Notícias Publicado: 17/08/2026 | 06:28

Lula dá largada à campanha de 2026 com soberania no centro da disputa



Em São Bernardo, o presidente abre sua sétima campanha presidencial com ato marcado por memória sindical, defesa da democracia e mobilização popular

Lula, Alckmin e Haddad, durante o lançamento oficial da campanha à Presidência da Republica no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP) | Foto: Ricardo Stuckert

por Barbara Luz


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu oficialmente, neste domingo (16), sua sétima campanha à Presidência da República com um ato no Estádio Primeiro de Maio, a histórica Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). O lançamento reuniu militância do PT e das legendas da coligação “O Brasil Pronto Pra Mais” — PDT, PSB, PCdoB, PV e Psol e Rede —, além de centrais sindicais, movimentos sociais, caravanas de diferentes estados e apoiadores da chapa Lula-Alckmin.

A escolha do local buscou conectar a disputa de 2026 à trajetória política e sindical de Lula. Foi na Vila Euclides que milhares de metalúrgicos realizaram as grandes assembleias das greves do ABC no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, mobilizações que desafiaram a ditadura militar e contribuíram para a reorganização do movimento sindical e para o surgimento do PT. Em 1979, uma das primeiras grandes assembleias reuniu mais de 60 mil trabalhadores.

Antes do discurso do presidente, trabalhadores que participaram daquele período subiram ao palco e relembraram a organização nas fábricas e a luta pela democracia. Ao final do encontro, Lula e antigos companheiros de movimento sindical deram as mãos e as ergueram diante da militância que ocupava as arquibancadas e o gramado.

O passado também apareceu em um vídeo exibido durante o ato, no qual imagens das greves de 1979 foram combinadas com uma espécie de diálogo entre o Lula daquele período e o atual presidente. “Aguenta, companheiro, que a democracia vai vencer”, diz Lula. Em seguida, a mensagem aponta para a nova etapa da disputa: “Aqui, em 2026, a gente reconstruiu o Brasil e quer mais”.


Soberania e segurança pública no centro do discurso

A defesa da soberania nacional atravessou os discursos do ato. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), candidato novamente na chapa de Lula, associou a mobilização histórica dos trabalhadores à defesa da democracia. “Aqui quem faz o gol é a democracia. Os trabalhadores nos ensinaram como se faz a democracia”, afirmou. Alckmin também defendeu a indústria nacional, o Pix e a soberania brasileira.

Lula também tratou da segurança pública, reafirmando o compromisso de criar o Ministério da Segurança Pública caso a PEC da Segurança seja aprovada no Congresso. O presidente criticou o afrouxamento das regras para compra de armas promovido pelo governo anterior e disse que parte do arsenal vendido naquela gestão acabou abastecendo o crime organizado.

Em tom emotivo, o presidente relembrou a trajetória da mãe, Dona Lindu, e a greve de 1979, e voltou a fazer acenos ao eleitorado feminino, tema recorrente nas falas de aliadas como a primeira-dama Janja da Silva, que discursou e cantou ao lado do cantor Kleber Lucas, e as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ao falar às mulheres, fez um chamado contra a violência e a submissão: “Mulheres desse país, não abaixem a cabeça nunca, porque nós homens precisamos aprender a responder vocês”.

Tebet e Gleisi dirigiram críticas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula segundo pesquisas recentes, em especial ao uso de bandeiras dos EUA em atos do candidato do PL. “Enquanto eles falam de pátria, quem defende as cores da bandeira somos nós”, disse Tebet.


PCdoB convoca militância às ruas e às redes

Integrante da coligação que apoia a reeleição de Lula, o PCdoB participou do lançamento com dirigentes e militantes. A presidenta nacional do partido, Nádia Campeão, afirmou que a abertura oficial da campanha inaugura uma nova etapa de mobilização e convocou a militância a disputar votos para Lula e para as candidaturas comunistas. “Hoje começa a campanha, agora é pra valer, dá pra usar nome, número, agora é pedir voto. Pedir voto pro Lula, pros nossos candidatos a governador, governadora, senadores, mas principalmente, vamos pedir voto pros nossos candidatos e candidatas do PCdoB”, afirmou.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos (PCdoB), destacou a necessidade de levar a campanha às ruas e às redes, com um debate capaz de mobilizar a sociedade em torno de um projeto de país. “Agora nós precisamos garantir nas ruas e nas redes o bom debate, elevado, politizado, que empolgue as pessoas, que inspire as pessoas para agarrar sonhos, para acreditar nesse país”, declarou. Luciana vinculou a disputa eleitoral à defesa do interesse nacional: “Nós somos os verdadeiros brasileiros. Somos nós que defendemos o interesse nacional. Viva a soberania, viva Luiz Inácio Lula da Silva”.

Com a largada em São Bernardo, a campanha Lula-Alckmin entra oficialmente nas ruas buscando transformar a memória das lutas do ABC em mobilização para a disputa de outubro — agora sob o lema de que o Brasil está “pronto pra mais”.


Fonte: Portal Vermelho
 

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