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Publicado: 26/05/2025 | 06:43
União busca mudar alocações com modelo que promete 'servidor certo no lugar certo'
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Ferramenta digital, inclusive, aplica uso de inteligência artificial, para a análise de currículos
Ferramenta digital, inclusive, aplica uso de inteligência artificial, para a análise de currículos
por Gustavo Silva
O servidor certo no lugar certo. Esse é o objetivo da abordagem de Perfil Profissiográfico, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). A ferramenta digital tem o objetivo de melhorar a alocação de novos servidores, ingressantes do Concurso Nacional Unificado (CNU). A metodologia, inclusive, aplica uso de inteligência artificial, para a análise de currículos.
De acordo com o governo federal, a expectativa é de que a aplicação se torne um modelo a ser replicado em novos concursos, processos seletivos para ocupação de funções, movimentações de servidores, entre outros processos. Isso tudo devido ao "alto potencial de contribuição para o aprimoramento da gestão de pessoas", apontou o ministério.
– É deixar para trás a lógica de tapar buracos e passar a valorizar o ser humano, colocando pessoas nos lugares certos – destaca Janice Godinho, coordenadora do MGI.
Servidor responde a questionário no ingresso
O sistema funciona da seguinte forma: no momento da posse, o servidor responde a um questionário digital, que é cruzado com seu currículo e com os perfis das vagas disponíveis, previamente mapeadas pelos 21 órgãos que receberão os 6.640 aprovados do CNU.
A partir dessas informações, o sistema gera o chamado RISA (Relatório Individual de Subsídio à Alocação) — um documento que sugere os locais onde aquele servidor pode render mais, se desenvolver melhor.
De acordo com a pasta, a sugestão de alocação é feita com relação a atividades, não setores. O relatório aponta a aderência do candidato ao cargo, com descrições que refletem a avaliação psicométrica do candidato em diferentes aspectos do cargo e gera um gráfico de radar com pontuações em áreas chave.
Uso de dados em outras áreas já é realidade
O uso de dados comportamentais já é realidade na União, por exemplo, nas avaliações de desempenho, lembra o professor Antonio Batista, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
– Com certa frequência, isso gera distorções e judicializações. Mas, se as inteligências artificiais forem bem treinadas, pode haver um incremento de eficiência.
O especialista defende que devem ocorrer mudanças na legislação, para tornar a estrutura de cargos e carreiras mais fluidas.
Funcionários se sentirão valorizados, diz procurador
Julio Almeida, diretor da Associação dos Procuradores do Estado de São Paulo, defende que a iniciativa pode gerar no funcionalismo a sensação de valorização e engajamento, resultando em um melhor atendimento à população.
– Ganha o servidor, que verá os talentos reconhecidos e o senso de propósito estimulado. Ganha também a sociedade, que terá mais pessoas certas nas funções certas.
Fonte: Coluna Servidor Público - Jornal Extra