Notícias Publicado: 7/07/2023 | 07:37

Líderes querem que Senado apure a política monetária do Banco Central



Parlamentares entregaram petição ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pedindo investigação sobre a política adotada pelo Banco Central. Roberto Campos Neto, presidente do BC, que deve comparecer ao Senado em agosto.


Parlamentares entregaram petição ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pedindo investigação sobre a política adotada pelo Banco Central. Roberto Campos Neto, presidente do BC, que deve comparecer ao Senado em agosto

 
Parlamentares entregam petição para investigar presidente do BC ao senador Rodrigo Pacheco. Foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara


por Christiane Peres


Líderes partidários do PCdoB, PT, PV, MDB, PSD, PSol, PSB, PDT e Rede entregaram nesta quarta-feira (5) ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), um pedido de apuração sobre a política monetária do Banco Central.

No documento, os parlamentares criticam a atual taxa de juros e pedem apuração para explicar “a possível motivação viciada e vício de finalidade, desconectada dos acontecimentos fáticos precedentes que levaram o Banco Central a manter a taxa de juros em 13,75%”.

Após o encontro com Pacheco, os líderes da Câmara concederam entrevista coletiva e afirmaram que o presidente do Senado indicou que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deve ir no início de agosto ao Senado prestar contas.


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Para a líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), a crítica sobre a elevada taxa de juros adotada pelo Brasil é unanimidade e não há justificativa técnica ou política para a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. “Esses juros são absolutamente insustentáveis. Estão entre os mais altos do mundo e isso inviabiliza uma política de desenvolvimento, uma política de industrialização, a política de crédito e uma política de geração de emprego. Isso inviabiliza a política que foi vitoriosa nas urnas. Então, nós aqui estamos tentando fazer com que a lei complementar se cumpra: não é só reduzir a inflação, mas é geração de pleno emprego hoje”, destacou a parlamentar.

A responsabilidade do atual presidente do BC “no que se refere à demora e ao não cumprimento adequado e tempestivo do controle da inflação, do emprego e desenvolvimento econômico e social”, tais como previstos na Lei Complementar nº 179/2021, que dispõe, entre outros tópicos, sobre a autonomia técnica da autarquia, também deve ser apurada, de acordo com o documento entregue a Pacheco.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE), explicou que o documento foi entregue ao presidente do Senado, pois é a Casa responsável pelo acompanhamento do desempenho do Banco Central.

A Lei de Autonomia do BC prevê que o presidente do órgão deve apresentar no Senado a cada seis meses “em arguição pública relatório de inflação e relatório de estabilidade financeira, explicando as decisões tomadas no semestre anterior”.


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“Há uma movimentação intensa no Parlamento e na sociedade brasileira buscando que os juros baixem no Brasil. Nós temos a mais alta taxa de juros do mundo e isso tem sido um entrave para o crescimento da nossa economia. Então, esse é mais um movimento que nós fizemos, porque cabe ao Senado Federal acompanhar o desempenho do Banco Central e se ele está cumprindo as prerrogativas que lhe cabem, as funções que lhe cabem, aquilo que está estabelecido como meta para o Banco Central”, explicou Renildo.

Segundo ele, há um entendimento de que o Banco Central está caminhando numa direção diferente da que a economia brasileira precisa.

“Nós precisamos de mais crescimento. Precisamos de juros mais baixos. Para isso ajudar que a economia brasileira possa se desenvolver. Essa vinda do presidente do Banco Central é uma oportunidade de ele explicar porque o Brasil tem as mais altas taxas de juros do mundo e onde ele acha que isso ajuda a economia brasileira. Esses juros altos têm afastado as pessoas do comércio. Quando o comércio enfraquece, porque as coisas estão muito caras, o financiamento está muito caro, isso diminui a atividade comercial que impacta todos os setores, inclusive a indústria, porque quando as pessoas compram menos, as fábricas produzem menos, gera menos emprego e menos renda na medida em que a economia não vende. Então, a política do Banco Central só é boa para quem vive na especulação financeira, para quem ganha com juros altos, mas é ruim para os trabalhadores, é ruim para a população e é ruim para o setor produtivo do país. Só quem ganha são os bancos”, afirmou o parlamentar.

O presidente do Senado já havia se posicionado sobre a elevada taxa de juros nesta terça-feira (4). Pacheco afirmou que é preciso ter “comprometimento do Banco Central com a questão da redução da taxa básica de juros, obviamente a partir de critérios, a partir de mecanismos que sejam próprios para que se viabilize essa redução, mas é um desejo muito genuíno da sociedade brasileira como um todo, não só das esferas das instituições públicas e políticas, mas da sociedade de ter uma redução da taxa de juros”.




Fonte: Portal Vermelho