Notícias Publicado: 8/05/2024 | 07:07

Professores e técnicos-administrativos de instituições federais completam um mês de greve sem acordo com governo



Categorias chegaram a receber proposta da União, que não as agradou


Categorias chegaram a receber proposta da União, que não as agradou

 
Rede federal se diz ‘deixada de lado’ por governo — Foto: Reprodução/Fasubra


por Gustavo Silva


Docentes federais já entraram na quarta semana de greve com a adesão de 47 instituições federais de ensino. Já são 40 universidades, além de cinco institutos e dois Centros Federais de Educação Tecnológica com atividades paralisadas. Ao menos outras quatro universidades públicas já têm datas de deflagração de greves previstas para maio. Até o momento, não há sinais de acordo com a União.

As categorias chegaram a receber uma nova proposta de reajuste salarial e reestruturação de carreiras da União. O governo federal apresentou um caminho para a reestruturação da Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE) e da carreira dos docentes, que trabalham nos institutos e universidades federais.

Além disso, ofertou um reajuste de aumento de 9% a partir de janeiro de 2025 e de 3,5% em maio de 2026. Combinada ao aumento nos benefícios e o reajuste de 9% dado ano passado, os técnicos teriam uma correção média global de mais de 20% para carreira.

Até o momento, porém, não há sinal de aceite por parte das entidades representativas à proposta do governo. A principal reivindicação das classes é que haja um novo reajuste nos salários ainda em 2024. Elas pedem um aumento de 22% até 2026, com parcelas de 7,3% ao ano.

A indignação dos grevistas é direcionada à demora do governo em responder às propostas apresentadas pelas entidades representativas. O entendimento dentro da categoria é que o governo federal, que se elegeu com forte bandeira voltada à Educação, deixou de lado o funcionalismo que atua nesses locais.


União ressalta negociações


Em resposta às cobranças dos servidores, os Ministérios da Gestão e da Educação responderam ressaltando a criação do Grupo de Trabalho para tratar da reestruturação do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação.

O relatório final do colegiado, entregue na última semana à ministra Esther Dweck, “servirá como insumo para a proposta do governo de reestruturação da carreira, que será apresentada aos servidores na Mesa Específica de Negociação”.

Além disso, o Ministério da Gestão ressaltou que concedeu reajuste linear de 9% a todos os funcionários federais no último ano. Também destacou o aumento de 50,1% no auxílio-alimentação do funcionalismo federal.


Onda de greves


O movimento é coordenado pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), que está em diálogo com todos os professores do país.

– Seguem mantidos apenas os acréscimos nos benefícios, projetando toda e qualquer recomposição remuneratória para as negociações setoriais. Tanto o pagamento do acréscimo dos benefícios quanto a instalação e avanço das mesas setoriais estão condicionados à não realização de greves e paralisações, que suspenderiam as negociações com o governo – disse Gustavo Seferian, presidente do Andes.



Fonte: Coluna Servidor Público - Jornal Extra