antigas Publicado: 15/06/2009 | 09:58

Ícone do peleguismo cobrou Geisel por morte de Manoel Fiel Filho

 Nos preparativos de seu 11º Congresso - que acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de junho - o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo localizou telegrama do ex-presidente da entidade Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, protestando contra o assassinato do operário Manoel Fiel Filho, no Doi-Codi, em 17 de janeiro de 1976.

No telegrama, datado de 20 de janeiro daquele ano, Joaquinzão - um dos maiores ícones do sindicalismo transigente e conciliador no Brasil - denuncia a violência contra presos políticos e cobra do general Ernesto Geisel, presidente da República (1974-1979), providência na apuração e punição dos responsáveis.

A mensagem lembra a morte ocorrida três dias antes, em repetição ao "lamentável episódio registrado mês de outubro de 1975 morte do jornalista Wladimir Herzog".

Joaquinzão manifestou "veemente protesto pelo ocorrido" e cobrou "enérgicas e imediatas providências" para "apuração dos fatos e punição rigorosa seus responsáveis".

O telegrama ainda pede que o general-presidente impeça os presos políticos de continuarem sendo submetidos a "constrangimento e violência", enfatizando que que as torturas merecem "repúdio do povo brasileiro".

Para Miguel Torres, atual presidente do sindicato, o documento revela a coragem de Joaquinzão num momento de grande tensão e de riscos para quem se opunha ao regime.

Ele lembra que a morte de Fiel Filho levou Geisel a exonerar o então comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Mello.

Já o colunista Mauricio Dias, da CartaCapital, classifica o telegrama, "cuidadosamente calculado", como "uma novidade para quem se interessa pela história do movimento operário no período militar".

Segundo Dias, "a iniciativa do sindicalista, que levou para o túmulo, em 1997, a pecha de pelego e sabujo da ditadura, é uma surpresa".

O telegrama é um dos destaques da exposição fotográfica e de documentos que o sindicato inaugura na quarta-feira (17), durante a abertura do 11º Congresso dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

No encerramento do encontro, dois dias depois, familiares de Manoel Fiel Filho receberão placa em homenagem ao operário, que era sócio do sindicato desde 1956. (Fontes: Agência Sindical e CartaCapital, no Vermelho)

 Nos preparativos de seu 11º Congresso - que acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de junho - o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo localizou telegrama do ex-presidente da entidade Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, protestando contra o assassinato do operário Manoel Fiel Filho, no Doi-Codi, em 17 de janeiro de 1976.

No telegrama, datado de 20 de janeiro daquele ano, Joaquinzão - um dos maiores ícones do sindicalismo transigente e conciliador no Brasil - denuncia a violência contra presos políticos e cobra do general Ernesto Geisel, presidente da República (1974-1979), providência na apuração e punição dos responsáveis.

A mensagem lembra a morte ocorrida três dias antes, em repetição ao "lamentável episódio registrado mês de outubro de 1975 morte do jornalista Wladimir Herzog".

Joaquinzão manifestou "veemente protesto pelo ocorrido" e cobrou "enérgicas e imediatas providências" para "apuração dos fatos e punição rigorosa seus responsáveis".

O telegrama ainda pede que o general-presidente impeça os presos políticos de continuarem sendo submetidos a "constrangimento e violência", enfatizando que que as torturas merecem "repúdio do povo brasileiro".

Para Miguel Torres, atual presidente do sindicato, o documento revela a coragem de Joaquinzão num momento de grande tensão e de riscos para quem se opunha ao regime.

Ele lembra que a morte de Fiel Filho levou Geisel a exonerar o então comandante do II Exército, general Ednardo D'Ávila Mello.

Já o colunista Mauricio Dias, da CartaCapital, classifica o telegrama, "cuidadosamente calculado", como "uma novidade para quem se interessa pela história do movimento operário no período militar".

Segundo Dias, "a iniciativa do sindicalista, que levou para o túmulo, em 1997, a pecha de pelego e sabujo da ditadura, é uma surpresa".

O telegrama é um dos destaques da exposição fotográfica e de documentos que o sindicato inaugura na quarta-feira (17), durante a abertura do 11º Congresso dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

No encerramento do encontro, dois dias depois, familiares de Manoel Fiel Filho receberão placa em homenagem ao operário, que era sócio do sindicato desde 1956. (Fontes: Agência Sindical e CartaCapital, no Vermelho)