antigas Publicado: 16/07/2007 | 08:46

A nova promessa de Lula ao PMDB

Daniel Pereira
Correio Braziliense

Para acalmar aliados, presidente prepara nomeação de indicados do partido a cargos em estatais

Ciente da insatisfação dos partidos governistas com a demora para preenchimento de cargos de segundo escalão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu a articuladores políticos realizar nesta semana a primeira leva de nomeações para diretorias de estatais do setor elétrico. Preocupado com a paralisia de projetos considerados essenciais, como a prorrogação da CPMF, Lula está disposto a anunciar os agraciados mesmo se não definir antes o novo ministro de Minas e Energia.

O rateio é aguardado com ansiedade por integrantes da coalizão. PT e PMDB travam disputa renhida pelos postos, com direito a duelos internos nas legendas. As proporções do embate estão à altura das cifras em jogo. O orçamento para investimento das estatais do setor elétrico neste ano é de R$ 44,64 bilhões, cerca de 90% do total reservado para todas as estatais. “A gritaria é geral. PT, PMDB, PCdoB, PDT, ninguém agüenta mais a demora”, diz a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).

Os petistas comandam a Petrobras. Presidida por José Sérgio Gabrielli, a empresa foi responsável por R$ 10 bilhões dos R$ 11 bilhões investidos por estatais entre janeiro e abril, segundo a Associação Contas Abertas. Além de manter Gabrielli no posto, o partido trabalha nos bastidores para tomar o controle da Eletrobrás do PMDB. Desde janeiro, a presidência da Eletrobrás é exercida interinamente pelo diretor de Engenharia da estatal, Valter Luiz Cardeal de Souza.

Sucessor do ex-deputado Aloísio Vasconcelos (PMDB-MG), Cardeal deveria ser sucedido por um peemedebista indicado pelo grupo do Senado, capitaneado por José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Deveria, dizem os petistas, que apostam no prestígio de Cardeal com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para mantê-lo no posto. O cargo era ocupado pelo PMDB. Vamos defender nossas indicações, avisa o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Jucá nega que a crise envolvendo Calheiros tenha enfraquecido o grupo na disputa. Informa que são dois os nomes sugeridos a Lula para presidir a Eletrobrás, mas não os revela. Precedentes recentes justificam a precaução. Ainda está viva na memória peemedebista a avalanche de denúncias que impediu a posse do deputado federal Odílio Balbinotti (PR) no Ministério da Agricultura. “Não fizemos indicação política. Queremos realmente um quadro com o melhor perfil técnico”, afirma Jucá.

Se confirmada a declaração, trata-se de uma mudança de filosofia. O plano inicial do PMDB era indicar o atual presidente da Eletronorte, Carlos Nascimento, para a Eletrobrás e abrir espaço para que o ex-senador Luiz Otávio (PA) assumisse a primeira das duas estatais. Acusado de corrupção e vetado pela Câmara para assumir uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU), Otávio foi vetado pelo Palácio do Planalto.

Presidida interinamente pelo diretor técnico Ronaldo dos Santos Custódio, a Eletrosul também é alvo de disputa. O PMDB da Câmara quer emplacar o ex-governador de Santa Catarina Paulo Afonso. Pelo menos outros dois nomes estão no páreo. Ambos do PT. Do grupo majoritário do partido, Ideli trabalha pelo ex-deputado federal Jorge Boeira. Outra corrente, dita mais à esquerda, defende o ex-presidente da Eletrosul Milton Mendes. “O Boeira não é unanimidade dentro do partido”, reconhece a senadora.

Deputados têm lista de pedidos

A idéia inicial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva era nomear presidentes e diretores de estatais do setor elétrico só depois de escolher o novo ministro de Minas e Energia. A estratégia, no entanto, foi atropelada pelos fatos. Destaque para o início de rebelião nos partidos aliados. Na semana passada, o governo perdeu votações secundárias na Câmara. Além disso, não conseguiu convencer a bancada do PMDB do Rio a votar a proposta que prorroga a CPMF na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Integrantes da bancada, o presidente da CCJ, Leonardo Picciani, e o relator do projeto, Eduardo Cunha, defendem a nomeação do secretário de Cultura do Estado do Rio, Luiz Paulo Conde, para a presidência de Furnas. A estatal tem R$ 1 bilhão para investir neste ano. Auxiliares do presidente acusam Cunha de dificultar a tramitação do texto a fim de garantir a posse de Conde. Denunciam chantagem. “Qualquer interpretação nesse sentido é maldosa”, reage Cunha.

