Notícias
Publicado: 22/06/2021 | 09:02
Reforma administrativa será ‘pá de cal’ nos serviços públicos

Com fim da estabilidade e aumento da participação privada, reforma administrativa tem tudo para piorar qualidade dos serviços públicos, segundo Wagner Romão, da Unicamp
Com fim da estabilidade e aumento da participação privada, reforma administrativa tem tudo para piorar qualidade dos serviços públicos, segundo Wagner Romão, da Unicamp
Na semana passada, começou a funcionar na Câmara a comissão especial que analisa a “reforma” administrativa. Apresentada pelo governo Bolsonaro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020 será relatada pelo deputado federal Arthur Maia (DEM-BA) e prevê o fim da estabilidade para os servidores públicos. Também amplia a participação da iniciativa privada na prestação de serviços como saúde, educação e segurança, cabendo ao Estado um papel complementar. Essas mudanças atingem as três esferas da administração pública – União, estados e municípios. Trata-se de uma inversão das atribuições definidas pela Constituição de 1988.
De acordo com o cientista político e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Wagner Romão, se mantida a versão do governo, a aprovação da reforma administrativa representaria uma “pá de cal” nos serviços públicos. Além dos próprios servidores, as camadas mais pobres da população seriam as mais prejudicadas, pois dependem desses serviços.
Servidores públicos em todo o país – exceto os da saúde – farão uma paralisação na próxima quarta-feira (23). O objetivo é chamar atenção para os prejuízos e riscos que a reforma administrativa deve trazer. Até mesmo os policiais, uma das bases do bolsonarismo, prometem lutar contra a proposta.
Estabilidade
“A estabilidade é muito importante. Sobretudo nos municípios, onde os servidores públicos podem ficar submetidos a pressões a cada troca de mandato. Se a reforma for adiante, podemos ter demissões e contratações ao bel-prazer do mandatário de plantão”, afirmou Romão, em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta segunda-feira (21).
A estabilidade continuaria valendo apenas para as chamadas carreiras típicas de Estado, ligadas a áreas como fiscalização e arrecadação de impostos, por exemplo. Professores, médicos e agentes de segurança poderiam ser demitidos a qualquer momento, o que inviabilizaria os investimentos na formação dos servidores, no sentido de garantir melhoria na prestação dos serviços. Combinada com a participação da iniciativa privada, a continuidade das políticas públicas seria colocada em xeque com essas medidas.
Concentração de poderes
Outro aspecto preocupante da PEC 32 é a eliminação da necessidade de autorização do Congresso Nacional para a criação, extinção, fusão ou transformação de entidades da administração pública, autarquias e fundações. Agências reguladores ou órgãos de controle ambiental, como o Ibama e o ICM-Bio, poderiam ser extintos com “uma canetada” do presidente, destaca Romão. Consequentemente, os servidores seriam dispensados.
Para o professor, este ponto específico reflete o caráter “autoritário” e centralizador do governo Bolsonaro, e também apresenta uma espécie de contradição. Idealizada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o espírito da reforma é neoliberal, buscando reduzir os gastos com o funcionalismo, diminuindo o papel do Estado. Nesse sentido, Romão destaca que a proposta de reforma administrativa também é inoportuna, pois, em função da pandemia, as demandas pela atuação estatal são ainda maiores.
Assista a entrevista:
Redação: Tiago Pereira
Fonte: Rede Brasil Atual - RBA
Compartilhe essa notícia
Mais lidas dos últimos 30 dias
01
CSPB denuncia sabotagem e tomará providências após retirada do PL 1893/2026 da pauta da Câmara (4517 views • 12/08/2026)
02
CSPB celebra vinculação do Sindsprev-RJ e amplia força na defesa dos serviços públicos (4504 views • 13/08/2026)
03
CSPB e Centrais Sindicais avançam no diálogo com o PL para destravar votação do PL 1893/2026 (4303 views • 20/08/2026)
04
SC: No II Encontro Jurídico da NCST-SC e Fetramesc, CSPB destaca Negociação Coletiva e atuação sindical (4301 views • 17/08/2026)
05
CSPB une forças pelo fim da contribuição previdenciária de aposentados e reafirma apoio à ‘Carta de Brasília’ (4296 views • 14/08/2026)
06
Movimentos preparam o 30/8, Dia Nacional de Mobilização pelo Fim da Escala 6×1 (4016 views • 19/08/2026)
07
Lula dá largada à campanha de 2026 com soberania no centro da disputa (4012 views • 17/08/2026)
08
Lula chega à campanha com mais de 10 milhões de novos empregos formais (3955 views • 18/08/2026)
09
Emendas impositivas e orçamento secreto estão na mira de programa de Lula (3950 views • 13/08/2026)
10