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Destaques Publicado: 1/02/2008 | 10:02

GOVERNO FIXARÁ TETO PARA JUROS

Decreto que regulamentará empréstimos com desconto na folha dos servidores federais também vai possibilitar aos bancos privados oferecer esse tipo de crédito. Medida deve ser divulgada nos próximos dias.

O governo vai fixar um teto para os juros cobrados no empréstimo consignado para os servidores públicos federais — conforme já ocorre com os aposentados e pensionistas do INSS, cuja taxa máxima é de 2,64% ao mês. A decisão foi tomada quarta-feira numa reunião entre o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fará parte do decreto a ser baixado nos próximos dias para aumentar o controle sobre esse tipo de operação.

Além disso, o governo resolveu permitir que as entidades abertas de previdência complementar continuem a operar essa modalidade de crédito, que também será aberto aos bancos privados. Atualmente, somente as instituições oficiais (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) podem oferecer o crédito com desconto em folha aos servidores federais.

O grupo de trabalho criado em outubro pelo Ministério do Planejamento para aperfeiçoar o sistema, depois de fraudes detectadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), tinha decidido que somente os bancos teriam autorização para conceder empréstimos consignados à categoria, o que excluiria as entidades de previdência e representativas de classe.

Mas, diante da enorme pressão das entidades, principalmente as de previdência, o governo recuou. A quantidade de instituições credenciadas (1.350) a realizar esse tipo de operação — incluindo descontos para planos de saúde, seguro de vida, dentre outros — foi um dos motivos apontados pelo TCU para a proliferação de fraudes.

As discussões sobre a nova regulamentação do crédito consignado para os servidores públicos, que vão orientar as alterações no decreto 4.961/222004, estão sendo mantidas em sigilo para evitar pressões, segundo o próprio ministério, por envolver uma soma considerável de recursos. Só a folha do Executivo, que tem 1,3 milhão de funcionários, entre ativos, inativos e pensionistas, gira em R$ 3 bilhões por mês. São R$ 300 milhões em empréstimo à categoria mensalmente.

Segundo um técnico envolvido nas discussões, o governo chegou a pensar em restringir os empréstimos às instituições que fazem o pagamento dos funcionários. Mas foi aconselhado a desistir da idéia sob pena de ser acusado de estar protegendo determinados bancos.

Atualmente, a única imposição aos servidores públicos na obtenção do empréstimo é a margem de comprometimento de renda de 30%. Não há limite de juros nem de prazo de parcelamento. Para os aposentados, além do teto, o prazo de pagamento foi fixado em 60 parcelas, no máximo. A decisão de limitar a taxa para o INSS foi tomada em junho de 2006. Na ocasião, o governo enfrentou os bancos e impôs um percentual de 2,9% ao mês, enquanto a taxa média cobrada estava em 3,14%.

Cartão
O Banco do Brasil (BB) anunciou ontem que passará a oferecer o crédito consignado via cartão de crédito aos beneficiários do INSS. Eles podem comprometer 10% da renda nessa modalidade e mais 20% no empréstimo convencional. O teto fixado para o cartão é de 3,7% ao mês. No BB, a taxa será de 2,9% ao mês e a expectativa é emitir 350 mil cartões este ano. Segundo o Ministério da Previdência, até agora o mercado é disputado por BMG, Cacique, Bradesco, Cruzeiro do Sul, GE, Panamericano e Schahin.

Os juros são abusivos porque o risco do consignado é praticamente inexistente. Além disso, há muitas instituições tamboretes, criadas só para oferecer o empréstimo, que não têm nem funcionários.

Fonte: Correio Braziliense


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