Notícias Publicado: 30/07/2026 | 05:52

Flávio Dino sinaliza que parlamentar pode ser punido por não fiscalizar emendas



Ministro quer saber qual responsabilidade jurídica de cada agente público no caminho dos recursos




por Luísa Martins da FolhaPress


Parlamentares que indicaram emendas podem ser punidos caso obras e serviços que seriam custeados por esses recursos não sejam devidamente executados pelos gestores públicos, sinalizou nesta quarta-feira (29) o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ele determinou que, em até dez dias, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal e a Presidência da República enviem à corte um detalhamento sobre a responsabilidade jurídica de cada agente público no “caminho” das emendas parlamentares, desde a indicação até a execução da verba.

A decisão foi tomada em uma ação proposta pelo partido Rede Sustentabilidade, abrindo no gabinete de Dino mais uma frente de apurações sobre mecanismos de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares.

A legenda pede que o STF reconheça que o deputado ou senador que indica emendas impositivas desempenha um papel de “ordenador de despesas” e, por isso, está sujeito a responsabilização em caso de mau uso desses recursos pelas prefeituras, por exemplo.

Nas investigações sobre desvio de emendas parlamentares por gestores municipais, é comum que os parlamentares aleguem que a indicação ocorreu dentro dos moldes legais e que, se houve desvios na ponta, a culpa seria da administração pública.

Segundo Dino, existe “uma assimetria entre quem exerce o poder de decisão sobre a alocação dos recursos e quem permanece sujeito aos deveres de prestação de contas e responsabilização, circunstância que fragiliza os mecanismos constitucionais de controle da gestão orçamentária”.

Ao cobrar as explicações do Congresso e do Planalto, o ministro afirmou que há um “nexo causal” entre a indicação da emenda e a realização da despesa pública, o que cria dificuldades na delimitação das responsabilidades de cada um.

“O dever de prestar contas recai sobre todos aqueles que, de algum modo, administram ou assumem responsabilidade pela gestão e aplicação dos recursos públicos”, escreveu Dino. “É aparentemente contraditório que o parlamentar possa permanecer imune aos mecanismos de controle.”

O ministro prosseguiu: “O emprego do dinheiro público subordina-se a critérios regrados pela Constituição, compondo o devido processo constitucional orçamentário. Dizendo de modo mais óbvio: indicar uma ‘emenda Pix’ não é o mesmo que ‘passar um Pix’ para uma pessoa da família ou um comércio da esquina.”


Fonte: ICL Notícias com informações da FolhaPress