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Publicado: 19/02/2026 | 07:05
Lula: IA ameaça democracia e governança da tecnologia precisa ser global
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Segundo ele, sem ação coletiva, a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas
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por Jamil Chade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança um alerta sobre o impacto da Inteligência Artificial, faz um ataque contra a “dominação” das Big Techs e defende que a governança da nova era tecnológica ocorra na ONU.
Lula participou, nesta quinta-feira, da Cúpula de Impacto de Inteligência Artificial organizada pelo governo indiano e advertiu como as sociedades encontram-se em uma “encruzilhada”. “A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente”, alerta.
Sua avaliação é de que a governança global da Inteligência Artificial assume um papel estratégico.
O discurso ocorre num momento em que Brasil e EUA tentam uma aproximação para que uma visita de Lula à Casa Branca seja organizada para março. Um dos temas prioritários na agenda de Donald Trump, porém, é garantir que suas empresas de tecnologia evitem ser alvo de impostos, regulamentações ou decisões de tribunais estrangeiros.
Lula destacou os impactos positivos da revolução digital e a Inteligência Artificial. “Mas também podem fomentar práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho”, disse.
“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, alertou.
O presidente dedicou parte de seu discurso a fazer um ataque contra as empresas de tecnologia. “Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital”, disse. “São parte de uma complexa estrutura de poder”, insistiu.
Segundo ele, sem ação coletiva, a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas.
“Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas. Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios”, disse.
Enquanto isso, segundo a União Internacional de Telecomunicações, 2 bilhões e 600 milhões de pessoas estão desconectadas do universo digital. As estimativas mostram que, em 2030, ainda teremos 660 milhões de pessoas sem eletricidade.
“Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, alertou Lula.
Para ele, a regulamentação das chamadas “Big Techs” está ligada “ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países”.
“O modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política”, disse.
Quem governará
Lula ainda fez questão de abrir o debate sobre quem e onde ocorrerá a governança dessa nova tecnologia. Para ele, essa definição determinará “quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo”. “Colocar o ser humano no centro das nossas decisões é tarefa urgente”, defendeu.
O presidente destacou como o Brasil tem participado de diferentes fóruns internacionais. Mas insistiu que o centro do debate precisa ocorrer na ONU. “Nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional da Inteligência Artificial que seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”, defendeu.
Segundo ele, o Pacto Digital Global que aprovamos em Nova York em setembro de 2024 estabeleceu um mecanismo crucial.
O Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial é o primeiro órgão científico global sobre o tema e reúne especialistas, fatos e evidências em suas manifestações."
O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a Inteligência Artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, insistiu.
* Jamil Chade - Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
Fonte: ICL Notícias
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