Notícias Publicado: 5/04/2022 | 07:12

Fiocruz desmonta mito de imunização ‘natural’ de infectados pela covid-19



Níveis de proteção do organismo de quem apenas “pegou covid”, mas não se vacinou, declinam rapidamente nos meses seguintes. País ultrapassa a casa dos 660 mil mortos pela pandemia


Níveis de proteção do organismo de quem apenas “pegou covid”, mas não se vacinou, declinam rapidamente nos meses seguintes. País ultrapassa a casa dos 660 mil mortos pela pandemia

 
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por Tiago Pereira


Estudo do projeto VigiVac, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), confirma que mesmo pessoas previamente infectadas pela covid-19 apresentam aumento dos níveis de proteção quando vacinadas. De acordo com os pesquisadores, entre aqueles que já tinham sido infectados antes da vacinação, a eficácia do imunizante contra hospitalização ou morte após a conclusão da série vacinal (duas doses) foi de 89,9% para a AstraZeneca, 89,7% para a Pfizer, 81,3% para a CoronaVac. Já a dose única da Janssen registrou eficácia de 57,7%.

Similarmente, a proteção contra casos leves conferida aos infectados ficou em 44% para a AstraZeneca, 64,8% para a Pfizer, 39,4% para a CoronaVac e 44% para a Janssen. Os dados da pesquisa foram publicados na revista Lancet Infectious Diseases na sexta-feira (1º).

A pesquisa se baseou em dados nacionais de notificação, hospitalização e vacinação de covid-19, no período de fevereiro de 2020 a 11 de novembro de 2021. No total, os pesquisadores analisaram 213.457 casos de pessoas que apresentaram doença sintomática e realizaram teste de RT-PCR pelo menos 90 dias após a primeira infecção, depois de tomarem as vacinas. Entre eles, somente 14,5% tiveram a reinfecção confirmada.


“Mito” derrubado


Esses números desmontam, assim, o mito que diz que aqueles que se infectaram com a covid-19 não precisariam se vacinar, após superarem a doença. A justificativa é que a reação natural do organismo produziria os anticorpos necessários para evitar uma nova infecção. Entretanto, os níveis de proteção causados pela infecção natural declinam ao longo dos meses seguintes. Por outro lado, a imunidade híbrida (infecção natural somada à vacinação) apresenta resultados mais duradouros, aponta a pesquisa.

O próprio presidente Jair Bolsonaro contribuiu para a difundir esse tipo de desinformação. “Eu tive a melhor vacina: o vírus”, disse ele em dezembro de 2020, após ter se contaminado cinco meses antes. Posteriormente, em junho de 2021, ele voltou a insistir: “Eu estou vacinado entre aspas. Todos que contraíram o vírus estão vacinados, até de forma mais eficaz que a própria vacina”. Um mês depois, no entanto, a realidade se impôs e ele voltou a testar positivo para a doença.



Fonte: Rede Brasil Atual - RBA