Além de Paulo Afonso e Conde, o PMDB da Câmara também indicou o ex-diretor comercial da BR Distribuidora João Augusto Rezende Henriques para diretor da Área Internacional da Petrobras. Henriques já enfrenta resistência. Bastou ser anunciado para circular a informação de que foi alvo de investigação pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Peemedebistas juram que o caso está esclarecido e debitam o ressurgimento das suspeitas de irregularidades na conta do PT, que também está de olho na mesma diretoria da Petrobras. (DP)

 Impasse atrasa investimentos

Os integrantes da coalizão governista têm o apoio da iniciativa privada para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a preencher os cargos de segundo escalão. Mas por um motivo diferente. Segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, a indefinição sobre os diretores de estatais inibe os investimentos. Uma estrela petista com carreira na área concorda. “Depois o presidente ainda diz que quer fazer o país crescer.”

Para a líder petista no Senado, Ideli Salvatti (SC), os partidos precisam negociar para reduzir a disputa. A lógica é a seguinte: quem for derrotado no setor elétrico ganha cadeira, por exemplo, nos bancos públicos, e vice-versa. “Mesmo que tenha tensão, todo mundo sabe que haverá compensações”, diz Ideli. Os petistas dão como certa a nomeação do ex-senador José Eduardo Dutra (SE) para a presidência da BR Distribuidora. A atual ocupante do posto, Maria das Graças Foster, seria remanejada para uma diretoria da Petrobras ou uma secretaria do Ministério de Minas e Energia.

“O que não se resolve resolvido está”, declara Ideli, em tentativa de conter a ansiedade de petistas e aliados. “Para não mencionar outro dito em moda nos aeroportos”, acrescenta, referindo-se ao “relaxa e goza” eternizado na voz da ministra do Turismo, Marta Suplicy. (DP)

Daniel Pereira
Correio Braziliense

Para acalmar aliados, presidente prepara nomeação de indicados do partido a cargos em estatais

Ciente da insatisfação dos partidos governistas com a demora para preenchimento de cargos de segundo escalão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu a articuladores políticos realizar nesta semana a primeira leva de nomeações para diretorias de estatais do setor elétrico. Preocupado com a paralisia de projetos considerados essenciais, como a prorrogação da CPMF, Lula está disposto a anunciar os agraciados mesmo se não definir antes o novo ministro de Minas e Energia.

O rateio é aguardado com ansiedade por integrantes da coalizão. PT e PMDB travam disputa renhida pelos postos, com direito a duelos internos nas legendas. As proporções do embate estão à altura das cifras em jogo. O orçamento para investimento das estatais do setor elétrico neste ano é de R$ 44,64 bilhões, cerca de 90% do total reservado para todas as estatais. “A gritaria é geral. PT, PMDB, PCdoB, PDT, ninguém agüenta mais a demora”, diz a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).

Os petistas comandam a Petrobras. Presidida por José Sérgio Gabrielli, a empresa foi responsável por R$ 10 bilhões dos R$ 11 bilhões investidos por estatais entre janeiro e abril, segundo a Associação Contas Abertas. Além de manter Gabrielli no posto, o partido trabalha nos bastidores para tomar o controle da Eletrobrás do PMDB. Desde janeiro, a presidência da Eletrobrás é exercida interinamente pelo diretor de Engenharia da estatal, Valter Luiz Cardeal de Souza.

Sucessor do ex-deputado Aloísio Vasconcelos (PMDB-MG), Cardeal deveria ser sucedido por um peemedebista indicado pelo grupo do Senado, capitaneado por José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Deveria, dizem os petistas, que apostam no prestígio de Cardeal com a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para mantê-lo no posto. O cargo era ocupado pelo PMDB. Vamos defender nossas indicações, avisa o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Jucá nega que a crise envolvendo Calheiros tenha enfraquecido o grupo na disputa. Informa que são dois os nomes sugeridos a Lula para presidir a Eletrobrás, mas não os revela. Precedentes recentes justificam a precaução. Ainda está viva na memória peemedebista a avalanche de denúncias que impediu a posse do deputado federal Odílio Balbinotti (PR) no Ministério da Agricultura. “Não fizemos indicação política. Queremos realmente um quadro com o melhor perfil técnico”, afirma Jucá.

