Notícias nos Estados Publicado: 29/04/2026 | 05:28

MT Debate em reunião na Fessp-MT com representantes do Ministério da Saúde revela cenário crítico no SAMU e cobra soluções urgentes



Caso o Estado não se adeque às normativas nacionais, Mato Grosso pode sofrer sanções, como a suspensão de repasses federais, perda de financiamento e até a devolução de recursos já recebidos para manutenção do serviço




A situação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) em Mato Grosso foi tema de uma reunião estratégica realizada nesta segunda-feira (27) pela Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso - Fessp-MT, em Cuiabá. O encontro reuniu representantes do Ministério da Saúde, parlamentares, pré-candidatos, servidores públicos e lideranças sindicais, com o objetivo de discutir a realidade do serviço no estado e os impactos das mudanças em andamento.

Entre os participantes, esteve o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência do Ministério da Saúde, Fernando Figueira, além de Pedro Henrique, diretor de gabinete da Superintendência Estadual do órgão em Mato Grosso. Durante a reunião, foi apresentado um panorama detalhado da situação do SAMU, reforçando preocupações já apontadas em relatório técnico preliminar elaborado após visita à central instalada no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOPS).

De acordo com as discussões, as falhas identificadas não são pontuais, mas estruturais, confirmando denúncias feitas por entidades sindicais sobre o enfraquecimento do serviço no estado. O relatório do Ministério da Saúde apontou problemas como falta de profissionais, redução da capacidade operacional, falhas na integração entre serviços de emergência e inadequações na estrutura da central de regulação, fatores que podem comprometer o atendimento à população.

Outro ponto de destaque foi o alerta para possíveis consequências financeiras. Segundo o documento, caso o Estado não se adeque às normativas nacionais, Mato Grosso pode sofrer sanções, como a suspensão de repasses federais, perda de financiamento e até a devolução de recursos já recebidos para manutenção do serviço.





O relatório técnico será apresentado à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e, posteriormente, encaminhado à Secretaria de Estado de Saúde para análise e adoção de providências. A expectativa é que o tema avance no debate institucional e político nas próximas semanas.

Durante a reunião, a presença de representantes do Ministério da Saúde foi vista como um indicativo de que a situação está sendo acompanhada de perto pelo governo federal. Servidores e lideranças relataram dificuldades enfrentadas no dia a dia, reforçando o diagnóstico de fragilidade do sistema.

Também foi debatida a relação entre o SAMU e o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. A Fessp-MT destacou que o objetivo não é desvalorizar a atuação dos Bombeiros, mas garantir o respeito às atribuições específicas de cada instituição. Enquanto o SAMU possui caráter assistencial, voltado à saúde e regido por protocolos próprios, os Bombeiros atuam em outras frentes de emergência, sendo necessário que as funções sejam complementares, sem sobreposição ou interferência técnica.

Ao final, a Federação reforçou que a mobilização continuará, com articulação junto as autoridades e ocupação de espaços de decisão. Para a entidade, o debate vai além da gestão administrativa e envolve a garantia de um serviço essencial, onde falhas podem impactar diretamente a vida da população.



Fonte: Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso - Fessp-MT