Notícias Publicado: 23/03/2023 | 05:49

Copom ignora governo e economia, e mantém juros em 13,75% falando em ‘riscos e incertezas’



Decisão de manter juros mais elevados do mundo era esperada, apesar da pressão de governo, trabalhadores e empresários. Centrais repudiam decisão


Decisão de manter juros mais elevados do mundo era esperada, apesar da pressão de governo, trabalhadores e empresários. Centrais repudiam decisão

 
Banco Central do Brasil -  Foto: Agência Brasil


O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu nesta quarta-feira (22) manter em 13,75% ao ano a taxa básica de juros, a Selic, pelos próximos 42 dias. Foi a quinta manutenção seguida, no patamar mais alto dos seis últimos anos. A próxima reunião será em 2 e 3 de maio.

A decisão era esperada, apesar de toda a pressão nas últimas semanas, vinda do governo, de empresários e de movimentos sociais, no sentido de redução dos juros. Ontem (21), por exemplo, centrais sindicais e movimentos organizaram protestos pelo país para pressionar o BC e, em alguns casos, pedir a demissão de seu presidente, Roberto Campos Neto.


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“Desserviço à nação”


Hoje mesmo, por exemplo, durante café da manhã com jornalistas, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, voltou a criticar o responsável pela política monetária. “O que o presidente do BC está fazendo é um desserviço à nação”, afirmou, referindo-se à taxa de juros. Ele disse ainda que o Copom não precisa conhecer detalhes das novas regras fiscais, ainda em discussão, para iniciar um processo de redução da Selic.


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Além disso, montadores deram férias coletivas em parte de suas linhas de produção. Depois da Volkswagen, em fevereiro, General Motors, Hyundai e Stellantis (dona das marcas Fiat, Peugeot e Citröen) anunciaram paradas neste mês e no próximo. Ontem, foi a vez da Mercedes-Benz. O motivo alegado é a baixa atividade do mercado, especialmente em razão da taxa de juros elevada.

No comunicado divulgado logo após o encerramento da reunião, o Copom afirmou que houve deterioração do ambiente externo. “Os episódios envolvendo bancos nos EUA e na Europa elevaram a incerteza e a volatilidade dos mercados e requerem monitoramento”, diz o colegiado.

Internamente, prossegue o comitê, a atividade econômica mostra desaceleração, enquanto a inflação segue acima do “intervalo compatível” para cumprimento das metas. Ao apontar cenário de riscos, o Copom fala em “incerteza sobre o arcabouço fiscal e seus impactos sobre as expectativas para a trajetória da dívida pública”. Com isso, sem fazer sinalização, o órgão do BC afirma que seguirá “vigilante”.


Prêmio aos rentistas


Quando a Selic foi a 13,75%, em agosto do ano passado, a inflação oficial (IPCA-IBGE) estava em 8,73% em 12 meses. Pelo último dado, referente a janeiro, está em 5,60%. Assim, com a atual taxa básica o juro real (acima da inflação) está acima de 8%.


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Imediatamente após o anúncio, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, divulgou nota lamentando a decisão. “Tragicamente, também em nosso país estamos reféns dos poderosíssimos interesses dos rentistas”, afirmou. Para ele, a manutenção da Selic em 13,75% é prêmio aos especuladores e extorsão aos brasileiros e ao setor produtivo.

A executiva da CUT também divulgou nota para criticar. “A decisão também revela o quanto é ruim para o país um Banco Central, que se declara autônomo, mas se encontra nas mãos de rentistas, especialmente quando têm compromissos com forças políticas contrárias ao povo e ao governo federal. A ausência de sintonia do BC com o esforço de retomada do crescimento econômico do governo democrático e popular prejudica o país e seu povo”, afirmou a central.

Ainda hoje, nos Estados Unidos, o Federal Reserve (equivalente ao BC) aumentou os juros em 0,25 ponto percentual. Foi a nona alta seguida. Agora, o intervalo vai de 4,75% a 5% ao ano. No entanto, ainda fica abaixo da inflação norte-americana em 12 meses, que estava em 6,4% em janeiro.




Fonte: Rede Brasil Atual - RBA