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Publicado: 19/07/2007 | 09:42
Arrecadação cresce 10% e bate recorde no 1º semestre
FERNANDO NAKAGAWA
Folha de S. Paulo
Folha de S. Paulo
Receita arrecadou R$ 284,5 bi entre janeiro e junho, R$ 5 bi a mais que o previsto
Órgão do governo diz não acreditar que expansão de dois dígitos se repita neste semestre; para professor da UnB, recorde é esperado
A carga tributária federal bateu novo recorde no primeiro semestre. A arrecadação de R$ 284,5 bilhões superou em 10%, já descontada a variação da inflação, o valor do mesmo período do ano passado. O resultado, diz o órgão, ficou R$ 5 bilhões acima do previsto no Decreto de Programação Orçamentária.
O resultado é atribuído a decisões judiciais a favor do governo, expansão da economia e aumento da venda do controle acionário de empresas.
Mesmo com os números recordes, a Receita mantém discurso conservador e diz que ainda não é possível afirmar que o avanço de dois dígitos vai se repetir no segundo semestre.
"O semestre foi centrado em pontos que podem não se repetir, como depósitos judiciais e lucratividade das empresas", afirma o coordenador-geral de análises da Receita, Raimundo Eloi de Carvalho.
Ele explica a tese ao lembrar que mais de 20% da receita extra veio de depósitos judiciais, que ultrapassaram R$ 1 bilhão. Outro fator importante é a venda do controle de empresas. No período, R$ 1,9 bilhão -cifra 186,7% superior à de igual período de 2006- foi arrecadado com o ganho de capital nessas operações. Segundo Carvalho, poucas transações geraram esse valor, o que reduz a chance de isso acontecer novamente.
O discurso é exatamente o oposto ao do professor da UnB Vander Mendes. Para ele, os dados do semestre já permitem apostar em novo recorde da carga tributária em 2007. "É de se esperar, porque a pressão tributária tem crescido, e as desonerações não surtem efeito."
Ele diz que o peso dos impostos na economia -que atingiu 34,5% em 2006- só cairá quando o Estado for menor. "Para financiar tudo isso, só com mais e mais arrecadação. Se não fecharmos essa torneira, vai ser difícil mudar o quadro."
Importados e carros
No semestre, importados e veículos chamaram a atenção da Receita. Com o dólar baixo, a compra de produtos fabricados em outros países aumentou, e a arrecadação seguiu a mesma trajetória. O Imposto de Importação e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) vinculado a esses produtos foram responsáveis por R$ 8,9 bilhões -alta de 18,6%.
Já o forte crescimento da venda de carros gerou impacto em vários tributos. O IPI de automóveis teve aumento real de 9,1% e o específico de caminhões e ônibus saltou 64,8%. Com vendas crescentes, o setor aumentou os lucros, e o IR pago por essas empresas cresceu 99,1% no primeiro semestre.
FERNANDO NAKAGAWA
Folha de S. Paulo
Folha de S. Paulo
Receita arrecadou R$ 284,5 bi entre janeiro e junho, R$ 5 bi a mais que o previsto
Órgão do governo diz não acreditar que expansão de dois dígitos se repita neste semestre; para professor da UnB, recorde é esperado
A carga tributária federal bateu novo recorde no primeiro semestre. A arrecadação de R$ 284,5 bilhões superou em 10%, já descontada a variação da inflação, o valor do mesmo período do ano passado. O resultado, diz o órgão, ficou R$ 5 bilhões acima do previsto no Decreto de Programação Orçamentária.
O resultado é atribuído a decisões judiciais a favor do governo, expansão da economia e aumento da venda do controle acionário de empresas.
Mesmo com os números recordes, a Receita mantém discurso conservador e diz que ainda não é possível afirmar que o avanço de dois dígitos vai se repetir no segundo semestre.
"O semestre foi centrado em pontos que podem não se repetir, como depósitos judiciais e lucratividade das empresas", afirma o coordenador-geral de análises da Receita, Raimundo Eloi de Carvalho.
Ele explica a tese ao lembrar que mais de 20% da receita extra veio de depósitos judiciais, que ultrapassaram R$ 1 bilhão. Outro fator importante é a venda do controle de empresas. No período, R$ 1,9 bilhão -cifra 186,7% superior à de igual período de 2006- foi arrecadado com o ganho de capital nessas operações. Segundo Carvalho, poucas transações geraram esse valor, o que reduz a chance de isso acontecer novamente.
O discurso é exatamente o oposto ao do professor da UnB Vander Mendes. Para ele, os dados do semestre já permitem apostar em novo recorde da carga tributária em 2007. "É de se esperar, porque a pressão tributária tem crescido, e as desonerações não surtem efeito."
Ele diz que o peso dos impostos na economia -que atingiu 34,5% em 2006- só cairá quando o Estado for menor. "Para financiar tudo isso, só com mais e mais arrecadação. Se não fecharmos essa torneira, vai ser difícil mudar o quadro."
Importados e carros
No semestre, importados e veículos chamaram a atenção da Receita. Com o dólar baixo, a compra de produtos fabricados em outros países aumentou, e a arrecadação seguiu a mesma trajetória. O Imposto de Importação e o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) vinculado a esses produtos foram responsáveis por R$ 8,9 bilhões -alta de 18,6%.
Já o forte crescimento da venda de carros gerou impacto em vários tributos. O IPI de automóveis teve aumento real de 9,1% e o específico de caminhões e ônibus saltou 64,8%. Com vendas crescentes, o setor aumentou os lucros, e o IR pago por essas empresas cresceu 99,1% no primeiro semestre.