Notícias nos Estados Publicado: 10/06/2020 | 08:30

MG: 850 intelectuais e artistas saem em defesa da Frente Ampla e lançam o Manifesto pela Unidade Antifascista no Estado



O lançamento da Frente, promovido pelo Instituto Sérgio Miranda – Isem, ocorreu durante uma live que contou com as presenças dos idealizadores do Manifesto: Luiz Eduardo Soares (sociólogo) e Tarso Genro (advogado-InP), Flora Sussekind (prof. da UNIRIO), Luiz Taranto (jornalista), Miriam Krenzinger (prof. da UFRJ) e Silvio Tendler (cineasta).  




Em Minas Gerais, neste final de semana, 850 artistas e intelectuais mineiros lançaram um manifesto de adesão ao movimento nacional em defesa de uma ampla Unidade Antifascista.

A atividade, promovida pelo Instituto Sérgio Miranda – Isem, ocorreu durante uma live que contou com as presenças dos idealizadores do Manifesto: Luiz Eduardo Soares (sociólogo) e Tarso Genro (advogado-InP), Flora Sussekind (prof. da UNIRIO), Luiz Taranto (jornalista), Miriam Krenzinger (prof. da UFRJ) e Silvio Tendler (cineasta).  

Um dos convidados, Hélio Doyle, dirigente da ABI-DF, em sua intervenção destacou que “Bolsonaro não quer governar sob a égide da Constituição de 1988. Ele quer um poder absoluto. Por isso, temos que resistir e impedir que ele siga o seu percurso. O caminho é um pacto antifascista, uma frente ampla com propósito de destituir Bolsonaro dentro dos atuais limites legais.” Como desdobramento, Doyle anunciou que nesta semana começam os primeiros contatos no sentido da construção do movimento de Unidade Antifascista no Distrito Federal.

A professora Miriam Krenzinger firmou sua opinião que o País vive “um processo de golpe, articulado por um governo com traços fascistas, com o perigo de acirramento de práticas autoritárias, como a censura, por exemplo”. Mirian saudou as várias iniciativas que visam a, cada qual no seu canto, organizar a resistência às investidas do Palácio do Planalto e destacou a importância do movimento de Unidade Antifascista ganhar todos os espaços nacionais.

Outro Jornalista, Luiz Tajano, diretor do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos – Ibep, lembrou que o Manifesto não é um programa e falou sobre os três calcanhares de Aquiles do Governo: “as denúncias sobre as fake-news, os problemas sanitários e a brutal crise econômica. Tudo isso combinado cria um caldo de cultura que pode dar um norte comum às forças politicas em conflito com o Governo.” 

Já Silvio Tendler, ator, roteirista e diretor de cinema, trouxe ao debate a questão da destruição do Estado e suas políticas nas áreas da cultura, das artes, da ciência e da indústria nacionais: “precisamos reconstruir o Brasil. E, eu sinto, que o País esta reagindo com muita galhardia, esta construindo uma estratégia de derrocada e asfixia do fascismo. Nossa luta é pela vida, pela arte e por um mundo melhor. Viva a vida. Viva a inteligência.”

Tarso Genro, advogado e diretor do Instituto Novos Paradigmas, abriu sua fala fazendo um panorama da situação política nacional. Tarso, lembrando a gravidade emergencial do momento, chamou a Unidade Ampla Antifascista: “este é o eixo da luta democrática hoje. É preciso compreender isso. Não é hora de ninguém começar a escolher parcerias na luta contra o fascismo. É hora de nos unirmos todos para barrar o inimigo central.”

O sociólogo Luiz Eduardo Soares, um dos organizadores do Manifesto e do movimento de Unidade Antifascista,  saudou a iniciativa mineira e afirmou que “diante do momento crucial, do desafio extraordinário e da imensidão dos problemas atuais não cabe uma resposta acanhada, tímida, usual e acrescida por considerações laterais ou idiossincrasias. Precisamos nos esforçarmos para agregar e recepcionar todos os apoios que venham para esta luta. Uma disposição de abrigar e integrar um enorme movimento numa mesma direção geral: o combate ao fascismo. Diante da gravidade do momento, todas as forças são indispensáveis. Muitas vezes, diagnósticos agudos e precisos, parecem que traem a dimensão de suas análises e não tiram as conclusões necessárias.”

