Destaques, Notícias, Notícias Internacionais Publicado: 25/09/2026 | 05:47

CSPB participa de encontro internacional e destaca luta permanente em defesa da Previdência Social



Em Buenos Aires, Wagner José de Souza acompanha mobilização histórica de aposentados e defende união internacional pela valorização da Previdência e dos direitos de aposentados e pensionistas



A Confederação dos Servidores Públicos do Brasil - CSPB está representada no 1º Encontro de Aposentados e Pensionistas das Américas, realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, em Buenos Aires, na Argentina. Promovido pela Confederação Latino-Americana e Caribenha de Trabalhadores Estatais (CLATE) e pela União Internacional de Sindicatos (UIS) de Aposentados e Pensionistas, o encontro reúne representantes de organizações de diferentes países sob o lema “A Previdência Social que queremos”.

Representando a CSPB, o Diretor de Política dos Profissionais da Saúde e Segurança no Trabalho, Wagner José de Souza, participou, na noite de 23 de setembro, de uma mobilização que simboliza a resistência dos aposentados argentinos (saiba mais). Segundo líder sindical, a manifestação marcou a realização da 1.800ª marcha, promovida durante 34 anos, tradicionalmente às terças-feiras, para reivindicar direitos, melhores condições de vida e reajustes para aposentados e pensionistas.

“Aposentado nunca se aposenta: continua participando, protestando e lutando por seus direitos”, avalia o representante da CSPB.

Para Wagner, a longevidade da mobilização demonstra que a conquista da aposentadoria não encerra a necessidade de organização e luta social.

“1.800 marchas não é brincadeira. Eu vi aposentados de 70, 80 anos presentes. É necessário lutar. É necessário se aposentar, mas a luta continua. Ela é para sempre, porque os benefícios têm que ser sempre atualizados.”



O dirigente da CSPB também destacou a importância da Convenção nº 102 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece normas internacionais de seguridade social, e defendeu que os sistemas previdenciários sejam estruturados de forma a garantir condições dignas de subsistência para aposentados e pensionistas.

Na avaliação de Wagner, o desafio previdenciário ultrapassa as fronteiras nacionais e exige articulação entre trabalhadores e organizações sindicais de diferentes países.

“Todos os países têm uma Constituição e a Constituição fala sobre a questão da Previdência. Os países que ratificaram a Convenção 102 tentaram fazer uma Previdência que possa fazer com que o aposentado e o pensionista subsistam, mas precisamos discutir se esse padrão atende realmente às necessidades de quem vive da aposentadoria”, questionou.


Financiamento e sustentabilidade

Ao compartilhar a experiência brasileira com representantes de outros países latino-americanos, Wagner também chamou a atenção para a necessidade de ampliar as fontes de financiamento da Previdência Social.

O dirigente defendeu que setores econômicos que exploram riquezas naturais e grandes atividades produtivas contribuam de maneira mais efetiva para o sistema previdenciário. Também apontou a necessidade de cobrança de débitos previdenciários e de mecanismos que garantam que parte da riqueza gerada no país seja destinada à proteção social.

“A Previdência precisa ser alimentada. De que jeito? Com os pagamentos daqueles que devem, cobrando de quem deve à Previdência, e fazendo com que a exploração dos recursos naturais, seja minério ou petróleo, também contribua para o sistema.”

Para Wagner, o desafio é complexo, mas existem caminhos para garantir maior sustentabilidade ao sistema.

“É difícil? É. Mas não é impossível, desde que a lei exista.”



A participação da CSPB no encontro reforça a importância da cooperação sindical internacional na defesa da Previdência Social, da valorização dos aposentados e pensionistas e da construção de políticas públicas capazes de assegurar proteção social e dignidade durante toda a vida.

A mobilização acompanhada por Wagner em Buenos Aires, com milhares de aposentados mantendo há décadas sua presença nas ruas, tornou-se, segundo o dirigente, um exemplo concreto de que a aposentadoria não representa o fim da participação cidadã — mas uma nova etapa da luta pela garantia de direitos.
 

Secom/CSPB