Notícias Publicado: 16/02/2024 | 06:53

Braga Netto e Pazuello estão metidos em trama e Bolsonaro editou minuta golpista, diz PF



Documento entregue pela Policia Federal ao STF também reuniu indícios de que Pazuello foi um dos aliados que defenderam a ruptura constitucional. Bolsonaro aguardaria tentativa de golpe morando nos EUA, para onde transferiu R$ 800 mil


Documento entregue pela Policia Federal ao STF também reuniu indícios de que Pazuello foi um dos aliados que defenderam a ruptura constitucional. Bolsonaro aguardaria tentativa de golpe morando nos EUA, para onde transferiu R$ 800 mil

 
Operação investiga suspeitas de formação de uma organização criminosa que, de acordo com a PF, atuou na tentativa de golpe de Estado - Foto: Marcelo Camargo/ABR


por Clara Assunção


Mensagens extraídas do celular do ex-major do Exército Ailton Barros evidenciam a participação do ex-ministro da Defesa Braga Netto na tentativa de golpe para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. As conversas estão descritas no relatório da Polícia Federal entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) que embasou a Operação Tempus Veritatis (Tempo ou Hora da Verdade, em latim), deflagrada no último dia 8.

A ação, que teve como alvos ex-presidente e seus ex-ministros militares e ex-assessores, investiga suspeitas de formação de uma organização criminosa que, de acordo com a PF, atuou na tentativa de golpe de Estado, com abolição do Estado democrático de direito para invalidar as eleições de 2022. E está baseada em documentos que também mostram que Bolsonaro “analisou e alterou” uma minuta de decreto que determinava o rompimento constitucional. A trama golpista, segundo as provas obtidas, também revela a participação do ex-ministro da Saúde e atual deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ).


Pressão de Braga Netto


No caso de Braga Netto, as mensagens mostram que ele estimulou bolsonaristas a atacarem, em dezembro de 2022, dias antes da diplomação do então presidente eleito Lula, o general Tomás Paiva, hoje comandante do Exército. Em diálogo com Barros, Braga Netto determina a disseminação de ofensas ao general, afirmando que o colega de oficialato “nunca valeu nada”. O documento, divulgado pelo jornal O Globo nesta quinta-feira (15), também mostra que o ex-ministro tentava vincular Paiva ao PT. “Parece até que ele é PT desde pequeninho.”

Segundo a PF, os ataques consistiram em uma tentativa deliberada de “atingir a reputação” do general. Alvo da operação, o candidato a vice de Bolsonaro já havia sido citado por manobra semelhante por ofensas ao então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes. Na conversa, Freire é chamado de “cagão” por deixar “acontecer o que está acontecendo”, diz Braga Netto. Ele ainda pede a Barros que “ofereça a cabeça” do comandante.

As investigações têm ainda elementos que mostram o ex-ministro bolsonarista orientando ataques contra o comandante da Aeronáutica na ocasião, tenente-brigadeiro do ar Baptista Júnior. O objetivo da pressão era constranger oficiais do alto escalão a embarcarem na empreitada golpista que previa manter o grupo no poder e impedir a posse de Lula.


Bolsonaro editou minuta golpista


A PF também destaca ter confirmado a existência da minuta de decreto golpista que propunha a instauração de um estado de sítio no país. A análise dos investigadores se debruçou em um áudio enviado pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, a Freire Gomes. No diálogo, de 9 de dezembro de 2022, Cid diz que o ex-presidente “enxugou o decreto”. E que havia reduzido o texto, fazendo “algo mais direto, objetivo, curto e limitado”.

A versão editada pelo ex-mandatário manteve a determinação de prisão do ministro do STF Alexandre de Moraes. De acordo com o inquérito, a mensagem “confirma a existência do decreto” e existem “dados que comprovam” que Bolsonaro “analisou e alterou” a minuta que, “tudo indica, embasaria a consumação do golpe de Estado em andamento”. Embora tenha sido destinatário dos áudios, a investigação aponta que o decreto não teve a “adesão” de Freire Gomes.

Em paralelo, o ex-presidente tinha planos de aguardar os desdobramentos da tentativa de golpe nos Estados Unidos. A PF identificou uma operação de câmbio no dia 27 de dezembro no valor de R$ 800.000,03 para um banco com sede nos EUA onde o ex-presidente possui conta. “Evidencia-se que o então presidente Jair Bolsonaro, ao final do mandato, transferiu para os Estados Unidos todos os seus bens e recursos financeiros, ilícitos e lícitos, com a finalidade de assegurar sua permanência no exterior, possivelmente, aguardando o desfecho da tentativa de Golpe de Estado que estava em andamento”, afirmaram os investigadores.


Envolvimento de Pazuello


O relatório entregue ao STF também reuniu indícios de que Pazuello, que não foi alvo da operação da PF, foi um dos aliados de Bolsonaro que defenderam a ruptura constitucional, conforme O Globo. O ex-ministro da Saúde seria um dos que passaram a difundir a ideia de que o artigo 142 da Constituição, que regula o papel das Forças Armadas, poderia ser usado como base para o golpe de Estado. A interpretação, refutada pelo Supremo, é que o dispositivo autorizaria uma intervenção dos militares como um “poder moderador”.

Ele seria também uma das visitas que Bolsonaro estava recebendo no “sentido de propor um ruptura institucional”.


Leia também:


Polícia Federal encontra carta de Bolsonaro prevendo golpe de Estado

Braga Netto chamou comandante do Exército de ‘cagão’ por não apoiar golpe

Bolsonaro orientou alteração em minuta do golpe, diz PF

Bolsonaro, ex-ministros militares e assessores são alvos de operação da PF; passaporte foi recolhido




Fonte: Rede Brasil Atual - RBA