E finalizou “diante da ameaça extrema é preciso derivar uma perspectiva unitária e de união de forças. As diferenças, os interesses particulares são legítimos e devem ser reconhecidos como tais. Mas elas não podem sobrepor aos interesses coletivos e nacionais. Esses devem falar mais alto. A Frente Ampla Antifascista é a resposta mais radical que se tem hoje contra as pretensões bolsonaristas.” 

Para finalizar, o professor Sebastião Soares, diretor do Observatório Brasileiro Sindical – Clodesmidt Riani – repassou, formalmente, ao movimento Unitário Antifascista as 850 assinaturas e leu o cabeçalho mineiro ao Manifesto Nacional: “Nós, mineiros, abaixo assinados, em face das ameaças que pairam sobre os direitos e liberdades constitucionais vigentes, inclusive de sua liquidação pelo Governo Bolsonaro, nos alinhamos irrestritamente com o Manifesto pela Unidade Antifascista, que propõe a “formação de uma ampla frente” em defesa do regime democrático, e nos irmanamos em um movimento pela salvação nacional. Minas Gerais, junho de 2020.”


Quem são os primeiros 850 mineiros que assinaram o movimento de uma ampla Unidade Antifascista? 


São artistas (plásticos, atores e músicos), advogados, arquitetos, economistas, empresários, engenheiros, jornalistas, médicos, professores, religiosos, servidores públicos (municipais, estaduais e federais), filósofos, sociólogos, estudantes e ativistas em várias áreas. Entre os 850 signatários do manifesto há pessoas sem vínculos político-partidários e outras com laços distintos com os partidos PCdoB, PDT, PMDB, PRC, PSB, PSDB, P-Sol, PT, Rede, UP e outros.

Os assinantes do Manifesto pela Unidade Antifascista apelam “às lideranças democráticas que se mostrem à altura de nosso tempo e se empenhem na formação de um pacto antifascista” que defenda do regime democrático – por cima das diferenças partidárias menores. Propõe “uma grande concertação de todas as forças antifascistas, as quais, vale enfatizar, não se esgotam nas esquerdas”. E avança para o processo eleitoral indicando que “nas próximas eleições municipais é preciso a união de todos e todas em torno das candidaturas capazes de ampliar o movimento democrático e de competir para vencer, em nome da resistência antifascista. A credencial indispensável é o compromisso claro de enfrentar o fascismo em todas as suas dimensões.”

Assinaturas
                                                                                         
O manifesto conta com assinatura de professores e pesquisadores de todas as universidades de Minas Gerais – CEFET, FAJE, Fiocruz-MG, FUMEC, PUC-Minas, UEMG, UFJF, UFMG, UFOP, UFU, UFVJM, UNIMONTES e UNIVAS – incluindo ex-reitores e pró-reitores.
Entre os religiosos que acompanham o manifesto está o Bispo Auxiliar Arquidiocese de BH, responsável Episcopal de Nossa Senhora do Rosário e Aparecida – Brumadinho – Dom Vicente de Paula Ferreira e o Frei Jacir de Freitas Faria.

Já entre os artistas destacam-se Ana de Hollanda, Angelo Oswaldo, Antonio Grassi, Brisa Marques, Clara Arreguy, Chico Pelúcio, Eleonora Santa Rosa, Fernando Muzzi, Guilardo Veloso, Helvécio Ratton, Ivo Amaral, João Candido Portinari, Maurício Tizumba, Pedro Paulo Cava, Selma Carvalho, Sérgio Santos e Teuda Bara.

Numa homenagem ao centenário do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI) e do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) quando do Golpe Militar de 1964, Clodesmidt Riani foi o único dirigente sindical convidado a assinar o Manifesto.




Fonte: Manifesto pela Unidade Antifascista de Minas Gerais