Notícias Publicado: 28/08/2020 | 09:28

Brasil se aproxima de 120 mil mortos por covid-19. Especialista lamenta desvalorização da ciência



Com 984 mortes nas últimas 24 horas, o Brasil chega a 118.649 vítimas da covid-19. “Governo brasileiro precisa rever sua postura ante a gestão de saúde pública”, defende microbiologista



Com 984 mortes nas últimas 24 horas, o Brasil chega a 118.649 vítimas da covid-19. “Governo brasileiro precisa rever sua postura ante a gestão de saúde pública”, defende microbiologista


 
Número de casos no último período no país foi de 44.235, totalizando 3.761.391 brasileiros infectados pelo coronavírus



por Gabriel Valery
edição de Fábio M. Michel




O Brasil registrou 984 mortos por covid-19 nas últimas 24 horas. O número é levemente inferior ao padrão apresentado nas últimas 11 semanas às quintas-feiras, que se mantiveram sempre acima da casa do milhar. Com o acréscimo, desde o início da pandemia, em março, são 118.649 vidas perdidas para o vírus no país.

Já o número de casos no período foi de 44.235, totalizando 3.761.391 brasileiros infectados pelo vírus. Os números foram levantados pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). As informações não incluem a grande subnotificação de casos e óbitos, denunciada por cientistas e reconhecida por parte do poder público. Por ser um dos países que menos aplica testes para o vírus no mundo, o Brasil segue desconhecendo o verdadeiro comportamento da pandemia em seu território.

Porém, mesmo com apenas cerca de 6% da população tendo passado por algum teste, o país é o segundo mais afetado pela covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, os norte-americanos, ao contrário, aplicam testes intensamente. Como resultado do descaso do governo federal na condução da pandemia, ontem, dia que a pandemia completou seis meses em solo brasileiro, o Brasil superou os Estados Unidos em mortes por 100 mil habitantes causadas pelo coronavírus.


Desgoverno


Esta semana também foram totalizados mais de 100 dias que o Brasil está sem ministro da Saúde. O governo de Jair Bolsonaro, em pleno período de pandemia, mantém um militar sem experiência na área ocupando o posto como interino. Mas já demitiu dois ministros médicos, Henrique Mandetta e Nelson Teich – por defenderem que o país deveria seguir medidas recomendadas pela ciência, como isolamento social, algo que Bolsonaro, sempre rejeitou.

A chefia da pasta que deveria coordenar as ações de combate à covid-19 está ocupada por Eduardo Pazuello, que não possui formação ou experiência em nenhum assunto relacionado a medicina. Bolsonaro, em seu argumento central contra a quarentena rigorosa, faz uma suposta defesa da economia, em detrimento de vidas. “Uma população saudável é economia para o Estado, é trabalhador produzindo, é capital girando”, contesta o biólogo especialista em microbiologia clinica e professor da Uninter Alessandro Castanha da Silva.


Investimentos


Para Alessandro, a pandemia evidencia a necessidade de rever a postura do governo brasileiro ante a importância da ciência e da gestão plena da saúde pública. “A necessidade de investimento no serviço público de saúde é um ponto a ser considerado. Estratégias de saúde familiar e comunitária, bem como a criação de comitês de emergência em saúde que englobam todas as esferas do poder público apresentaram-se eficazes em situações de combate a outras enfermidades”, disse.

“Infelizmente nosso sistema de saúde passa por décadas de estagnação, e a atual pandemia evidenciou fortemente essa situação. A carência de uma gestão eficaz e de investimentos transformou o SUS de um projeto copiado por outros países em uma realidade triste e defasada de cuidados à saúde (…) Há necessidade de uma discussão mais ampla, onde toda a sociedade proponha-se a rediscutir a saúde, a ciência que é feita em nosso país, onde os valores sociais, éticos e morais sejam revisitados e evidenciados”, completou.




Fonte: Rede Brasil Atual - RBA 


 

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