Notícias Publicado: 10/03/2026 | 06:14

Dieese/Conab: Cesta básica fica mais cara em 14 capitais em fevereiro



Natal lidera alta com 3,52%, enquanto trabalhador precisa ganhar R$ 7.164 para cobrir despesas básicas de família




A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), revelou que o custo dos alimentos básicos aumentou em 14 das 27 capitais brasileiras no mês de fevereiro deste ano. O levantamento, divulgado ontem (09/03), mostra um cenário de pressão inflacionária concentrada principalmente na região Nordeste, contrastando com quedas expressivas em outras capitais.
 

Nordeste lidera altas; Norte e Centro-Oeste registram quedas

As maiores elevações mensais ocorreram em Natal (3,52%), João Pessoa (2,03%), Recife (1,98%), Maceió (1,87%), Aracaju (1,85%) e Vitória (1,79%). O Rio de Janeiro, única capital do Sudeste entre as maiores altas, registrou aumento de 1,15%, consolidando-se como a segunda cidade com a cesta mais cara do país.

Em contrapartida, Manaus registrou a maior queda (-2,94%), seguida por Cuiabá (-2,10%) e Brasília (-1,92%). Ao todo, 13 capitais apresentaram redução nos preços da cesta básica em fevereiro.
 

São Paulo mantém título de capital mais cara

São Paulo segue como a capital onde os alimentos básicos custam mais caro: R$ 852,87. O valor é praticamente estável em relação a janeiro (queda de 0,18%), mas representa um comprometimento de 56,88% do salário mínimo líquido — o trabalhador paulista precisa trabalhar 115 horas e 45 minutos (quase 15 dias úteis) apenas para comprar os 13 itens da cesta.

O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar (R$ 826,98), seguido por Florianópolis (R$ 797,53) e Cuiabá (R$793,77).

No extremo oposto, Aracaju mantém a cesta mais barata do país (R$ 562,88), seguida por Porto Velho (R$ 601,69), Maceió (R$ 603,92) e Recife (R$ 611,98) — todas capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente (sem farinha de trigo e batata, com inclusão de farinha de mandioca e menor quantidade de carne).
 

Feijão dispara e pressiona orçamento familiar

O principal vilão do mês foi o feijão, que subiu de preço em 26 das 27 capitais. O feijão carioca teve alta de 22,05% em Campo Grande e 18,63% em Belém, enquanto o feijão preto avançou 13,83% em Vitória. A escalada dos preços do grão é atribuída à oferta restrita, dificuldades de colheita e redução da área plantada em relação a 2025.

A carne bovina de primeira também pressionou os orçamentos, com alta em 20 capitais, impulsionada pela menor disponibilidade de animais para abate e pelo bom desempenho das exportações.

Por outro lado, o óleo de soja apresentou queda em 26 cidades (variações entre -7,05% e -0,27%), beneficiado pelo excesso de oferta do grão e pela desvalorização do dólar frente ao real. Açúcar, café, arroz e leite integral também registraram recuos expressivos em várias capitais.
 

Acumulado do ano: 25 capitais com alta

Quando se analisa o período de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, o cenário é ainda mais preocupante: 25 capitais registraram alta no custo da cesta básica, contra apenas duas com queda. Rio de Janeiro (4,41%), Aracaju (4,34%) e Vitória (3,98%) lideram as maiores elevações do ano.

Florianópolis (-0,47%) e Brasília (-0,30%) foram as únicas exceções positivas no acumulado de 2026.

 
Salário mínimo necessário: R$ 7.164,94

Um dos dados mais impactantes da pesquisa é a estimativa do salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Com base na cesta mais cara (São Paulo) e considerando despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese calcula que o valor deveria ser de R$ 7.164,94 em fevereiro.

Esse montante representa 4,42 vezes o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00. Em outras palavras, o trabalhador que recebe o piso nacional precisaria ganhar mais de quatro vezes o atual para cobrir despesas básicas de uma família típica, segundo preceito constitucional.

Em média, nas 27 capitais, o trabalhador remunerado pelo salário mínimo comprometeu 46,13% da renda líquida (após desconto de 7,5% da Previdência) apenas com a compra dos alimentos da cesta básica. O tempo médio de trabalho necessário foi de 93 horas e 53 minutos — quase 12 dias úteis.
 

Parceria Dieese/Conab amplia monitoramento

A pesquisa representa um marco na parceria firmada em 2024 entre Dieese e Conab, que expandiu a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras. Os resultados ampliados começaram a ser divulgados em agosto de 2025 e servem de subsídio à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento.

O levantamento mensal acompanha 13 produtos essenciais: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, tomate, pão, café, banana, açúcar, óleo e manteiga — itens que compõem a alimentação básica das famílias brasileiras.


Clique AQUI e acesse a íntegra do estudo
 


Secom/CSPB com informações do Dieese/Conab - Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos - Fevereiro de 2026