Destaques, Notícias, Notícias Internacionais Publicado: 17/11/2025 | 08:45

CSPB na COP30: Serviço público forte é chave para implementar acordos da COP30, defendem manifestantes da Marcha pelo Clima



Em unanimidade, participantes da Marcha Mundial pelo Clima na COP30 apontam que transformar discussões em ação concreta depende de serviços públicos robustos e do combate à PEC 38/2025, que promove o "desmonte do Estado".



A Marcha Mundial pelo Clima, que levou 70 mil pessoas às ruas de Belém (PA) no último sábado (15), foi um espetáculo de cores, culturas e reivindicações da Amazônia para o mundo. Mas, além dos cartazes e cantos, um sentimento comum ficou bastante evidente nas entrevistas conduzidas pelo Diretor de Imprensa, Divulgação e Relações Públicas da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), Carlos Alessander “Carlão”: a urgência de converter as promessas da COP30 em políticas públicas efetivas. E isso, para todos os entrevistados, passa inevitavelmente por um serviço público forte, independente e valorizado.

Do carro de som que participou do cortejo, Carlão ecoou o apelo em defesa do Estado. “Neste momento é importante mostrarmos para todo mundo que nós não somos a minoria, nós somos a maioria que a minoria quer nos separar, nos dividir e nos explorar”, discursou. “Fortalecer os serviços públicos é estratégia fundamental para estarmos avançando com políticas que atendam nossa sociedade. (…) Somente com políticas públicas e sociais alcançaremos nossos objetivos. Isso não é favor para ninguém, é apenas o direito de uma comunidade que já foi tão extorquida. Somos contra essa deformação do Estado”.

 
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A fala do diretor da CSPB encontrou convergências em cada entrevista realizada com os manifestantes. A unanimidade entre eles foi a de que as grandes ideias debatidas nos corredores da COP30 só se materializam em benefícios reais para a população e para o meio ambiente através da ampliação e fortalecimento da máquina estatal.
 

Vozes da marcha: A lógica inquestionável das políticas públicas

Para a manifestante Rocineide Silva, a luta é histórica e depende de ações concretas do Estado. “Uma coisa que eu entendo é que direito não é favor, é obrigação e reparação frente a tudo que nós temos. E eu pergunto, é possível isso, sem políticas públicas, de fato, que cheguem à população? Não, não é possível, infelizmente”, afirmou. “Até porque os problemas estruturais do nosso país têm 500 anos. (…) Então, sem políticas públicas efetivas, que realmente tenham efeito, a gente não consegue chegar a lugar nenhum”.

A ligação direta entre serviço público, políticas de estado e a vida da população foi destacada por Cleber Rezende, presidente estadual do PCdoB e da CTB no Pará. “Nós entendemos que o serviço público é indispensável ao funcionamento do Estado e da sociedade, porque é o serviço público que garante o acesso universal a um conjunto de políticas públicas, por exemplo, o SUS, para a saúde pública do povo brasileiro”, explicou. “Então o serviço público é indispensável (…) e nós entendemos que os servidores públicos, o serviço público, todos têm que ser valorizados”.

 
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Já a manifestante Rita Gil, representante da educação, trouxe a pauta para a realidade local. “Para nós o setor da educação é uma forma de a gente demonstrar que educação tem a ver com sustentabilidade, tem a ver com a sustentação da floresta”, disse, ao reivindicar direitos para alunos indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Questionada se é possível pensar em educação sem um serviço público independente, sua resposta foi um enfático “não”, citando a ameaça da Reforma Administrativa.

Patrícia, do Movimento Revoga Já e da Organização Popular dos Povos, trouxe uma perspectiva de transição. “As políticas públicas são uma transição importante. (…) programas que combatem a fome e outros programas sociais”, avaliou. No entanto, ela também ressaltou a necessidade de um modelo que vá além, retomando modos de organização coletivos. “A solução somos nós. (…) só com essa nossa união que a gente pode estar avançando”.
 

O inimigo em comum: A ameaça da PEC 38/2025

Se a construção de um futuro com mais esperança e oportunidades depende de serviços públicos fortes, a principal ameaça a esse projeto, na avaliação da CSPB e de muitos dos manifestantes entrevistados na COP30, é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 38/2025, a chamada “Reforma Administrativa”.

Carlão foi direto ao classificar a proposta em seu discurso: uma “deformação do Estado”. A CSPB alerta que o texto em discussão promove um verdadeiro desmonte dos serviços públicos, com a precarização de vínculos empregatícios, a perda de direitos dos servidores e o enfraquecimento da capacidade do Estado de formular e implementar políticas de longo prazo.

 
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“Sem servidores públicos concursados, estáveis e valorizados, não há SUS universal, não há educação pública de qualidade para indígenas e quilombolas, não há fiscalização ambiental eficaz e não há aplicação de qualquer política climática que seja acordada em fóruns como a COP30. A PEC 38/2025, portanto, é como uma trava que impede a conversão das ideias em benefícios reais para o meio ambiente e para a população, contrariando todas as propostas da COP30 em defesa do meio ambiente e da sociedade”
, reforçou Carlão.


A conclusão tirada das ruas de Belém é clara: a esperança gerada pela COP30 só se sustentará com a defesa intransigente do serviço público e a rejeição a qualquer proposta que promova seu desmonte. Consolidou-se a necessidade da transição justa com empregos descentes, por meio do fortalecimento de pautas trabalhistas como a escala 6x1, o fim da pejotização, a melhoria das condições de trabalho aos trabalhadores em plataformas bem como a ampliação e fortalecimento de empregos verdes, devem estar ligados à melhoria das condições de vida da sociedade. O futuro do clima e das próximas gerações depende dessa equação. 

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Secom/CSPB