Destaques, Notícias Publicado: 30/09/2025 | 05:53

Inteligência Artificial e Chaplin: um alerta que atravessa gerações



“Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de bondade e ternura”

 
Design gráfico de Bruna Gotardo


por Carlos Alessander Costa Alves

 
Em 1940 Charles Chaplin no filme “O Grande ditador” já alertava sobre os efeitos da ganância e suas consequências na humanidade, os avanços tecnológicos proporcionados por ferramentas que tanto poderiam ser benéficas como conduzir a sociedade à destruição.
 
Inteligência artificial - IA é o termo atualmente utilizado para designar sofisticados programas computacionais que automatizam a realização de tarefas, a circunstância ameaça postos de serviço e nos obriga a repensar o papel do individuo na sociedade e os modelos econômicos existentes, em especial nos serviços públicos.
 
Anteriormente, quanto mais a população aumentava, mais se abriam novos postos de serviço. Hoje vivemos uma mudança de paradigma que gradativamente reduz a necessidade de trabalhos não especializados, aumentando a dependência de politicas públicas que garantam o mínimo existencial para sobrevivência digna do cidadão. O acúmulo do lucro por poucos e a exclusão de muitos podem levar a um colapso social e econômico sem precedentes históricos, principalmente por não promover a circulação de renda, já que sem recursos financeiros e acesso aos serviços básicos, as pessoas não consomem, as empresas passam a vender cada vez menos mercadorias e serviços, começam a demitir mais e se ampliam perversos ciclos de recessão que levam milhões de famílias à pobreza e outras tantas à miséria extrema.
 
Uma alternativa possível para tal cenário está em se buscar a priorização da qualidade e não da quantidade, tornando os produtos gerados por tais ferramentas como base de apoio para melhorias na qualidade de vida, com jornadas de trabalhos menos exaustivas, com a manutenção de renda e a personalização de atendimentos. Torna-se necessário mudar o conceito de simplesmente fazer mais rápido e com menos pessoal, para fazer mais e com melhor qualidade, levando acessibilidade a serviços a mais pessoas e regulamentar limites de tempo para atendimento automatizado.
 
As soluções não necessitam ser concorrentes, mas complementares como podemos observar em alguns cenários:
 
Atendimentos telefônicos, quando bem aplicados a triagens inteligentes, podem agilizar o atendimento, respondendo a questões frequentes, entretanto é imprescindível que se facilite o acesso ao ser-humano que, por muitas vezes, fica inacessível por trás de infindáveis menus.
 
Saúde Pública: utilização de algoritmos para análise de dados de saúde e direcionamento de equipes conforme a necessidade do cidadão, promovendo o atendimento preventivo e possibilitando atendimento mais próximos de doenças que necessitam maior atenção como hipertensão, diabetes e câncer.
 
Pensar em regulamentação da IA, está ligado diretamente em reavaliarmos legislações tributárias, trabalhistas, sociais e educacionais tendo em vista que estão diretamente conectadas. Mais do que simples espectadores de ferramentas, é necessário que estimulemos as pessoas a se tornarem agentes criadores de soluções que promovam a qualidade de vida.
 
Para isso torna-se imprescindível tratarmos o assunto como prioridade, estimulando as entidades associativas e sindicais a promoverem debates e pensar o futuro de forma coletiva e a longo prazo, estabelecendo indicadores e metas que devam ser alcançados e gatilhos a serem utilizados que preconizem o bem-estar social e que nos desviem da caminhada atual, que tem nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e perspectivas muito ruins.


* Carlos Alessander Costa Alves é Diretor de Imprensa, Divulgação e Relações Públicas da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – CSPB
 
 

Secom/CSPB

 

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