Destaques, Notícias Publicado: 23/10/2026 | 06:09

Ameaça ao Serviço Público: Diretor da CSPB alerta para impactos de um eventual 'Tesouraço' de Flávio Bolsonaro e a substituição de 12 milhões de servidores por IA



Em entrevista ao vivo ao Jornal Metrópoles, João Paulo Ribeiro "JP" criticou a agenda econômica atribuída a Flávio Bolsonaro e Daniella Marques, que propõe cortes severos e ignora o fator humano no atendimento à população



Em entrevista ao vivo prestada ao programa Agora Metrópoles, do Jornal Metrópoles, o Diretor de Relações Institucionais da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB, João Paulo Ribeiro “JP”, externou profunda preocupação com as diretrizes econômicas e políticas sinalizadas para o setor público. Durante a sabatina conduzida pelo apresentador Rafael Campos e pelo comentarista Mateus Leitão, o dirigente sindical analisou o posicionamento de Daniella Marques — apontada como possível escolha para comandar o Ministério da Economia em uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL) —, denunciando a absoluta ausência de propostas voltadas ao fortalecimento dos serviços públicos e à valorização dos trabalhadores.


Clique AQUI e assista à íntegra da entrevista que se inicia às 2 horas, 13 minutos e 37 segundos do vídeo. Adiante para assessar a participação do dirigente da CSPB 
 
 
Substituição por Inteligência Artificial (IA) e a “ilusão tecnológica”
 
Uma das declarações mais polêmicas abordadas na entrevista refere-se à proposta de substituir servidores públicos por soluções de Inteligência Artificial (IA). Para o diretor da CSPB, a medida reflete desconhecimento sobre a estrutura operacional do Estado brasileiro. JP ressaltou que as inovações tecnológicas já vêm sendo incorporadas pelo funcionalismo federal de forma produtiva — citando como exemplo a atuação dos servidores do Banco Central no desenvolvimento do Pix —, mas ponderou que os avanços técnicos devem servir como apoio ao trabalho prestado, e não como instrumento de descarte da força de trabalho humana.
 
O líder sindical enfatizou que áreas cruciais como saúde e educação dependem estritamente do contato humano e da presença física de profissionais. Além disso, ressaltou a realidade infraestrutural do país: diversas regiões remotas do Brasil ainda não dispõem sequer de conectividade básica para suportar serviços digitais automatizados, tornando a ideia de substituição integral por IA uma proposição inviável que resultaria em precarização e desassistência à sociedade.
 
 
O "Tesouraço" fiscal e a réplica do modelo argentino
 
A entrevista também recuperou a agenda de severa retração do Estado inspirada na experiência argentina de Javier Milei — caracterizada por demissões em massa e pelo fechamento de órgãos públicos —, modelo ao qual Flávio Bolsonaro já fez referência ao mencionar a intenção de promover um "tesouraço" de cortes no orçamento público brasileiro.
 
Comentando sobre declarações que envolvem o contingente de 12 milhões de trabalhadores, JP alertou para a gravidade dos números colocados em debate. O diretor da CSPB esclareceu que a cifra de 12 milhões abrange a totalidade dos servidores públicos efetivos em atividade no Brasil, somando as três esferas federativas (municipal, estadual e federal) e os três Poderes. O dirigente indagou se o objetivo do plano econômico seria dizimar a força de trabalho que assegura o funcionamento diário das políticas públicas no país.
 
 
Falta de diálogo e desmonte de direitos
 
JP recordou o histórico de descontinuidade de espaços formais de negociação com o funcionalismo, citando o período subsequente ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, quando a Mesa Permanente de Negociação do Setor Público Federal foi desativada, resultando em anos de congelamento salarial e ausência de diretrizes pactuadas.
 
O representante da CSPB destacou ainda que Flávio Bolsonaro destacou-se negativamente durante a campanha eleitoral ao ser o único candidato à Presidência da República que se recusou a responder ao questionário de cinco perguntas encaminhado pelas entidades representativas dos servidores públicos.
 
Ao encerrar sua participação no programa, transmitindo fraterno abraço em nome do presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos, JP reafirmou a disposição da Confederação em combater propostas que atentem contra o patrimônio público e reforçou que qualquer modernização do Estado exige escuta ativa, diálogo institucional e respeito irrestrito aos servidores que salvam vidas e garantem os direitos da população
 
 
Secom/CSPB