Se confirmada a declaração, trata-se de uma mudança de filosofia. O plano inicial do PMDB era indicar o atual presidente da Eletronorte, Carlos Nascimento, para a Eletrobrás e abrir espaço para que o ex-senador Luiz Otávio (PA) assumisse a primeira das duas estatais. Acusado de corrupção e vetado pela Câmara para assumir uma vaga de ministro no Tribunal de Contas da União (TCU), Otávio foi vetado pelo Palácio do Planalto.

Presidida interinamente pelo diretor técnico Ronaldo dos Santos Custódio, a Eletrosul também é alvo de disputa. O PMDB da Câmara quer emplacar o ex-governador de Santa Catarina Paulo Afonso. Pelo menos outros dois nomes estão no páreo. Ambos do PT. Do grupo majoritário do partido, Ideli trabalha pelo ex-deputado federal Jorge Boeira. Outra corrente, dita mais à esquerda, defende o ex-presidente da Eletrosul Milton Mendes. “O Boeira não é unanimidade dentro do partido”, reconhece a senadora.

Deputados têm lista de pedidos

A idéia inicial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva era nomear presidentes e diretores de estatais do setor elétrico só depois de escolher o novo ministro de Minas e Energia. A estratégia, no entanto, foi atropelada pelos fatos. Destaque para o início de rebelião nos partidos aliados. Na semana passada, o governo perdeu votações secundárias na Câmara. Além disso, não conseguiu convencer a bancada do PMDB do Rio a votar a proposta que prorroga a CPMF na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Integrantes da bancada, o presidente da CCJ, Leonardo Picciani, e o relator do projeto, Eduardo Cunha, defendem a nomeação do secretário de Cultura do Estado do Rio, Luiz Paulo Conde, para a presidência de Furnas. A estatal tem R$ 1 bilhão para investir neste ano. Auxiliares do presidente acusam Cunha de dificultar a tramitação do texto a fim de garantir a posse de Conde. Denunciam chantagem. “Qualquer interpretação nesse sentido é maldosa”, reage Cunha.

Além de Paulo Afonso e Conde, o PMDB da Câmara também indicou o ex-diretor comercial da BR Distribuidora João Augusto Rezende Henriques para diretor da Área Internacional da Petrobras. Henriques já enfrenta resistência. Bastou ser anunciado para circular a informação de que foi alvo de investigação pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Peemedebistas juram que o caso está esclarecido e debitam o ressurgimento das suspeitas de irregularidades na conta do PT, que também está de olho na mesma diretoria da Petrobras. (DP)

 Impasse atrasa investimentos

Os integrantes da coalizão governista têm o apoio da iniciativa privada para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a preencher os cargos de segundo escalão. Mas por um motivo diferente. Segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, a indefinição sobre os diretores de estatais inibe os investimentos. Uma estrela petista com carreira na área concorda. “Depois o presidente ainda diz que quer fazer o país crescer.”

Para a líder petista no Senado, Ideli Salvatti (SC), os partidos precisam negociar para reduzir a disputa. A lógica é a seguinte: quem for derrotado no setor elétrico ganha cadeira, por exemplo, nos bancos públicos, e vice-versa. “Mesmo que tenha tensão, todo mundo sabe que haverá compensações”, diz Ideli. Os petistas dão como certa a nomeação do ex-senador José Eduardo Dutra (SE) para a presidência da BR Distribuidora. A atual ocupante do posto, Maria das Graças Foster, seria remanejada para uma diretoria da Petrobras ou uma secretaria do Ministério de Minas e Energia.

“O que não se resolve resolvido está”, declara Ideli, em tentativa de conter a ansiedade de petistas e aliados. “Para não mencionar outro dito em moda nos aeroportos”, acrescenta, referindo-se ao “relaxa e goza” eternizado na voz da ministra do Turismo, Marta Suplicy. (DP)