI), órgão criado por decreto em 1967, com o objetivo de perseguir diplomatas de ideologia comunista ou que ajudassem brasileiros perseguidos pela ditadura.
Claudio Dantas Sequeira
Correio Braziliense
Correio Braziliense
SEGREDO DE ESTADO
Luiz Couto, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, apresentará requerimento de audiência para ouvir integrantes do Ciex do Itamaraty
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Luiz Couto (PT-PB), quer convocar audiência pública para ouvir os diplomatas que trabalharam no Centro de Informações do Exterior (Ciex). Conforme o Correio revelou, em uma série de reportagens publicadas nesta semana, o Itamaraty operou entre 1966 e 1985 um serviço secreto destinado a monitorar no exterior os brasileiros contrários à ditadura. Couto apresentará requerimento de audiência logo na primeira semana de agosto, quando termina o recesso parlamentar.
A convocação será feita com base na lista de diplomatas identificados pela reportagem como diretores do Ciex: Marcos Henrique Camillo Côrtes, João Carlos Pessoa Fragoso, Agildo Sellos de Moura, Sérgio Damasceno Vieira, Carlos Luzilde Hildebrandt e Jacques Vieira Guilbaud — o único que está na ativa. Os diplomatas-agentes Paulo Sérgio Nery e Octavio J. de A. Goulart morreram em 1979 e 2004, respectivamente. A maior expectativa é sobre o que poderia revelar o embaixador aposentado Manoel Pio Corrêa, que admitiu ser responsável por criar o serviço secreto do Itamaraty.
Aos 90 anos, Pio Corrêa vive no Rio de Janeiro, onde possui um escritório de consultoria para a iniciativa privada. O deputado federal Luiz Couto pondera que a iniciativa não é “revanchismo, mas de contribuir com a História brasileira”. “Queremos ouvir esses diplomatas. É uma grande oportunidade de passarmos isso tudo a limpo”, defende. A Comissão de Direitos Humanos não dispõe da prerrogativa de intimação. Sendo assim, os diplomatas podem se negar a comparecer.
Documentos
Para o presidente da comissão, a desculpa de que os documentos secretos da perseguição foram destruídos não cola mais. “A descoberta do arquivo secreto, sobre a participação do Itamaraty na ditadura, prova que ainda há muita informação escondida”, avalia. A Comissão de Direitos Humanos também questiona suposta omissão de informações do Itamaraty, ante a determinação da Casa Civil para que todos os ministérios civis e militares encaminhassem toda sua documentação disponível sobre o período para catalogação no Arquivo Nacional.
A assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores garante que todos os documentos disponíveis foram “devidamente encaminhados” em fevereiro de 2006. Mas quem conferiu a papelada diz que só chegaram os informes produzidos pela Divisão de Segurança de Informações (DSI), órgão criado por decreto em 1967, com o objetivo de perseguir diplomatas de ideologia comunista ou que ajudassem brasileiros perseguidos pela ditadura.