Notícias Publicado: 6/07/2026 | 05:46

Governo Lula mira técnicos dos EUA para conter tarifaço e isolar Flávio Bolsonaro



Auxiliares do presidente afirmam que, até 15 de julho, a prioridade será evitar o novo tarifaço sem deixar que a disputa ideológica contamine as tratativas comerciais entre os dois países

Lula e Donald Trump na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert

O governo Lula montou uma estratégia para manter em nível técnico a negociação com os Estados Unidos sobre a possível tarifa de 25% a produtos brasileiros e reduzir a influência política de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no debate.

Auxiliares do presidente afirmam que, até 15 de julho, a prioridade será evitar o novo tarifaço sem deixar que a disputa ideológica contamine as tratativas comerciais entre os dois países.

Assessores presidenciais da área internacional dizem que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR, repetiu em conversas recentes que “não quer a politização do tema, porque desqualifica o trabalho técnico”.

Com essa avaliação, o Brasil concentra a interlocução na ala técnica do governo americano, incluindo o Departamento de Comércio e diplomatas que acompanham a agenda bilateral.
 
Senador Flávio Bolsonaro no Senado. Foto: Reprodução

Carta de Flávio Bolsonaro entrou no radar da negociação

Flávio Bolsonaro, tratado como presidenciável do PL, enviou no início de junho uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não aplique tarifas sobre produtos brasileiros.

Rubio respondeu ao senador citando a investigação conduzida pelo governo dos EUA sobre práticas adotadas pelo Brasil e afirmou que ainda existem divergências entre os dois países em temas econômicos e comerciais.

Interlocutores de Lula avaliam que manter o diálogo com USTR, Departamento de Comércio e diplomatas pode diminuir a pressão de setores do Departamento de Estado, comandado por Rubio, e de grupos ligados à família Bolsonaro.

A negociação seguirá até o prazo de 15 de julho com foco na tentativa de preservar as exportações brasileiras atingidas pela tarifa de 25% e evitar que a disputa política desloque a discussão comercial para outro campo.


Fonte: Diário do Centro do Mundo - DCM