GOVERNO PROMETE SER MAIS DURO COM GREVISTAS
As negociações entre o governo e cerca de 100 mil grevistas tendem a ficar mais difíceis.
O governo promete ser mais rígido com os servidores públicos que estão em greve. Além do orçamento apertado e as despesas com pessoal, há ainda os reajustes concedidos na primeira gestão do presidente Luis Inácio Lula da Silva, que reduziram a diferença entre os salários mais altos e mais baixos de 18 pra nove vezes, de acordo com dados do Ministério do Planejamento. O governo também concedeu aumentos que chegam a 500% para servidores das universidades federais e do Ibama.
O Orçamento da União prevê que os gastos com servidores para este ano será em torno de R$ 118,1 bilhões, o que equivale a dez vezes mais que o reservado para investimentos. Os aumentos de 170% concedidos entre 2003 e 2006, para as “carreiras de Estado”, transformaram cerca de 40 mil servidores do Poder Executivo na elite do serviço público federal - desconsiderando-se o Judiciário e o Legislativo – com salários iniciais entre R$ 8 mil e R$ 10 mil mensais, que ainda podem chegar até R$ 15 mil no fim da carreira.
Considerando os salários iniciais acima de R$ 6 mil, o número de funcionários no topo da pirâmide sobe para mais de 100 mil. Na base do grupo de 900 mil servidores do Executivo, no entanto, ainda existem pessoas que ganham menos do que R$ 1 mil mensais. É o caso de 400 auxiliares técnicos do Ministério de Ciência e Tecnologia, cujo salário é de R$ 800,92 por mês. Já a grande maioria recebe entre R$ 1 mil e R$ 2 mil.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo ressaltou que as defasagens históricas que os servidores reclamam só existem se forem na época de Pedro Álvares Cabral, quando a inflação está em 3% e as reivindicações entre 20% e 30% de aumento.
A professora Danielle Santi, da Universidade de Brasília (UnB), relatou que as carreiras do Estado devem mesmo ser bem remuneradas, pois são peças-chave no combate à corrupção, na cobrança de tributos e na repressão do crime organizado. Por outro lado, segundo a professora, os salários iniciais muito altos podem desestimular as pessoas a lutarem por aperfeiçoamento e maior produtividade.
No setor privado, a diferença média é de 82%, de acordo com especialistas. Danielle afirma que é preciso ter bom senso para estabelecer as políticas salariais que devem ser compatíveis com as da área privada. A professora disse ainda que o congelamento de salários no governo passado e a memória inflacionária da população são responsáveis pelas lutas anuais por reajustes das categorias.
Para a professora, tudo leva a crer que os servidores públicos têm um trauma com relação ao governo anterior, que congelou os salários e por isso, de tempos em tempos, reivindicam mais reajustes, ocasionando um efeito dominó.
Os delegados da Polícia Federal fecharam um acordo com o governo para um novo reajuste de 30%, que será dado de forma fracionada até 2009. Gestores, analistas de orçamento e de comércio exterior, procuradores federais, entre outros, tiveram os maiores reajustas das carreiras, de 174%. Aumentos superiores a 150% beneficiaram, por exemplo, as carreiras jurídicas.
Fonte: Jornal do Brasil
Vanessa Guida, com informações.