Notícias Publicado: 10/08/2026 | 05:56

Clã Bolsonaro deve responder por alta traição e lesa-pátria, diz chanceler



Em entrevista publicada neste domingo (9) pelo jornal argentino Clarín, Mauro Vieira afirma que campanha da família resultou nas sanções dos Estados Unidos contra o Brasil

Chanceler Mauro Vieira. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

por Iram Alfaia


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que membros da família Bolsonaro já foram responsabilizados e devem responder por crimes de alta traição e lesa-pátria por ações a favor das tarifas impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil.

O chanceler fez referência ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que se encontra autoexilado nos Estados Unidos. O filho de Jair Bolsonaro defendeu o tarifaço como um “sacrifício necessário” diante da condenação do pai por ato golpista no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eles foram responsabilizados no Brasil e devem responder por crimes de alta traição e lesa-pátria. São responsáveis pela campanha que resultou nas sanções que fazem sofrer empresários, capitalistas, funcionários e trabalhadores que estão perdendo seus empregos”, disse Vieira em entrevista publicada neste domingo (9) pelo jornal argentino Clarín.


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O chanceler enfatiza que o governo brasileiro implementou programas para proteger os setores mais afetados.

“Sobre essa família Bolsonaro, lembro que já há dois condenados: um pelo STF (o ex-presidente) e o outro (Eduardo, irmão do candidato à presidência Flávio), que está nos Estados Unidos e perdeu seu mandato de deputado. No Brasil, ele será processado pelas declarações e ações que realizou, atacando o país”, assegura.

Vieira avalia a crise com os Estados Unidos como tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.

“Isso faz parte, sem dúvida, da ofensiva de interferência nas eleições. Houve, de fato, dois encontros entre os presidentes: um de uma hora em Kuala Lumpur e, depois, outro de três horas em Washington. Foram abordados muitos temas, como as questões comerciais e a resolução da questão das tarifas aplicadas especificamente ao Brasil”, lembra.


Suspensão de visto

Sobre a suspensão do visto para a embaixadora do Brasil naquele país, Maria Luiza Ribeiro Viotti, o chanceler explica que o episódio decorre do fato de terem enviado ao Congresso norte-americano o nome de um candidato a embaixador no Brasil.

“Os EUA ficaram mais de um ano e meio sem embaixador no Brasil; não se preocuparam com isso e, de repente, enviaram um candidato ao Senado e, 30 dias depois, fizeram a consulta ao governo brasileiro de forma pública — o que, do ponto de vista diplomático e político, violava a Convenção de Viena”, diz.

Ele explica que a consulta deve ser sigilosa e não pública. “Isso ocorreu, além disso, em meio a comentários de autoridades dos EUA e do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro, com pedidos de visitas ao Brasil e ao ex-presidente (Bolsonaro), que está preso. Foi muita coisa. A suspensão da embaixadora do Brasil visava pressionar pela aceitação desse candidato, mas a Convenção de Viena não estabelece prazos para a concessão do agrément. Nós nem sequer levamos o pedido ao presidente Lula, pois ele está muito ocupado a dois meses das eleições”, esclarece.



Fonte: Portal Vermelho
 

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