O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central  surpreendeu para pior ao "corrigir" em 0,75 ponto a taxa básica de juros (Selic), que subiu para 13%, a taxa mais elevada em 18 meses. As duas "correções" anteriores tinham sido de 0,5 ponto percentual. Trabalhadores se concentraram em vigília de protesto diante das sedes do BC em Brasília e cinco capitais brasileiras, por "menos juros, mais desenvolvimento", mas os membros do Copom não deram ouvidos ao seu clamor." />
Destaques Publicado: 24/07/2008 | 10:02

COPOM ELEVA TAXA DE JUROS PARA 13%

Foto: Site UGTO Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central  surpreendeu para pior ao "corrigir" em 0,75 ponto a taxa básica de juros (Selic), que subiu para 13%, a taxa mais elevada em 18 meses. As duas "correções" anteriores tinham sido de 0,5 ponto percentual. Trabalhadores se concentraram em vigília de protesto diante das sedes do BC em Brasília e cinco capitais brasileiras, por "menos juros, mais desenvolvimento", mas os membros do Copom não deram ouvidos ao seu clamor.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central  surpreendeu para pior ao "corrigir" em 0,75 ponto a taxa básica de juros (Selic), que subiu para 13%, a taxa mais elevada em 18 meses. As duas "correções" anteriores tinham sido de 0,5 ponto percentual. Trabalhadores se concentraram em vigília de protesto diante das sedes do BC em Brasília e cinco capitais brasileiras, por "menos juros, mais desenvolvimento", mas os membros do Copom não deram ouvidos ao seu clamor. 

 

Segundo os membros do Copom, formado por sete diretores do Banco Central, foi preciso elevar a taxa para conter o aumento do consumo interno e manter a inflação o mais próximo possível do centro da meta de 4,5% ao ano. A decisão foi unânime.

 

1,75 ponto em três meses

"Avaliando o cenário macroeconômico e com vistas a promover tempestivamente a convergência da inflação para a trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 13,00% ao ano sem viés", diz o lacônico comunicado divulgado após o encontro, como de praxe. A ata da reunião só será conhecida em 31 de julho, quinta-feira da próxima semana.

 

Sob o argumento de que é necessário manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) o BC vem elevado sucessivamente os juros para satisfazer os banqueiros às custas da redução do crescimento da economia e da geração de empregos.  

 

O presidente da CGTB, Wagner,  enfatizou a palavra de ordem “Fora, Meirelles!” para registrar que o presidente do BC era um representante dos banqueiros no governo Lula. “Esta campanha vai continuar e se for preciso faremos uma marcha a Brasília para exigir a saída de Meirelles da presidência do BC e a redução dos juros”, afirmou. O presidente da CTB também elogiou a unidade das centrais sindicais neste importante movimento.
 

NCST
O representante da NCST, Luís Gonçalves — o Luisinho —, disse que este ato foi fundamental para impulsionar um movimento unificado contra a política de juros altos. Ele enfatizou que a garantia de empregos e distribuição de renda só é possível com a redução dos juros. Segundo ele, a NCST está com a campanha do “Pleno Emprego” nas ruas e o combate aos juros alto é parte fundamental desta luta.

 

Ato das Centrais

O afastamento do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e a mudança na política econômica foram os principais pontos destacados no ato das centrais sindicais ontem (23), em São Paulo.

 

Sequência de aumentos 

Na última reunião, no início de junho, o Copom havia aumentado a taxa de juros de 11,75% para 12,25% ao ano. Em abril, a alta foi também de meio ponto percentual, com a taxa passando de 11,25% para 11,75%. Antes, desde setembro do ano passado, a taxa básica de juros (chamada de Selic porque remunera os títulos depositados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia) estava estacionada em 11,25%.

 

Ortodoxia extremada

A ata desta reunião será divulgada em 31 de julho, quinta-feira da próxima semana, às 8h30. A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 9 e 10 de setembro. Depois, serão outras duas até o fim do ano, em outubro e em dezembro.

 

A sucessão de aumentos de 2008 é a terceira que a Selic sobe no Governo Lula – as outras foram nos primeiros meses do Governo e em 2004-2005 – mas só primeira delas usou elevações tão drásticas. O Brasil permanece com uma das mais altas taxas de juros do mundo, como mostra o gráfico acima.

 

A recente onda inflacionária de alimentos, que atinge o mundo e também o Brasil, dividiu as opiniões sobre a taxa de juros. Mesmo na ala desenvolvimentista do pensamento econômico e da equipe do Governo Lula, uma parcela passou a admitir a necessidade de elevar a Selic, enquanto outra defende um combate à inflação focado no aumento da oferta de alimentos. A decisão desta quarta, porém, mais uma vez colocou o Copom na extrema direita do leque de opiniões sobre o tema.

