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Publicado: 28/08/2024 | 06:20
Brasil apresenta melhora de indicadores sociais

Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades mostra que houve melhora dos indicadores sociais em 2024
Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades mostra que houve melhora dos indicadores sociais em 2024
por Alexandre Barbosa
O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades lança, nesta terça (27) dados atualizados do “Observatório Brasileiro das Desigualdades” e a pesquisa “Desigualdades”. Os números atualizados mostram melhora em indicadores sociais, apesar da concentração de renda.
A primeira edição do Observatório foi lançada em agosto de 2023. Agora, um ano depois, serão oferecidas as atualizações dos 42 indicadores, distribuídos em 9 temas e articulados em diferentes dimensões. Com esse diagnóstico será possível monitorar avanços, retrocessos ou estagnação.
Destaques do novo relatório sobre desigualdades
Melhoras recentes
- Queda de 40% na proporção de pessoas em extrema pobreza. A maior redução foi entre mulheres negras, 45,2%;
- Queda de 20% no desemprego e ganho real no rendimento médio de todas as fontes, na ordem de 8,3%. Esse ganho foi maior entre mulheres do que entre homens: 9,6% contra 7,7%;
- A proporção de mulheres negras de 18 a 24 anos que cursam o ensino superior foi a 19,2%, um crescimento de 12,3% em relação ao ano anterior;
- A proporção de nascidos vivos de mães com até 19 anos de idade teve uma diminuição de 14%;
- Redução no desmatamento em áreas indígenas e unidades de conservação. Em relação aos alertas de desmatamento, e comparando os anos de 2022 e 2023, houve uma queda de 13,1% na - área total desmatada no país. A queda foi muito expressiva na região Norte, 46,4%.
Pioras recentes
- Aumento na proporção de crianças indígenas sofrendo com desnutrição: 16,1% entre meninos indígenas, 11,1% entre meninas indígenas, entre 2022 e 2023;
- Aumento na proporção de mortes por causas evitáveis na ordem de 22%, entre 2021 e 2022;
- Aumento de 5% na mortalidade infantil, entre 2021 e 2022;
- Aumento de 30% nas emissões de CO2 per capita, entre 2019 e 2022;
- Aumento no déficit habitacional para 6,4 milhões de domicílios, entre 2019 e 2022.
Ricos e pobres: a desigualdade de renda pouco se alterou em 2023
Houve um ganho real no rendimento médio de todas as fontes, na ordem de 8,3%. E este foi maior entre as mulheres do que entre os homens. Apesar disso, a desigualdade de renda no Brasil não se alterou e permanece em patamares elevados: 1% mais rico tem rendimento médio mensal per capita 31,2 vezes maior do que os 50% mais pobres. Em 2022, era 30,8 vezes.
O relatório também alerta para o fato de que os 0,1% mais ricos tinham um rendimento médio anual de 21,5 milhões de reais em 2022 e ao todo deduziram 12,1 bilhões de reais com despesas médicas, uma média de R$ 295,4 mil por contribuinte do topo.
Desigualdades de gênero e raciais são persistentes
A persistência das desigualdades quanto à raça/cor pode ser observada no percentual de crianças de 0 a 3 anos que frequentam creches, segundo Raça/Cor no Brasil, entre 2022 e 2023. Na média houve um ligeiro aumento de 30,7% para 33,2%, ou 8,1%. O aumento, no entanto, foi maior entre pessoas não negras do que em relação às negras e a menor taxa de crescimento na cobertura foi em relação às meninas negras: apenas 2,4%.
As mulheres negras continuam com as maiores proporções de insegurança alimentar moderada e grave, 37% das famílias (enquanto entre homens não negros é de 20%). O rendimento médio mensal da mulher negra, por sua vez, é de apenas 42%, quando comparado ao homem não negro, sendo que o seu desemprego é mais do que o dobro (5,2% para o homem não negro contra 11,5% da mulher negra).
O homem negro, por sua vez, continua apresentando maior exclusão do sistema educacional. A taxa de escolarização líquida no ensino médio foi de 66% em 2023, contra 78% da mulher não negra. Já a proporção de mortes por causas evitáveis para indivíduos entre 5 e 74 anos entre os homens negros subiu de 42% para 50% entre 2021 e 2022, o dobro do valor quando comparado às mulheres não negras.
“Em um ano em que serão realizadas eleições cabe relembrar a baixa representação de mulheres e pessoas negras nos poderes legislativos e executivos municipais”, alerta o Observatório. Nas últimas eleições municipais, apenas 12% das prefeituras tiveram mulheres eleitas para o poder executivo, sendo só 4% negras. Além disso, dos 5.570 municípios em apenas uma a vencedora era autodeclarada indígena. Já para as câmaras municipais, só 16% das vagas foram ocupadas por mulheres, sendo apenas 6% por mulheres negras.
De acordo com o Observatório, “a leitura dos indicadores mostra a enorme e persistente subrepresentação das pessoas negras no poder judiciário”. Dos 16 mil magistrados, apenas 251 são pretos, e 1.937 são pardos, resultando uma proporção de apenas 13,6%. Isso significa que ocupavam, em 2022, apenas 23% das posições em tribunais, se comparados a sua participação na população e, 24% em 2024. Em nenhum dos estados a participação superou 52%, em São Paulo, por exemplo, o valor foi de apenas 12%. Um cenário ligeiramente melhor pode ser encontrado entre as mulheres embora a sua participação tenha ficado estagnada em 76% quando considerada a sua representação na população.
Clique AQUI e acesse o relatório completo, incluindo análises temáticas
Sobre o Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades
O Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades é uma aliança de organizações e redes da sociedade civil, associações de prefeitos, centrais sindicais e parlamentares que decidiram unir forças para que o combate às desigualdades esteja de fato no topo das suas prioridades de atuação e da agenda política do Legislativo, do Executivo e do Judiciário.
O Pacto prevê estratégias de articulação com parlamentares, Executivo federal, prefeituras, empresas, organizações e sindicatos para a realização de iniciativas conjuntas de combate às desigualdades. Além disso, conta com um Observatório das Desigualdades Brasileiras, cujo objetivo é monitorar o comportamento dos indicadores de referência sobre as desigualdades no Brasil, e assim prover insumos para a sociedade civil e para governos, parlamentares e gestores públicos para que possam aperfeiçoar políticas públicas de promoção da equidade.
O estudo é coordenado pela Ação Brasileira de Combate às Desigualdades (ABCD), iniciativa que tem o apoio de organizações sociais, associações de municípios, centrais sindicais, entidades de classe, instâncias governamentais do Executivo e Legislativo federal, estadual e municipal, e do Poder Judiciário. Em ano de eleições municipais, as articulações reforçam a necessidade de os governos locais estabelecerem ações e políticas integradas sustentáveis e inclusivas, com a participação da sociedade, para combater as desigualdades
Com o conjunto de informações, de forma inédita e coordenada, já é possível traçar o panorama da disparidade do país, formular estratégias, traçar cenários e direcionar políticas públicas.
Fonte: TVT News
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