Publicado: 18/03/2014 | 12:26

Opinião: ESTADÃO’ & VENEZUELA O bê-a-bá da manipulação

Onda de violência por setores da oposição na Venezuela marca uma das grandes manipulações midiáticas dos últimos anos. O artigo de O Estado de S. Paulo, Dilma Degrada a Diplomacia de 13/3, é uma das mais recentes e escandalosas evidências disso. 

“Ô, Lobato: mas se todos aprenderem a ler e escrever, quem vai pegar na enxada?” (do proprietário do jornal O Estado de S. Paulo, quando o escritor propôs campanha para erradicar o analfabetismo no Brasil)

A onda de violência por setores da oposição na Venezuela marca uma das grandes manipulações midiáticas dos últimos anos. O artigo de O Estado de S. Paulo, Dilma Degrada a Diplomacia de 13/3, é uma das mais recentes e escandalosas evidências disso. Por outro lado, a reviravolta contra-golpista promovida pelo governo e pela sociedade venezuelana, altamente apoiados em democracia em seu sentido mais amplo, também marca o que se pode chamar de uma das maiores trapalhadas do regime de Washington e da própria mídia de desinformação que, cada vez mais, tem que "se virar" para fazer as indisfarçáveis vezes de porta-voz da Casa Branca, e seguir desconstruindo a realidade social, política e econômica da Venezuela.

Retórica, persuasão, superficialidade, fortes adjetivos "pendurados" (fora de contexto, sem base em fatos), reação. É muitas vezes difícil ao cidadão filtrar aquilo lê nos meios de comunicação, identificar o que é verdadeiro e o que não é por mais que se tenha consciência do papel nada informativo nem democrático da "grande" mídia.

À época da ditadura militar, os jornais brasileiros proibiam seus profissionais de usar o termo "povo". Dever-se-ia aplicar "população" ou "sociedade" em seu lugar. Em grande parte, prevalece ainda hoje a máxima para esse caso específico, assim como diversas outras táticas do uso de palavras melhores escolhidas pelas elites. Ou seja: a mídia "grande" possui seu manual não divulgado de como jogar com as palavras, é cuidadosa ao persuadir e profunda conhecedora, como poucos, da arte da neurolinguística e com objetivos bem claros. Sua primazia e lições diárias, aliás, são muito mais de neurolinguística que de jornalismo, sem comparação.

A partir de 1º/3 nos Estados Unidos, um "apagão" informativo sobre a Venezuela tem acometido os principais veículos de comunicação, após uma entusiasmada explosão de artigos e "reportagens" nos dias anteriores quando a incerteza tomava conta do país sul-americano. Desde 28/2 estava claro que a violenta oposição venezuelana perdia espaço, evidenciava-se que não se tratava de manifestação estudantil e que o governo local sim, acusado de repressivo pela imprensa internacional, estava sendo vítima de ataques e de uma tentativa de golpe. Tudo isso, complicando a falsa abordagem midiática. As medidas pacíficas do presidente Nicolás Maduro com apoio das massas seguidos do natural desconcerto oposicionista que espera como resposta repressão, mais violência e caos, colocam a mídia de manipulação de massas na berlinda.

A Revolução demonizada pela mídia comercial

Pontuar-se-á aqui as distorções do jornalão paulista no referido mini-artigo. Tal análise tentará proporcionar maior entendimento sobre o que ocorre na Venezuela além de servir não apenas para que se detecte, em cima da verdade dos fatos, como se dá o tendencionismo envolvendo o que ocorre no país vizinho por parte dos meios de persuasão de massas, mas também para expor como se pratica tal manipulação - foi exatamente através dos recursos a serem apresentados a seguir que a mídia distorceu e tentou pautar as manifestações populares no Brasil em 2013, deu sinal verde à vergonhosa invasão ao Iraque em 2003, ao golpe contra a própria Venezuela em 2002 financiado por George Bush, e promoveu o infame golpe militar de 1964 no Brasil levando aos sangrentos 21 anos de ditadura que o seguiram, apenas para se limitar a quatro exemplos.

A fim de praticar a superficialidade que escancara as portas à persuasão na apresentação de "reportagens" e de artigos, ambos levando à velha e sutil desinformação das massas, a escusa midiática apoia-se na "era das facilidades e da rapidez", isto é, a da Internet. Ser um leitor "moderno e dinâmico" é, dentro desse precário sistema, sinônimo de ler as "rapidinhas" midiáticas, verdades absolutas.

Lamentavelmente e sem perceber a armadilha, muitos consumidores de informação estão se adaptando perfeitamente a esta "praticidade", pateticidade que retira a necessidade fundamental do rigor jornalístico ao abordar as informações, da investigação e da necessidade de pensar, de questionar e de ter memória. Isso também torna possível que, cada vez mais, consumidores de informação sejam pensados pela mídia ao invés de pensá-la, e de refletir sobre o país e o mundo em que vivem. Isso tudo é o que o poder corruptamente estabelecido sempre mais quis para a sociedade.

Mais abaixo, um pouco dos fatos mais recentes envolvendo a Venezuela para, em seguida, esquadrinhar-se o jornal O Estado no que diz respeito à tentativa de golpe de Estado contra o país vizinho.

Antes, contudo, um pouco dos acontecimentos mais recentes na Venezuela, indispensáveis para uma melhor contextualização da realidade (completamente diferente da apresentada diariamente pela "grande" mídia, como ficará bem claro uma vez mais).

Ao final, breve análise do papel dos Estados Unidos na geopolítica latino-americana e um pouco mais do que é a Revolução Bolivariana, demonizada pela mídia comercial.

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Fonte: observatoriodaimprensa.com