 

Mobilização das Centrais 

Em reunião realizada na sede nacional da CTB, na cidade de São Paulo, na última sexta-feira (18), representantes da Força Sindical, UGT, CGTB e NCST decidiram promover um ato em frente à sede paulista do Banco Central (BC) no dia 23 de julho. A CUT não enviou representante, mas será contatada e provavelmente participará do ato.

 

A data foi escolhida por ser o dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciará a decisão de sua reunião para definir a taxa básica de juros, a Selic. 

 

Há uma convicção no pensamento político e econômico brasileiro avançado de que o Brasil vive uma rara oportunidade de adentrar em um ciclo de desenvolvimento duradouro, com ritmos e índices compatíveis com seu porte e necessidades. Esse mesmo pensamento faz o alerta de que esta oportunidade está sendo sufocada pela vigência de uma política macroeconômica que, ao fixar juros estratosféricos, superávits fiscais elevados e uma política cambial nociva às exportações, obstaculiza o desenvolvimento duradouro.

 

A principal ferramenta desta tendência conservadora é a manipulação da taxa básica de juros, a Selic, pelo BC, que ameaça manter o país preso ao velho círculo vicioso de crescimento, contração e estagnação. Este alerta é emitido de toda parte — exceto dos banqueiros, dos especuladores nacionais e estrangeiros, que multiplicam a cada ano seus ganhos fabulosos. Os juros altos afetam a demanda por produtos, a capacidade de financiamento da indústria e a decisão de investimento.

 

Mesmo diante desse vigoroso coro nacional pelo desenvolvimento, o "mercado" já pré-anuncia, por meio da mídia, que o Copom vai, uma vez mais, aumentar a taxa de juros. A justificativa do "mercado" e do Copom para tais aumentos já deixou de ser, de tão surrada, argumento para se tornar uma ladainha. A cada reunião da "autoridade monetária", ela eleva os juros "devido o aumento dos preços", aos riscos de não se cumprir as metas de inflação.

 

A chantagem do Copom

De nada tem adiantado a opinião de inúmeros economistas que demonstram cabalmente que os juros altos servem para combater a "inflação de demanda" (causada pela falta de produtos no mercado ou pelo excesso na capacidade de compra da população).

 

Como se sabe, é evidente que no Brasil atual nem há falta de produtos, tampouco a população anda com os bolsos cheios para provocar uma febre de consumo. Segundo diferentes estudos, a pressão inflacionária não é de demanda, e sim causada por diferentes outros fatores — principalmente de natureza externa, como a alta dos alimentos e do petróleo, além da queda dólar.

 

O Copom chantageia com o risco nunca tecnicamente descartado de volta da inflação. Explora o imaginário de um povo traumatizado pela carestia. "Fabrica" uma dicotomia entre expansão econômica e estabilidade. Mas tal discurso vai revelando sua inconsistência. As metas de inflação, ditas por vozes gabaritadas como exageradas, vão se apresentando como uma cortina de fumaça. A questão é: o Copom está de olho nas metas de inflação ou com corpo inteiro atado "às metas da banca, ao apetite insaciável dos especuladores?"

 

Trabalhadores não podem se calar

Na prática, essa política de juros altos serve apenas aos interesses de uma minoria — os 20 mil clãs de famílias que especulam com os títulos da dívida, segundo revelou, em 2005, um estudo do economista Marcio Pochmann.

 

Nos últimos 20 anos, afirma, "houve a transferência acumulada de R$ 1,2 trilhão ao ciclo da financeirização por intermédio do pagamento de juros aos ricos que detêm a posse dos títulos públicos", diz Pochmann.

  

O Copom foi fundado no Governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), em junho de 1996. Desde então tem se mantido como reduto do fundamentalismo monetarista, prejudicando o desenvolvimento nacional em nome de um suposto rigor no combate à inflação.

 

Nota das Centrais

Os trabalhadores não irão, mais uma vez, “pagar o pato” do combate à inflação pela via do aumento da taxa de juros.

 

Sabemos que o juro elevado pune os trabalhadores com o desaquecimento da economia, com o desemprego, com as restrições ao crédito, exatamente quando o país necessita de incentivos à indústria e à agricultura para produzir mais e mais barato para o povo. Manter a taxa de juros nas alturas, como quer Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, só favorece a especulação financeira e abarrota os cofres dos bancos.

 

As centrais sindicais querem uma política orientada ao desenvolvimento, ao crescimento da economia e a valorização do trabalho, através da geração de empregos com salários dignos e melhores condições de trabalho. É por isso que dizemos:

 

• Os trabalhadores não vão pagar o pato!

 

• Menos juros, mais desenvolvimento!

 

CGTB - CTB - Força Sindical - NCST - UGT 

 

 

Fonte: Vermelho, NCST, DIAP, UGT e CTB

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