Notícias Publicado: 7/03/2025 | 06:19

Retomada de políticas para mulheres sob Lula enfrenta onda conservadora



Ana Rocha, ex-assessora do Ministério das Mulheres, destaca avanços como a recriação da pasta, mas alerta para legado de desmonte bolsonarista e a necessidade de ampliar a participação política


Ana Rocha, ex-assessora do Ministério das Mulheres, destaca avanços como a recriação da pasta, mas alerta para legado de desmonte bolsonarista e a necessidade de ampliar a participação política

 
Congresso Nacional fica iluminado de roxo para celebrar o Dia Internacional da Mulher, a pedido da Procuradoria da Mulher no Senado. Foto: Jonas Pereira/Agência Senado


por Cezar Xavier


No Entrelinhas Vermelhas, programa semanal do Portal Vermelho, Ana Rocha*, jornalista e militante histórica da causa feminista, é a convidada às vésperas do 8 de Março, o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Durante a entrevista, ela aponta as pautas em debate no governo, mas alerta para a resistência conservadora aos avanços para mulheres, legado do ambiente bolsonarista.


Assista a íntegra da entrevista:






Durante cerca de uma hora, a ex-assessora do Ministério das Mulheres destaca a recriação da pasta como símbolo da retomada de políticas públicas após o desmonte do governo Bolsonaro. “O ministério é um avanço, mas ainda enfrenta orçamento limitado”, afirma. Entre as iniciativas, ela cita:


- Combate à violência: meta de construir 40 Casas da Mulher Brasileira até 2026;

- Igualdade salarial: decreto para reduzir disparidade (mulheres ainda ganham 20% menos que homens);

- Política de cuidados: creches, lavanderias coletivas e outros serviços para reduzir a sobrecarga doméstica, que atinge principalmente mães solo (40% dos lares brasileiros).



Ana Rocha critica o desmonte de estruturas sob Bolsonaro: “Fecharam equipamentos e cortaram verbas, o que retrocedeu décadas de luta”.


Violência política de gênero: “A caça às bruxas da modernidade”

A especialista compara assassinatos como os de Marielle Franco e Margarida Alves à perseguição histórica a mulheres que desafiam o poder. “Quando uma líder se destaca, a reação conservadora é brutal”, diz. Ela defende a criação de um sistema de proteção similar à Lei Maria da Penha para vítimas de violência política, já que parlamentares e ativistas hoje arcam com custos de segurança e defesa jurídica.


Autonomia econômica X precarização: o nó do trabalho feminino

Ana Rocha ressalta que a entrada massiva de mulheres no mercado de trabalho não se traduziu em emancipação. “Engels dizia que a libertação viria com a redução do trabalho doméstico, mas ele só aumentou”, observa. Ana critica a uberização e a ideologia do empreendedorismo: “Isso isola as mulheres. A saída está em cooperativas e projetos coletivos”.


Feminismo emancipacionista: “Classe, raça e gênero são pilares indivisíveis”

Questionada sobre as correntes feministas, Rocha defende o viés marxista adotado pelo PCdoB: “Não existe mulher genérica. A opressão é vivida de formas distintas por negras, indígenas e pobres”. Ela critica visões fragmentadas: “Judith Butler reflete uma realidade específica, mas o neoliberalismo incentiva divisões. Precisamos de uma luta unificada”.


Exemplos de avanço citados:

- Cotas raciais e de gênero na Argentina e Bolívia, onde mulheres ocupam 40% dos parlamentos;

- Projetos como o Manifesto dos 99%, que integra pautas anticapitalistas ao feminismo.



“Mais mulheres na política para frear o retrocesso”

Para Ana Rocha, a saída está na ocupação de espaços de poder: “Precisamos de creches, mas também de vereadoras, deputadas e ministras”. Ela encerra com um chamado para o 8M: “Este 8 de Março deve ser de luta contra a fome, por emprego digno e pelo direito de existir fora da esfera privada”.


O programa completo está disponível no YouTube e Spotify do Portal Vermelho



* Ana Rocha é jornalista, psicóloga, mestra em serviço social no tema trabalho pela UERJ.





Fonte: Portal Vermelho