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Publicado: 15/06/2009 | 09:54
Juros bancários ao consumidor chegam a 246% aa; Selic é 9,25%
Um verdadeiro abismo ainda separa os juros básicos da economia, estipulado pelo Governo Federal por meio da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), das taxas cobradas pelas instituições financeiras ao consumidor.
Mesmo com a redução da taxa Selic para 9,25% ao ano, nível mais baixo desde sua criação em 1986, os bancos ainda cobram às pessoas físicas juros que podem chegar 246,24% ao ano. Principal responsável por esta diferença entre a taxa Selic e os juros cobrados, o spred bancário (diferença entre a Selic e os juros bancários) teve uma redução de somente 2,5% entre janeiro e abril de 2009. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a estimativa é que a taxa de juros tenha caído num percentual de 4,7% neste período, sendo 9,1% para as pessoas físicas e 1,9% para as pessoas jurídicas. Segundo os especialistas em finanças, a redução nos juros cobrados pelos bancos é insuficiente e ainda não faz uma diferença efetiva no bolso do consumidor brasileiro. De qualquer forma, já há o que comemorar: a avaliação é que os recentes cortes na taxa básica dos juros não são conjunturais. E nos próximos anos deverão chegar ao crédito ao consumidor final. De acordo com Andrew Storfer, diretor de economia e finanças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o rompimento da barreira dos dois dígitos da taxa Selic representa um ganho para todos os setores da economia. "É uma medida que beneficia o Governo, que despenderá menos no pagamento dos juros da dívida pública; o consumidor, que ganha com a redução paulatina do spread bancário; e as empresas, que terão acesso a melhores condições de financiamento e empréstimos", explica ele. No entanto, o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Alexandre Sá, ressalta que existem entraves que ainda mantém Brasil com o terceiro maior juro real do mundo. Ele cita a oferta e procura intensa por crédito como um dos principais fatores que sustentam o spred no patamar atual. "Mesmo com juros altos, o brasileiro continua tomando crédito na praça e se endividando", explica. O empréstimo contingenciado também é considerado um complicador: "Todo banco é obrigado a conceder crédito para setores como a agricultura com taxas subsidiadas. Com isso, quem paga a diferença são os outros tomadores de empréstimo". Com os cortes na Selic, a tendência é de ampliação dos prazos de pagamento e redução dos juros cobrados ao consumidor. Os financiamentos de longo prazo, como o do crédito imobiliário e de bens duráveis, deverão ser os primeiros a sentir os efeitos. "A compra de veículos, imóveis e o crédito consignado deverão ter uma redução mais significante. Estes são créditos seguros e dão rentabilidade aos bancos", explica Andrew Storfer, da Anefac. Já para o consumidor que usa o cheque especial ou toma empréstimos para pagamento num prazo curto, a queda na Selic é insignificante. "Em que interfere uma queda de um ponto percentual para quem paga mais de 100% de juros ao ano?", questiona o professor Carlos Alexandre Sá. Para Carlos Amaral, presidente da Federação do Comércio do estado da Bahia (Fecomércio), o setor deverá ser um dos principais beneficiados com redução da Selic, que deve repercutir nas taxas do crediário e no crédito direto ao consumidor. "É um estímulo ao setor. Se compararmos com o patamar de alguns anos atrás, é uma redução considerável. Pode não ser o desejável, mas dá mais conforto ao consumidor que compra a prazo". De acordo com o professor Alcides Leite, quem sai ganhando é a economia produtiva do País. "As pessoas que terão mais acesso ao crédito, e empresas, mais recursos disponíveis para fazer negócios", afirmou.
Um verdadeiro abismo ainda separa os juros básicos da economia, estipulado pelo Governo Federal por meio da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), das taxas cobradas pelas instituições financeiras ao consumidor.
Mesmo com a redução da taxa Selic para 9,25% ao ano, nível mais baixo desde sua criação em 1986, os bancos ainda cobram às pessoas físicas juros que podem chegar 246,24% ao ano. Principal responsável por esta diferença entre a taxa Selic e os juros cobrados, o spred bancário (diferença entre a Selic e os juros bancários) teve uma redução de somente 2,5% entre janeiro e abril de 2009. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a estimativa é que a taxa de juros tenha caído num percentual de 4,7% neste período, sendo 9,1% para as pessoas físicas e 1,9% para as pessoas jurídicas. Segundo os especialistas em finanças, a redução nos juros cobrados pelos bancos é insuficiente e ainda não faz uma diferença efetiva no bolso do consumidor brasileiro. De qualquer forma, já há o que comemorar: a avaliação é que os recentes cortes na taxa básica dos juros não são conjunturais. E nos próximos anos deverão chegar ao crédito ao consumidor final. De acordo com Andrew Storfer, diretor de economia e finanças da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o rompimento da barreira dos dois dígitos da taxa Selic representa um ganho para todos os setores da economia. "É uma medida que beneficia o Governo, que despenderá menos no pagamento dos juros da dívida pública; o consumidor, que ganha com a redução paulatina do spread bancário; e as empresas, que terão acesso a melhores condições de financiamento e empréstimos", explica ele. No entanto, o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Alexandre Sá, ressalta que existem entraves que ainda mantém Brasil com o terceiro maior juro real do mundo. Ele cita a oferta e procura intensa por crédito como um dos principais fatores que sustentam o spred no patamar atual. "Mesmo com juros altos, o brasileiro continua tomando crédito na praça e se endividando", explica. O empréstimo contingenciado também é considerado um complicador: "Todo banco é obrigado a conceder crédito para setores como a agricultura com taxas subsidiadas. Com isso, quem paga a diferença são os outros tomadores de empréstimo". Com os cortes na Selic, a tendência é de ampliação dos prazos de pagamento e redução dos juros cobrados ao consumidor. Os financiamentos de longo prazo, como o do crédito imobiliário e de bens duráveis, deverão ser os primeiros a sentir os efeitos. "A compra de veículos, imóveis e o crédito consignado deverão ter uma redução mais significante. Estes são créditos seguros e dão rentabilidade aos bancos", explica Andrew Storfer, da Anefac. Já para o consumidor que usa o cheque especial ou toma empréstimos para pagamento num prazo curto, a queda na Selic é insignificante. "Em que interfere uma queda de um ponto percentual para quem paga mais de 100% de juros ao ano?", questiona o professor Carlos Alexandre Sá. Para Carlos Amaral, presidente da Federação do Comércio do estado da Bahia (Fecomércio), o setor deverá ser um dos principais beneficiados com redução da Selic, que deve repercutir nas taxas do crediário e no crédito direto ao consumidor. "É um estímulo ao setor. Se compararmos com o patamar de alguns anos atrás, é uma redução considerável. Pode não ser o desejável, mas dá mais conforto ao consumidor que compra a prazo". De acordo com o professor Alcides Leite, quem sai ganhando é a economia produtiva do País. "As pessoas que terão mais acesso ao crédito, e empresas, mais recursos disponíveis para fazer negócios", afirmou.